Imagem da matéria: O que é Ethereum? Entenda o sucesso da grande blockchain de contratos inteligentes
(Foto: Shutterstock)

Ether (ETH), a segunda maior criptomoeda depois do Bitcoin (BTC), possui uma plataforma blockchain para a criação de aplicações descentralizadas (ou dapps, na abreviação em inglês).

Enquanto o bitcoin foi criado como uma moeda e uma reserva de valor, o Ethereum é uma rede descentralizada para a execução de contratos inteligentes — códigos operados em uma rede de ponto a ponto e verificados pela blockchain do Ethereum.

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A ideia é criar aplicações que sejam seguras, transparentes e resistentes à censura, já que não dependem de plataformas centralizadas.

O Ethereum é usado como a camada de software para tudo, desde aplicações de Finanças Descentralizadas (ou DeFi) a jogos “play to earn” que utilizam tokens não fungíveis (NFT).

Muitos acreditam que o Ethereum pode consolidar uma recriação de como a internet funciona, chamada de “Web 3” — em que o controle da internet é desintermediado das grandes empresas, como Amazon e Facebook.

Este guia supersimples do Decrypt irá te ajudar a entender a grande ideia do Ethereum e o papel da moeda ether nessa visão.

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O que é o Ethereum?

Se o Bitcoin é o disquete das blockchains, o Ethereum é o CD: É a evolução da tecnologia. O que o Bitcoin comprovou é que uma moeda poderia ser criada por uma comunidade, além de enviada e recebida por qualquer pessoa com uma carteira de criptomoeda.

Também solucionou o complicado problema do gasto duplo — quando uma criptomoeda é gasta mais de uma vez, falhando em sua unicidade.

No entanto, o que o Ethereum comprovou é que blockchain pode ser bem mais do que apenas uma reserva de valor. Pode ser usada para organizar pessoas, ideias, empresas, dinheiro, serviços… Se qualquer coisa puder ser programada via códigos e usada por um contrato inteligente, pode ser desenvolvida no Ethereum.

Essa simples ideia permitiu que empresas usassem Ethereum para gerenciar propriedades e ações, criassem redes sociais e aplicações financeiras, desenvolvessem jogos e até criassem suas próprias nações.

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Além disso, ether é a criptomoeda que o Ethereum usa para criar e manter sua rede. Gwei e Wei, as sub-unidades do ether, são em homenagem a Wei Dai, um pioneiro das criptomoedas.

Quem inventou o Ethereum?

Um programador russo-canadense chamado Vitalik Buterin escreveu o “whitepaper” no qual o Ethereum é baseado — o nome “Ethereum” surgiu após pesquisas sobre elementos e ficção científica em artigos da Wikipédia.

Porém, a criação da rede e da comunidade foi possível graças aos cofundadores Anthony Di Loria, Charles Hoskinson, Miha Alisie, Amir Chetrit, Joseph Lubin e Gavin Wood.

Um breve histórico do Ethereum

Novembro de 2013: Vitalik Buterin escreve um whitepaper explicando o conceito do Ethereum.

– Janeiro de 2014: Ethereum é publicamente anunciado.

– Julho de 2014: Ethereum lança uma oferta inicial de moeda (ou ICO) usando bitcoin para comprar ether.

– Junho de 2016: US$ 50 milhões de ethers são roubados de uma venda pública e desenvolvedores do Ethereum concordam em reverter a decisão ao criarem uma “hard fork” (ou “bifurcação drástica”).

– Março de 2017: Um grupo de empresas — incluindo Toyota, Samsung, Microsoft, Intel e JP Morgan — cria a Enterprise Ethereum Alliance, uma organização sem fins lucrativos para tornar o Ethereum adequado para grandes empresas.

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– Dezembro de 2020: É lançada a Beacon Chain, a primeira fase de uma enorme atualização conhecida como Ethereum 2.0 que, no futuro, fará com que a rede migre para um mecanismo de consenso proof of stake (PoS).

