Imagem da matéria: Como o sistema da Arbitrum deixa mais baratas as transações no Ethereum
Foto: Shutterstock

A rede Ethereum tem muito valor: é descentralizada, confiável, fornece suporte a contratos autônomos criados com uma linguagem de programação familiar a muitos desenvolvedores cripto e é lar de uma próspera indústria de Finanças Descentralizadas (ou DeFi, na abreviatura em inglês).

No entanto, Ethereum também é lenta e cara de usar e continuará assim a menos que usuários decidam migrar para outra blockchain (como Solana, Fantom ou Avalanche) ou até atualizações previstas para o Ethereum acelerarem seu processo nos próximos anos.

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Enquanto o mundo espera, um terceiro recurso surgiu: soluções de escalabilidade. São partes de software que estão na camada base de uma blockchain (neste caso, Ethereum) para acelerar as coisas.

Arbitrum é uma dessas soluções de escalabilidade e se tornou uma plataforma popular para que usuários do Ethereum completem suas transações.

Arbitrum é barata e rápida de usar, pois retransmite todas as informações à blockchain principal do Ethereum. Embora o Ethereum gerencie meras 14 transações por segundo (ou TPS), Arbitrum gerencia cerca de 40 mil TPS.

Transações no Ethereum custam diversos dólares para serem processadas enquanto Arbitrum cobra cerca de US$ 0,02.

Arbitrum também é compatível com a Ethereum Virtual Machine (ou EVM), ou seja, desenvolvedores DeFi do Ethereum podem integrar suas aplicações descentralizadas (ou dapps) com a Arbitrum sem terem de realizar modificações.

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Arbitrum foi criada pelo Offchain Labs. A empresa arrecadou US$ 120 milhões em uma rodada de financiamento “series B” (quantia direcionada a uma empresa que atingiu certos objetivos e não é mais considerada como startup) em setembro de 2021.

Como Arbitrum funciona?

A documentação de desenvolvimento da Arbitrum afirma que é a imagem a seguir é a mais importante de entender:

Fluxo de trabalho do Arbitrum.

Em termos gerais, pessoas e contratos autônomos pedem que a blockchain da Arbitrum faça algo ao colocar transações na “caixa de entrada” da blockchain. Em seguida, Arbitrum processa e emite um recibo de transação.

A forma como Arbitrum processa essa transação (que determina seu “chain state”) é decidida pelas transações em sua caixa de entrada.

Agora, o Arbitrum processa transações do Ethereum por meio de um método chamado de “optimistic rollup” e as liquida em uma “sidechain” antes de transmiti-las de volta ao Ethereum. Vamos entender como isso funciona.

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O que é um “optimistic rollup”?

Uma “rollup” é uma espécie de técnica de compressão de dados para transações em blockchain. Envolve o agrupamento de lotes de transações em uma única transação.

Um “optimistic rollup” é uma técnica específica de agrupamento “otimista” de transações. Para acelerar as coisas, “optimistic rollups” pressupõem que as transações contidas no agrupamento são válidas.

É possível contestar transações por meio de um mecanismo de resolução de disputas se um validador suspeitar de um comportamento fraudulento.

É importante mencionar que “optimistic rollups” são distintos de rollups de conhecimento zero (ou ZK-rollups), que burlam um mecanismo de resolução de disputas ao validarem transações antes de serem acrescentadas ao agrupamento.

Os “optimistic rollups” são liquidados em uma “sidechain” própria (uma blockchain secundária que está conectada a uma blockchain principal – neste caso, a Ethereum).

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A Arbitrum coleta lotes de transações, os liquida em sua sidechain e alimenta dados de transação ao registro blockchain do Ethereum.

A Arbitrum afirma que quaisquer transações confirmadas por meio desse processo são carimbadas com a “AnyTrust Guarantee” – quando todos os validadores concordam com a validade das transações contidas em um bloco.

Validadores fazem o staking de ether (ETH) antes de poderem confirmar transações; ao colocarem seu dinheiro em risco, são incentivados a agirem de forma honesta.

Diferente de outras redes de “rollups”, assim como Boba ou Loopring, a Arbitrum não tem um token. O Offchain Labs afirma que a rede não precisa de um token, pois todas as transações na sidechain são liquidadas em ether, o token nativo da blockchain Ethereum.

A Arbitrum integrou diversos protocolos DeFi, como SushiSwap, Curve e Abracadabra. Dados do DeFi Llama mostram que US$ 2 bilhões em criptomoedas estão alocadas em nos contratos autônomos da Arbitrum.

Aproximadamente 30% vem da corretora descentralizada (ou DEX) SushiSwap.

Arbitrum One, a blockchan do projeto, está na fase beta de sua rede principal, permitindo que desenvolvedores da Arbitrum tenham “vários níveis de controle sobre o sistema”, incluindo a capacidade de pausar o sistema”.

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Offchain Labs planeja eliminar esses controles quando tiver certeza de que o projeto é robusto.

Como usar Arbitrum

Você pode usar Arbitrum por meio de uma dapp, como Aave, 1inch ou Gnosis Safe, ou diretamente na “bridge” (ou “ponte”) do token da Arbitrum.

Na bridge do token, você pode depositar fundos à rede Arbitrum após conectar sua carteira de Web 3. Demora cerca de dez minutos para que depósitos sejam processados.

Você precisa pagar uma taxa de gas do Ethereum – às tarifas do Ethereum. Para depositar menos de um centavo de ether à Arbitrum, a carteira MetaMask possui uma taxa de gas de US$ 5,41.

Taxa de gas estimada na bridge da Arbitrum.

Arbitrum irá apresentar um recurso chamado AnyTrust Chains: uma sidechain que sacrifica a necessidade mínima de confiança (ou “trustless”) para taxas reduzidas e uma maior velocidade. No futuro, o Offchain Labs também irá eliminar progressivamente o controle exercido do projeto.

*Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.

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