Imagem da matéria: Por que o bitcoin não para de subir e até onde vai a alta
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No início da tarde desta segunda-feira (28), o bitcoin era negociado a R$ 144 mil nas principais corretoras brasileiras, uma alta de 20% em relação ao preço registrado no início da semana passada. Em 2020, o ativo já valorizou quase 400% em reais, segundo a cotação do Portal do Bitcoin.

A reportagem consultou especialistas do mercado brasileiro de criptomoedas sobre por que o bitcoin não para de crescer e até onde vai esse rali. De acordo com Axel Blikstad, sócio da BLP Asset, a alta é sustentada por uma maior maturidade do mercado de ativos digitais, bem como pela entrada constante de novos players institucionais.

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“Nos últimos três anos o ecossistema das criptomoedas melhorou da água para vinho. Hoje você tem custodiantes, clareza maior dos reguladores — principalmente dos Estados Unidos — e uma melhor infraestrutura para atender clientes institucionais”, disse.

Ao longo de 2020, como apontou Blikstad, diversos fundos de investimentos, empresas e investidores de renome começam a apostar na criptomoeda. Uma delas foi a Microestrategy, empresa americana de business intelligence listada na bolsa de valores americana Nasdaq. Até dezembro, a empresa adquiriu 40.824 bitcoins (cerca de US$ 1 bilhão na cotação atual).

A Square, companhia de pagamentos criada pelo fundador do Twitter, Jack Dorsey; a Blackrock, maior gestora de ativos do mundo; o PayPal, que anunciou recentemente o lançamento de uma plataforma de compra e venda de bitcoin e altcoins, e diversos outros players também entraram na lista de novos adeptos dos ativos virtuais.

“Esse movimento chama a atenção de quem está fora do mercado e praticamente toda semana vemos novos atores alocando recursos em bitcoin”, disse Blikstad.

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Bitcoin contra a instabilidade econômica

Bernardo Quintão, diplomata da exchange Mercado Bitcoin, tem opinião semelhante. Ele disse ao Portal do Bitcoin que a alta é decorrente da entrada de novos players, que alocam cada vez mais recursos em criptomoedas para fugir da instabilidade econômica gerada pelo coronavírus.

“A principal razão (da entrada e da alta) é pela busca de um ativo que sirva de proteção à política monetária heterodoxa que se intensificou com a crise econômica causada pela pandemia”.

Em paralelo a esse crescimento da demanda, falou Quintão, a alta também tem sido puxada pela diminuição da oferta diária de novos bitcoins, que caiu pela metade desde o halving ocorrido no início do ano. “Desta forma, o bitcoin se torna cada vez mais o ‘ouro 2.0’, acessível e transacionável por qualquer pessoa conectada à internet”, completou.

Até onde vai o preço

Para Blikstad, da BLP Asset, desde que o bitcoin rompeu os US$ 20 mil, a criptomoeda entrou em um território desconhecido e não é possível para prever exatamente onde ela vai parar. No entanto, afirmou, é difícil apostar contra a alta da moeda em um cenário cada vez mais maduro, com oferta escassa e alta demanda.

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“Acredito que em 2021 a alta continue, mas talvez não dessa forma como visto nas últimas semanas. Acho que vai subir e ter algumas baixas no caminho, como sempre ocorre, mas não duvido que ao longo do próximo ano possa chegar entre US$ 50 mil e US$ 100 mil”.

Carlos Russo, CFO da Transfero Swiss AG, também confia na alta da criptomoeda. Ele disse, no entanto, que entende que a cada ciclo (halving) as altas do btc devem ficar menores em termos percentuais.

“Então se no primeiro ciclo a moeda passou de US$ 30 para US$ 1.000 (uma alta de 30 vezes), e no segundo ciclo passou de US$ 1.000 para US$ 20.000, uma alta de 20 vezes, a nova subida deve ser algo na ordem de grandeza de 10 vezes. A gente acha que o btc pode chegar a US$ 80 mil ou US$ 90 mil em 2021. É algo que a gente espera, mas nunca se sabe, pois depende muito do apetite do mercado”, falou.

Vale lembrar que analistas da Bloomberg fizeram previsões semelhantes. O Citibank fez uma aposta ainda mais otimista e estimou que criptomoeda pode chegar a US$ 318 mil em 2021.

Evolução do Bitcoin

Sobre o preço, Quintão, do Mercado Bitcoin, disse que é impossível prever o valor futuro da moeda, pois há muitas variáveis em jogo. De acordo com ele, no entanto, a alta se sustentará até o ponto o momento em que o mercado encontrar “um novo patamar de equilíbrio entre esta grande demanda por bitcoins pelas empresas e investidores institucionais e os vendedores de bitcoin”.

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João Marco Braga da Cunha, gestor da Hashdex, também disse que é difícil determinar um teto de preço, especialmente com o mercado testando valores nunca antes vistos. “Mas considerando que a principal razão para o movimento que vimos até aqui é a entrada de institucionais, ainda há muito a evoluir, uma vez que ainda há muitos fora do mercado de cripto”, falou ele.

Vale a pena entrar no bitcoin agora

O mercado está em alta e, em cenários como esse, baleias costumam realizar lucros. Por isso, especialistas ouvidos no início deste mês pelo Portal do Bitcoin recomendaram cautela na hora da entrada no mercado cripto.

Russo, da Transfero Swiss AG, também falou que o investimento em cripto deve ser feito com cuidado. Ele disse que as pessoas podem entrar agora sim, mas com responsabilidade e sem comprometer seu patrimônio.

“Além disso, precisam saber que o bitcoin tem ciclo de três anos, então recomendamos que a pessoa mantenha o bitcoin por esse período para conseguir suportar a volatilidade”, falou.

Cunha, da Hashdex, deu uma dica de investimento. “Em termos de tamanho da posição, preconizamos que apenas investidores experientes e com perfil de risco agressivo devem passar dos 5% de alocação nessa classe. Para perfis mais conservadores, tal percentual varia entre 1% e 5%, e desde que os critérios de suitability sejam devidamente cumpridos”, disse.

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