– Março de 2021: Visa começa a usar a blockchain do Ethereum para processar transações com stablecoins.

– Abril de 2021: A hard fork Berlin é lançada, reduzindo custos de gas na rede.

– Agosto de 2021: A hard fork London apresenta taxas-base para cada transação e queima taxas de transação em vez de alocá-las a mineradores.

O que tem de tão especial no Ethereum?

Ethereum está usando a tecnologia na qual o Bitcoin foi criado e transformando-a em mais do que apenas uma criptomoeda. Permite que desenvolvedores criem aplicações — são chamadas de “dapps” ou “aplicações descentralizadas” no mundo do Ethereum — que unem esses contratos inteligentes em uma interface de fácil uso.

Também é possível desenvolver sua própria criptomoeda no Ethereum.

Se o Bitcoin é o ouro do mundo das criptomoedas, o Ethereum é o combustível que move as máquinas.

O que é ether e como é criado?

Ether é a criptomoeda que o Ethereum usa para criar e manter sua rede. Assim como o Bitcoin funciona, mineradores produzem ether ao criarem blocos e solucionarem quebra-cabeças — uma técnica conhecida como “mineração”.

Aproximadamente a cada 15 segundos, um novo bloco é acrescentado à blockchain do Ethereum e o computador ou minerador que soluciona o quebra-cabeça do bloco é recompensado em ether.

Atualmente, o Ethereum usa a mesma técnica de mineração proof of work (PoW) que o Bitcoin. No entanto, tem planos de migrar para uma técnica diferente, chamada de proof of stake, na atualização Ethereum 2.0.

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Como adquirir ether?

É possível comprar ether em uma corretora de criptomoedas, ou (por enquanto) se tornar um minerador!

Quais aplicações foram desenvolvidas no Ethereum?

Redes sociais: receba por suas publicações em dapps de redes sociais.

Armazenamento de arquivos: armazenamento descentralizado de arquivos a uma fração do preço.

Pagamentos internacionais: Redução drástica do custo pelo envio de dinheiro ao exterior.

– Cartões para pagamento: Cartão de débito com pagamento por aproximação em ether e outras criptomoedas.

Anúncios on-line: Redução de intermediários em propagandas on-line. Usuários são pagos diretamente por assistirem anúncios on-line.

Corretoras: corretoras descentralizadas (ou DEXs), como a Uniswap, permitem que usuários convertam criptomoedas de ponto a ponto, sem a necessidade de intermediários.

Empréstimos: Empréstimos garantidos por blockchain, sem verificações de crédito.

O futuro do Ethereum

O Ethereum quer ser a plataforma em que todas as dapps são desenvolvidas. Porém, passou por algumas dores de crescimento. Uma das maiores dores são as velocidades de transação. Para que o Ethereum se torne a principal rede para a criação de dapps, precisa permitir que mais transações aconteçam de uma só vez.

Neste momento, processa 15 transações por segundo (ou TPS) enquanto a Visa consegue processar até 24 mil, então tem um longo caminho a percorrer.

Como consequência dos lentos custos de transação, usuários são forçados a pagar altas taxas de gas para forçar o processamento de suas transações.

Para acelerar a velocidade de suas transações e reduzir taxas de gas, desenvolvedores criaram soluções de escalabilidade, como Polygon e Arbitrum, que processam transações fora da blockchain antes de as finalizarem na blockchain principal do Ethereum.

No futuro, além de migrar a rede para o consenso proof of stake, a futura atualização Ethereum 2.0 visa solucionar os problemas da lenta velocidade de transações e das altas taxas de gas.

Outro desafio enfrentado pelo Ethereum são os chamados “Ethereum killers” — outras blockchains de contratos inteligentes que visam melhorar as limitações do Ethereum.

Incluem redes, como Solana, Cardano, Tezos e Polkadot. Todas essas redes estão tentando melhorar a velocidade sem comprometer a segurança. Quem quer que consiga essa façanha primeiro irá desbloquear o futuro descentralizado.

*Traduzido por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.

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