Closem em mãos de um homem que usa algemas
(Foto: Shutterstock)

Em meio a uma nova onda de demissões na indústria de criptoativos, as maiores moedas digitais seguem marcadas pela baixa volatilidade nesta sexta-feira (6). No cenário macro, o mercado de trabalho também é foco dos investidores, que aguardam o relatório de emprego nos EUA.  

O Bitcoin (BTC) opera em leve baixa de 0,2% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 16.794,72. O Ethereum (ETH) tem queda de 0,3%, negociado a US$ 1.247,69, segundo dados do Coingecko.  

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Em reais, o Bitcoin (BTC) recua 0,96%, para R$ 90.378,74, de acordo com o Índice do Portal do Bitcoin (IPB). 

As altcoins mais negociadas operam entre perdas e ganhos, com destaque para BNB (-0,8%), XRP (-3,5%), Dogecoin (-4,8%), Cardano (+2,5%), Polygon (-3,1%), Polkadot (-0,9%), Shiba Inu (-3,8%), Solana (-0,4%) e Avalanche (-4,2%). 

Bitcoin hoje 

Embora não faltem notícias com potencial para sacudir o mercado cripto, o Bitcoin segue estacionado no patamar visto nas últimas duas semanas de dezembro. Um indicador de volatilidade da maior criptomoeda atingiu o menor nível desde julho de 2020, de acordo com o CoinDesk.  

A calmaria também é observada gigante de derivativos CME, onde as negociações cripto despencaram 49,2% em dezembro de 2022, para US$ 14,2 bilhões, o menor volume desde outubro de 2020, segundo dados da CryptoCompare. 

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Além disso, indicadores on-chain mostram que investidores de Bitcoin de curto prazo têm conseguido pequenos ganhos ao vender a criptomoeda, enquanto “holders” de longo prazo continuam vendendo com prejuízo. 

A menor volatilidade e baixos volumes de negociação no mercado cripto também se refletem na demanda pela stablecoin da Binance. A capitalização de mercado da BUSD atingiu a mínima em 11 meses, caindo para US$ 16,4 bilhões em 3 de janeiro em relação a US$ 22,1 bilhões no início de dezembro, de acordo com dados da CoinGecko. 

Prisão do criador do Mutant Apes

O Departamento de Justiça dos EUA anunciou que prendeu e apresentou acusações criminais contra o fundador de um projeto NFT que, segundo as autoridades, deu um golpe do tipo “rug pull” nos detentores e os fraudou em US$ 2,9 milhões em criptomoeda. As informações são do Decrypt.

Aurelien Michel, 24, fundador da coleção Ethereum NFT Mutant Ape Planet, foi preso na noite de quinta-feira (5) no aeroporto JFK em Nova York por autoridades federais sob acusações de fraude eletrônica. Michel, cidadão francês, reside nos Emirados Árabes Unidos (EAU).

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A ação constitui a terceira vez que os promotores federais processaram os orquestradores dos chamados “rug pulls” de NFTs – esquemas em que os criadores de um projeto NFT vendem os tokens com falsas promessas de benefícios comunitários, utilidade e vantagens financeiras, apenas para abandonar o projeto e fugir com fundos de investidores.

Nesse caso, o DOJ alega que Michel prometeu aos detentores da coleção Mutant Ape Planet brindes, tokens com recursos de staking e coleções de mercadorias, mas não cumpriu nenhum desses compromissos e, em vez disso, embolsou quase US$ 3 milhões.

Para tornar as coisas mais complicadas para Michel, os promotores afirmam ter evidências de que ele admitiu em um bate-papo na mídia social com compradores atuais e potenciais do Mutant Ape Planet NFT que ele realmente criou um “rug pull”, mas apenas – supostamente – em resposta ao conduta da comunidade Mutant Ape Planet.

“Nunca pretendemos ‘dar o golpe’, mas a comunidade se tornou muito tóxica”, Michel teria dito aos proprietários.

“Michel não pode mais culpar a comunidade NFT por seu comportamento criminoso”, disse Thomas Fattorusso, agente especial encarregado do IRS, em comunicado. “Sua prisão significa que ele agora enfrentará as consequências de suas próprias ações.”

Onda de demissões nas criptomoedas  

O longo inverno cripto, marcado pelo colapso do ecossistema Terra e da exchange FTX, continua a encolher o setor. 

A Genesis Global Trading, controlada pelo Digital Currency Group (DCG), fez mais demissões na quinta-feira (5). 

Uma pessoa com conhecimento do assunto disse ao CoinDesk que a plataforma de crédito cripto reduziu cerca de 30% da equipe, que agora soma 145 funcionários. Em agosto, a Genesis já havia demitido 20% da força de trabalho, na época com 260 pessoas. 

