Bitcoin
Shutterstock

O mercado de criptomoedas reage na manhã desta quarta-feira (6) ao pedido de recuperação judicial do grupo financeiro Voyager, mais uma empresa que sucumbe à crise de liquidez.  Depois de uma sessão volátil na madrugada, o Bitcoin (BTC) opera em alta de 2,2% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 20.190, segundo dados do CoinGecko. O Ethereum sobe 1,7%, negociado a US$ 1.145.

No Brasil, o Bitcoin avança 2%, para R$ 108.977, de acordo com o Índice do Portal do Bitcoin (IPB). 

Publicidade

As principais altcoins também se recuperam como Binance Coin (+2,3%), XRP (+0,6%), Cardano (-0,0%), Solana (+4,2%), Dogecoin (-0,1%), Polkadot (+0,3%), Shiba Inu (+0,7%) e Avalanche (+7,3%).

Recuperação judicial

A ajuda da gigante FTX não foi suficiente para evitar um pedido de recuperação judicial da plataforma de empréstimos com criptomoedas Voyager Digital. A empresa de Toronto registrou o processo na terça-feira (5) sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos EUA, no Distrito Sul de Nova York, informou o CoinDesk. A Voyager estima que possui 100 mil credores e entre “US$ 1 e US$ 10 bilhões” em ativos, com um volume equivalente de passivos.

“Acreditamos fortemente no futuro da indústria, mas a volatilidade prolongada nos mercados cripto e o default da Three Arrows Capital exigem que tomemos essa ação decisiva”, disse o CEO Stephen Ehrlich no Twitter. Em comunicado, o executivo afirmou que reorganizar a companhia “é a melhor forma de proteger” os ativos da Voyager.

Crise existencial

Com plataformas de empréstimos à beira de fecharem as portas em meio à desvalorização das criptomoedas, questões existenciais desafiam esse nicho do mercado, destaca Emily Nicolle em análise da Bloomberg. Centenas de milhões de dólares – ou talvez bilhões – podem ser liquidados para pagar dívidas em aberto.

Em uma série de tuítes, a empresa de ativos digitais Cumberland diz que a incerteza sobre o tamanho e prazo das potenciais vendas de ativos “paira sobre o mercado como uma nuvem”. E a recuperação do setor será determinada pelo ritmo no qual os ativos liquidados possam ser comprados.

Publicidade

Outro ponto destacado é a falta de transparência de algumas plataformas. Semana antes de suspender saques, negociações e depósitos, o CEO da Vauld, Darshan Bathija, promovia a solidez de suas operações, dizendo que a empresa “sempre manteve uma abordagem equilibrada e conservadora em relação à gestão da liquidez”. A Vauld, que tem sede em Singapura, assinou um termo de compromisso na terça-feira (5) para uma possível venda à rival Nexo.

Ata do Fed

Além de toda a turbulência causada pela crise de liquidez no mercado cripto, investidores também avaliam os riscos de uma recessão nos Estados Unidos, com um alerta cada vez mais ruidoso em Wall Street. Mas para muitos consumidores americanos a retração da economia já é realidade, de acordo com reportagem da Bloomberg.

O impacto dos juros mais altos no fluxo de capital para investimentos é acompanhado de perto pelo mercado. Nesta quarta-feira (6), às 15h de Brasília, o Federal Reserve divulga a ata da reunião de junho, quando o banco central americano elevou as taxas em 0,75 ponto percentual, o maior aumento desde 1994. Investidores agora buscarão pistas sobre o tamanho da alta na reunião de julho.

Outros destaques

Em meio ao inverno cripto, a corretora Bitso busca atrair mais investidores no Brasil. A empresa agora oferece uma aplicação em uma cesta de stablecoins dolarizada com rendimento de 15% ao ano para valores até US$ 1 mil. “O brasileiro gosta muito de renda fixa, dólar e, muitas vezes, não está disposto a entrar em bitcoin diretamente. Fica com medo. É uma portinha de entrada para o mundo cripto”, disse ao Valor Thales Freitas, CEO da Bitso no Brasil.

Publicidade

A francesa Edenred, dona da Ticket, está lançando a própria maquininha para pagamentos com cartões, a Punto, conforme o portal Pipeline. Depois de um projeto piloto com 6 mil lojas, o negócio está pronto para entrar em operação oficialmente. Cristiane Nogueira, diretora-geral da Punto Brasil, não descarta pagamentos com criptomoedas no futuro.

Fundos de índice no Canadá que rastreiam ativos digitais registraram as maiores saídas mensais desde 2013.  Para fugir da onda vendedora, investidores de ETFs cripto resgataram quase 700 milhões de dólares canadenses (US$ 537 milhões) em junho, cerca de 16% dos ativos sob gestão, segundo relatório de Daniel Straus, analista financeiro do National Bank Financial. O ETF RBC iShares, uma parceria entre o Royal of Bank of Canada e a BlackRock, liderou as perdas, com mais de 1 bilhão de dólares canadenses em saques, de acordo com a Bloomberg.

Jordan Belfort, o ex-trader que inspirou o filme “O Lobo de Wall Street”, alertou contra a estratégia de investir em Bitcoin num “horizonte de 12 ou 24 meses”. Em entrevista ao novo programa The Crypto Mile do Yahoo Finance, Belfort disse que vê a maior criptomoeda como um hedge de longo prazo contra a inflação.

A Bullish, uma exchange cripto que atende clientes institucionais, demitiu cerca de 30 funcionários, conforme o The Block. A empresa das Ilhas Cayman, subsidiária da Block.one, emprega 390 pessoas.

