Imagem da matéria: Polícia Federal faz operação contra Braiscompany
Carro da PF na sede da Brais em Campina Grande (Reprodução Instagram)

A Polícia Federal realiza nesta quinta-feira (16) uma operação em diversas unidades da Braiscompany, a empresa paraibana acusada de funcionar como uma pirâmide financeira através de um serviço de “aluguel de criptomoedas” e que parou de pagar os clientes em dezembro do ano passado. 

Carros e agentes da Polícia Federal estão em diversas unidades da empresa em Campina Grande e João Pessoa. Também está realizando buscas no escritório da Braiscompany em São Paulo, na rua das Olimpíadas, vizinho ao shopping Vila Olímpia.

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O Portal do Bitcoin apurou que os policiais estão ainda em um condomínio fechado em Campina Grande onde fica a residência de Antônio Neto Ais, criador da empresa.

No total, os agentes cumprem oito mandados de busca e apreensão na investigação de crimes contra o sistema financeiro e contra o mercado de capitais, que teriam sido cometidos pelo sistema criado pela empresa. Os crimes investigados são os previstos nos artigos 7 e 16 da Lei nº 7492/86, cujas penas somadas passam dos 12 anos de reclusão e multa.

De acordo com a PF, a Braiscompany teria movimentado cerca de R$ 1,5 bilhão em criptomoedas em contas vinculadas aos sócios da empresa.

A ação é chamada de Operação Halving, nome que faz uma alusão ao corte de recompensas por bloco minerado do Bitcoin a cada quatro anos. Segundo a PF, trata-se de um período semelhante ao da ascensão e agora derrocada do esquema investigado.

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Policiais na sede da Braiscompany em Campina Grande (PF)

Legislativo e Ministério Público na crise da Braiscompany

A crise da Braiscompany já havia entrado em um ponto mais agudo nos últimos dias. Na semana passada, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) havia informado que estava investigando — novamente — a suposta empresa de investimentos em criptomoedas em decorrência de denúncias de clientes feitas ao órgão.

“O procedimento foi instaurado no último dia 26 de janeiro, tendo o representante do Ministério Público da Paraíba (MP-PB) tomado as providências extrajudiciais com vistas à conciliação, inclusive, com a designação de audiência na última quinta-feira (2/2), à qual a Braiscompany não compareceu”, disse o órgão.

Na terça-feira (7), um vereador de João Pessoa decidiu se pronunciar sobre os atrasos nos pagamentos que a Braiscompany deve aos clientes espalhados por todo Brasil, especialmente na Paraíba. 

Trata-se da segunda vez que o órgão público abre uma investigação com o esquema de Antonio Ais. A primeira foi feita a partir de uma denúncia feita em 2020 por uma pessoa e encerrada em setembro de 2022, poucos meses antes de Braiscompany parar de pagar os clientes.

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Na época, o MP alegou que não havia consumidores lesados e por isso o caso não foi adiante.

Atraso de pagamentos na Braiscompany

Pelo menos desde dezembro de 2022 os depósitos dos rendimentos dos clientes da Braiscompany estão atrasados, o que gerou filas de investidores na porta da sede da companhia em Campina Grande, na Paraíba.  

Nesse cenário, a equipe da Braiscompany, liderada pelo casal Antônio Neto Ais e Fabrícia Campos, chegou a jogar a culpa dos problemas na corretora Binance, que supostamente estaria colocando travas em saques e liquidações da empresa.

Outro ponto é que a provável crise na empresa parece não atrapalhar os negócios, já que Ais teve tempo para promover uma partida de futebol com o ex-craque Ronaldinho Gaúcho, enquanto o negócio tem contas bloqueadas devido ao não pagamento do aluguel de um imóvel.

Criador da Braiscompany vende mansão

O criador da Braiscompany também teve que vender às pressas uma mansão em São Paulo em dezembro do ano passado — mesma época em parou de pagar os clientes. O imóvel foi liquidado por R$ 12,5 milhões embora tenha um preço estimado de em torno de R$ 15 milhões.

A informação foi confirmada ao Portal do Bitcoin por uma pessoa que participou do negócio. Ela diz que o baixo preço neste caso foi motivado pela necessidade de Neto Ais precisar fazer uma venda rápida da casa.

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A mansão fica na rua João Di Pietro, no bairro do Morumbi da capital paulista. O local tem área de 1.416 metros quadrados e a casa conta com quatro quartos, seis banheiros, piscina, sala de musculação e sala de jogos com mesa de bilhar.

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