Sede da Braiscompany em Campina Grande, Paraíba
Sede da Braiscompany em Campina Grande, Paraíba (Foto: Divulgação)

Começam a surgir nas redes sociais reclamações sobre atraso de pagamentos da Braiscompany, empresa que promete gerar retornos acima de 80% ao ano através da “locação de criptoativos” e que foi acusada de ser um esquema de pirâmide financeira por Tiago Reis, o CEO da Suno Research.

Ao checar o perfil da Braiscompany no Instagram, há diversos comentários de clientes desde a noite de terça-feira (20) que tentam entender por que os rendimentos mensais de dezembro, que deveriam ter caído no dia 20, não foram pagos. 

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Outros indagam o porquê de a empresa sediada em Campina Grande (PB) estar excluindo comentários de usuários que questionam publicamente o atraso.

Um cliente da Brascompany que pediu para não ter seu nome divulgado, contou ao Portal do Bitcoin que foi pego de surpresa pelo atraso. Só depois de fazer vários comentários no Instagram e procurar o suporte do Braiscompany é que ele foi avisado que o atraso aconteceu por conta de uma atualização no aplicativo da empresa. 

O que chama atenção é o fato de que a Braiscompany não usa o aplicativo ou um sistema interno para efetuar o pagamento dos clientes. Ao invés disso, envia os supostos lucros mensais diretamente para a carteira de bitcoin informada pelo usuário e mantida em corretoras de criptomoedas. No caso do investidor que conversou com a reportagem, a Braiscompany o paga em uma conta da Binance.

O email da Braiscompany

Ele mostrou a resposta que recebeu da empresa (veja abaixo) depois de fazer a reclamação. No e-mail, a Braiscompany justifica o atraso pela estreia do aplicativo Brais App no dia 28 de dezembro. O grupo diz que para se preparar para o lançamento, precisou realizar “integrações e atualizações no sistema”. 

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“Informamos que os pagamentos dos índices de remuneração de amanhã 20/12/22 serão efetuados no prazo de até 72h. Isso ocorrerá para que possamos sincronizar os nossos pagamentos com o nosso aplicativo”, diz um trecho do e-mail enviado no dia exato que os pagamentos começaram a atrasar.

No esquema de “locação de criptoativos” da Braiscompany, o investidor faz um aporte inicial na empresa em bitcoin e é obrigado a deixar os fundos presos com o grupo por um ano. Enquanto isso, a empresa paga rendimentos mensais para os clientes até que seja liberado o saque do aporte inicial com o fim do contrato de um ano.

Procurada, a equipe da Braiscompany não respondeu até a publicação desta reportagem.

E-mail enviado pela Braiscompany sobre atraso dos pagamentos.

Operações da Braiscompany

Nos mesmos posts do Instagram da Braiscompany em que clientes reclamam dos atrasos, a empresa ostenta sua capacidade de ser capaz de entregar retornos positivos todos os meses aos investidores em criptomoedas, mesmo em um ano de bear market.

Até mesmo os principais e mais confiáveis criptoativos do mercado viram seus preços caírem pela metade desde o início do ano. A título de comparação, as três criptomoedas com o maior valor de mercado, Bitcoin, Ether e BNB, acumulam perdas no ano de 64%, 67% e 53%, respectivamente.  

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A Braiscompany, no entanto, sugere que passou ilesa pelo inverno cripto. Mais do que isso, alega ter obtido um lucro de 83,2% para os clientes só em 2022.  “Em quatro anos entregamos 342,41% de performance aos nossos clientes”, diz um post no Instagram feito nesta quarta-feira (21) pela Braiscompany. 

“Nosso modelo de negócio proporciona o melhor do mercado cripto, com segurança e resultados muito acima da média de outros mercados. E você, o que acha de ter retornos acima de 80% ao ano no seu capital? Com a Braiscompany e a locação de criptoativos é possível”, promete o grupo sem dar qualquer detalhe de como consegue desviar a tendência de baixa do mercado.

Denúncias contra a ‘Brais’

No passado, a Braiscompany foi acusada de ser uma pirâmide financeira por Tiago Reis, o criador da casa de análises Suno Research, conhecido por denunciar fraudes no mercado.

Na ocasião, Reis disse que a empresa  promete rendimentos irreais, típico de pirâmide financeira. “O que eu faria de se fosse ‘investidor’ por lá? Iria na sede agora e tentaria fazer o resgate antecipado”, disse na ocasião o influenciador com mais de 1,3 milhão de seguidores no Instagram.

As desconfianças em torno da empresa não surgiram em vão. Antonio Neto Ais e Fabricia Ais, o casal que comanda a Braiscompany, já chegaram a ser alvos de 20 ações na Paraíba por participação no golpe D9 Club, que lesou investidores em mais de R$ 200 milhões.

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Além de Tiago Reis, o polêmico trader Raiam Santos também já denunciou a Braiscompany no passado. “Já avisei com Unick, DD Corporation, todas elas. A próxima a cair é a Braiscompany. É a operação faraó acabando com todas as pirâmides do Brasil”, disse ele dois anos atrás. 

Naquele ano de 2020, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriram investigação contra o grupo.

As suspeitas em torno da Braiscompany continuaram ganhando força em 2021, quando a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) precisou vir a público desmentir uma alegação da Braiscompany que dizia ter licença da entidade para operar no Brasil.

Em nota oficial, a ANBIMA afirmou que a Braiscompany mentiu ao dizer que possui o selo da entidade, pois não é sua associada nem aderente aos Códigos de Melhores Práticas da ANBIMA. 

A entidade disse que a empresa usou indevidamente a marca da Associação em eventos e materiais publicitários, ameaçando na época tomar todas as medidas cabíveis para inibir o uso indevido da marca da ANBIMA pela Braiscompany.

Cercada de polêmicas, a Braiscompany foi expulsa do reality show Batalha das Startups da TV Record pela empresa Inova360, responsável pelo programa. 

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ATUALIZAÇÃO: Após a publicação desta reportagem, a Braiscompany enviou uma resposta com mais detalhes sobre a forma como opera no mercado de baixa:

“No cenário de mercado em queda, existem ferramentas de gestão e trader que possibilitam ao nosso time operacional buscar resultados positivos no mercado. Em tendências de baixa, dispomos de várias estratégias operacionais. Uma dessas ferramentas é a técnica chamada de “Venda à descoberto”, popularmente conhecida como “operar vendido” e presente na maioria dos mercados atualmente, de modo que não seria diferente no mercado cripto. Em um ano como 2022, no qual ativos como Bitcoin estiveram em baixa, em relação ao ano de 2021, esse é um dos principais recursos que possibilita entregar resultados positivos aos nossos clientes, mesmo em um cenário de baixas.”

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