Em busca de alternativas para enfrentar o inverno, a Bitstamp está cobrando uma taxa de clientes “inativos” para compensar os custos. A nova taxa de inatividade afeta clientes com saldos abaixo de US$ 200 que não negociaram, depositaram ou investiram na plataforma nos últimos 12 meses. A taxa de inatividade é de 10 euros.

Publicidade

A Core Scientific, empresa de mineração de bitcoin listada na Nasdaq, informou na terça-feira (5) que vendeu 7.202 bitcoins no mês passado por US$ 167 milhões, obtendo cerca de US$ 23 mil por unidade vendida. O volume equivale a quase todo seu estoque da criptomoeda.

Regulação, Cibersegurança e CBDCs

O deputado Expedito Netto (PSD-RO), relator do projeto de lei que regula o mercado de criptoativos no Brasil, elaborou um novo parecer na terça-feira (5), no qual retira o dispositivo que dava isenção fiscal a mineradores que usassem fontes de energia limpa, segundo o Valor.

O parlamentar já havia descartado todas as principais mudanças feitas no PL pelo Senado, como a necessidade de segregação patrimonial e obrigatoriedade de abertura imediata de CNPJ pelas exchanges.

A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), grupo que reúne as principais corretoras do Brasil, se posicionou contra a retirada desses dois pontos específicos. Em nota enviada ao Portal do Bitcoin, a associação afirma que a regra de transição defendida no Senado, na qual as empresas devem estar reguladas no país assim que a lei entrar em vigor, é “essencial para a segurança dos cidadãos e o bom ambiente de negócios para o empreendedores”.

Em artigo na Folha, Maria Inês Dolci, advogada especializada na área de defesa do consumidor, defende a regulação do mercado e diz que, enquanto o texto não é votado, o investidor tem três opções: “não investir em moedas digitais; investir pouco (5% a 10% de suas aplicações) e correr um risco menor, ou arriscar muito e saber que pode perder tudo”.

No Reino Unido, o banco central defendeu uma regulamentação mais rigorosa dos criptoativos, destacando as “vulnerabilidades” do setor. O mercado britânico também digere a dança das cadeiras no governo Boris Johnson, com a renúncia dos ministros das Finanças e da Saúde. O primeiro-ministro está sob crescente pressão por ignorar acusações de assédio sexual contra um ex-membro do governo.

Publicidade

Colorado e Utah seguem com os programas que permitirão o pagamento de impostos com criptomoedas, mas a ideia foi engavetada por quase todos outros estados americanos devido à turbulência e queda dos preços dos ativos digitais, segundo a Bloomberg.

E a senadora americana Cynthia Lummi disse em entrevista ao Decrypt que o novo projeto de lei para os criptoativos não enfraquece a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. “Eu realmente não acho que a SEC irá perder o controle regulatório. Acho que vai retê-lo quando [ativos digitais] forem contratos de investimento.”

Metaverso, Games e NFTs

A Ágora Investimentos lançou um Certificado de Operações Estruturadas (COE) Metaverso, informou o E-Investidor. O COE é um instrumento para a diversificação dos investimentos que permite incluir diferentes aplicações em um pacote. O produto tem como foco os mercados de Realidade Aumentada (RA) e tecnologia, que mesclam elementos do mundo real com o virtual.

O volume de vendas mensais no maior mercado de tokens não fungíveis, o OpenSea, caiu para US$ 700 milhões em junho, abaixo dos US$ 2,6 bilhões em maio e muito distante do pico de janeiro de quase US$ 5 bilhões, de acordo dados publicados pela Reuters da NonFungible.com, que rastreia as vendas nas blockchains Ethereum e Ronin.

Apesar dessa queda, a nova chefe de fintech da Meta, Stephane Kasriel, disse em entrevista ao Financial Times que os planos da empresa no mercado de NFTs não mudaram “de forma alguma”. A executiva disse que a Meta vê uma oportunidade nas centenas de milhões ou bilhões de usuários dos aplicativos da empresa colecionarem arte digital.

Dois executivos de empresas de capital de risco cripto da Ásia lançaram um fundo com foco em projetos promissores na web3. Jason Choi e Darryl Wang, ambos de 27 anos, disseram à Bloomberg que o novo fundo, chamado Tangent, não vai aceitar capital externo e cobrar taxas de administração.

Talvez você queira ler
Celular mostra logotipo Nubank - abaixo mesa com moedas de bitcoin, ethereum e solana

Nubank vai liberar saques de criptomoedas no início de 2024

Nubank prometeu atender a antiga demanda da comunidade cripto de permitir a transferência de criptomoedas para carteiras externas; Hoje o banco também começa a vender USDC no app
Simulação de holografias saindo de um livro físico com tema criptomoedas blockchain metaverso

FGV revela vencedores do Datathon de Moedas Digitais; conheça os projetos

Evento teve um recorde de 18 equipes inscritas, oriundas de departamentos como engenharia, economia, estatística e ciência da computação
Desenho de uma caixa sustentada por paraquedas

Dono de corretoras hackeadas promete airdrop “épico” para usuários

Justin Sun comanda a Poloniex e a HTX, ambas corretoras centralizadas afetadas por hacks em novembro
Imagem da matéria: Enquanto EUA lutam para aprovar ETF de Bitcoin, produtos do Brasil já movimentam R$ 473 milhões 

Enquanto EUA lutam para aprovar ETF de Bitcoin, produtos do Brasil já movimentam R$ 473 milhões 

Brasil conta com ETFs de criptomoedas desde 2021 e já tem dois grandes produtos de Bitcoin à vista, liderados por Hashdex e QR Asset