Imagem da matéria: Binance começa a afetar pequenas corretoras de criptomoedas no mercado brasileiro
Foto: Shutterstock

Quando grandes redes de supermercado chegam a um bairro os donos dos mercadinhos locais logo sentem o ‘baque’. Isso porque parte dos clientes não hesita em mudar o local das compras, visto que as gigantes têm maior variedade de produtos e geralmente oferecem preços mais baixos. Esse foi o efeito gerado pela exchange Binance ao chegar no Brasil no final de 2019.

Em pouco mais de um ano de funcionamento no país a corretora não só tirou a liderança das grandes corretoras do mercado brasileiro de criptomoedas – Mercado Bitcoin, NovaDAX e BitPreço -, como também abocanhou um pedaço do volume de negociação das pequenas exchanges. Algumas não resistiram.

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A Braziliex, por exemplo, anunciou na semana passada o encerramento das atividades. O motivo alegado foi a entrada de novos concorrentes. A empresa negociava 480, 600 e até 720 bitcoins por mês no primeiro semestre de 2020, segundo dados do CoinTraderMonitor. De julho do ano passado para cá, no entanto, o volume caiu, e a média registrada entre janeiro e abril deste bateu nos 274 BTC mensais.

Sem fazer menção a nenhuma empresa específica, Ricardo Rozgrin, sócio-fundador da Braziliex, disse ao Portal do Bitcoin que sem dúvida a entrada das empresas estrangeiras elevaram o nível técnico da competição. “Plataformas melhores, maior liquidez e taxas menores fazem com que uma base relativamente grande de clientes se movimentem nessa direção”.

Apesar do fechamento, Rozgrin disse que no geral a entrada de novos players faz bem para o mercado: “Vemos isso de forma positiva já que quem sai ganhando com isso são os clientes. Entretanto, não é comum encontrar nestas empresas o mesmo nível de qualidade quanto ao atendimento dos clientes, em especial os mais leigos”, disse.

Queda no volume

Assim como a Braziliex, o ‘efeito Binance” também foi sentido por outras exchanges de pequeno ou médio portes. A corretora Brasil Bitcoin, por exemplo, negociava 500, 700 e até 876 bitcoins por mês no primeiro semestre de 2020. A média de janeiro a abril de 2021, no entanto, caiu para 328 BTC mensais.

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A queda de volume também ocorreu nas corretoras Bitnuvem, Nox Bitcoin, Alter e outras tantas. Para o trader Raphael Soffieti, que atua no mercado de criptomoedas desde 2014 e já foi sócio da corretora Foxbit, esse baixo volume de negociação é o grande inimigo das exchanges.

“Se você olhar na lista de volume das corretoras do Brasil vai ver que boa parte delas opera menos de R$ 1 milhão por dia. Movimentando esse valor, a empresa ganha 0,5% ou menos, e com isso não consegue arcar com custo alto de funcionários, atendimento, cadastro, compliance etc. E tem até corretora internacional nessa situação”.

De acordo com o trader, no entanto, as pequenas exchanges brasileiras sofriam por causa do baixo volume bem antes de a Binance chegar por aqui, e isso era visto inclusive em algumas internacionais: “É preciso entender o fator Brasil. Caso contrário, a empresa não aguenta, mesmo que seja administrada pelo chinês mais rico do mundo”.

Corretoras locais também podem se beneficiar

O CEO da corretora PagCripto, Carlos Lain, disse que as corretoras sentem o efeito de novos players que possam ser relevantes, independente de serem nacionais ou internacionais. Ele disse que no caso específico da Binance, no entanto, muitas corretoras brasileiras também conseguiram se beneficiar porque foram convidadas para atuarem como market makers.

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“O mercado brasileiro hoje é muito convexo, há diversos players que acabam intercomunicando a liquidez através de operações de arbitragem e isso acaba distribuindo as operações entre o mercado todo e às vezes pode afetar negativamente alguma corretora específica que não conseguiu ter opções de preços tão competitivos quanto os concorrentes ao longo do dia”.

O volume médio de negociação da exchange nos primeiros quatro meses deste ano foi de 253 bitcoins, ante 131 BTC no primeiro semestre do ano passado. A exchange também viu um salto no volume de OTC, que pulou de uma média de 339 bitcoins no segundo semestre do ano passado (período em que há dados disponíveis) para 471 BTC neste ano, batendo um recorde de 807 em abril.

“Foram vários fatores que ajudaram nisso e a automação da nossa OTC que possibilitou isso tudo. A Binance não representa muito do nosso volume, mas por conta da nossa automação conseguimos permitir que várias corretoras brasileiras possuam maior liquidez em seus trabalhos de market making dentro de suas próprias plataformas”, falou Lain.

Para o empresário, a concorrência desleal se deve à legislação brasileira, e não a corretoras internacionais como a Binance. “Acho que temos uma insegurança jurídica muito grande aqui no Brasil, que acaba nos proibindo de oferecer vários serviços que as internacionais conseguem oferecer”.

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