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“Enquanto continuamos a enfrentar desafios sem precedentes da indústria, a Genesis tomou a difícil decisão de reduzir nosso número de funcionários globalmente”, disse um porta-voz da Genesis ao Decrypt por e-mail. 

A crise do DCG, que também é dono do portal CoinDesk e da Grayscale Investments, foi agravada pela quebra da FTX em novembro. A turbulência levou a Genesis a suspender saques na unidade de empréstimos cripto, o que também afetou o programa Earn da corretora Gemini. 

Em outra evidência dos obstáculos enfrentados pelo DCG, o conglomerado cripto fechou a subsidiária de gestão de patrimônio HQ Digital, lançada no ano passado. O DCG informou aos clientes que encerrou as operações em 2 de janeiro, segundo memorando visto pelo The Information. 

Uma porta-voz do DCG disse ao The Information que a HQ foi fechada devido ao “estado do cenário econômico mais amplo e o prolongado inverno cripto, que apresentam ventos contrários significativos ao setor”. A HQ tinha mais de US$ 3,5 bilhões sob gestão em dezembro. 

Cortes no Silvergate 

O Silvergate Capital também anunciou demissões na quinta-feira (5). O banco cripto vai cortar 40% da força de trabalho, ou cerca de 200 pessoas, e abandonar alguns projetos, entre eles uma solução de pagamento baseada em blockchain. Após a notícia, as ações do banco caíram 46% em Nova York.  

O Silvergate registrou saques de US$ 8 bilhões em depósitos de ativos digitais no quarto trimestre. Os depósitos de clientes caíram para US$ 3,8 bilhões nos últimos três meses de 2022, comparados a quase US$ 12 bilhões no trimestre anterior. 

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Huobi também demite

Já nesta sexta-feira (6) foi a vez da Huobi, a exchange de criptomoedas com sede em Cingapura. A companhia confirmou que vai cortar cerca de 20% de sua equipe geral, segundo o The Block.

“O índice de demissões planejado é de cerca de 20%, mas não é implementado agora. Com o estado atual do mercado em baixa, uma equipe muito enxuta será mantida daqui para frente”, disse um porta-voz da Huobi. Para ele, os cortes visam “implementar a estratégia da marca, otimizar a estrutura, melhorar a eficiência e retornar ao Top Três do setor”.

Um recente e-mail interno da Huobi afirma que todos os salários da equipe serão pagos na stablecoin USDT, com a equipe obrigada a “registrar uma conta Huobi para receber o salário”. O texto indica ainda que os bônus de final de ano foram cancelados junto com vários outros benefícios, incluindo subsídios de bem-estar.

Processo contra ex-CEO da Celsius 

A procuradoria-geral de Nova York abriu um processo contra ex-diretor-presidente da Celsius Network, Alex Mashinsky, acusado de fraudar investidores que usavam os serviços da sua empresa de empréstimos de criptomoedas. 

Em declaração na quinta-feira (5), a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, alegou que Mashinsky “prometeu levar os investidores à liberdade financeira, mas os levou ao caminho da ruína financeira”. Em junho, a plataforma interrompeu saques, citando “condições extremas de mercado”. Um mês depois, entrou com pedido de recuperação judicial. 

O Three Arrows Capital também está na mira da Justiça. Kyle Davies and Zhu Su, fundadores do fundo de hedge falido, estão foragidos desde o colapso da empresa no ano passado. Por isso, os responsáveis pelo processo de liquidação do fundo intimaram Davies e Su via Twitter

“Continuamos focados em avançar diligentemente no processo de liquidação da Three Arrows Capital Limited, a fim de maximizar a recuperação de ativos em nome dos credores”, disseram em comunicado. 

Riscos da FTX 

Celsius e o fundo Three Arrows eram apenas a ponta do iceberg da crise em desenvolvimento no mercado de criptomoedas, que culminou com a quebra da FTX. Na opinião de especialistas, o estrago poderia ser muito maior. 

No início do ano passado, a FTX US, braço da exchange nos EUA, estava de olho em uma grande fonte de dinheiro: contas individuais de aposentadoria, conhecidas pela sigla IRAs no mercado americano. 

“Negociamos IRAs na FTX atualmente e temos feito um esforço para atender a esse segmento”, escreveu Nate Clancy, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da FTX US, em e-mail enviado em março a um consultor de investimentos de Nova Jersey, cuja cópia foi vista pela Bloomberg News. Americanos tinham mais de US$ 11 trilhões aplicados em IRAs em 2022. 

“Está bastante claro que a FTX dependia de fluxos contínuos de novos capitais entrando na plataforma, assim como muitos outros esquemas financeiros, e o marketing para o varejo era a maneira mais conveniente de atrair esses fluxos”, disse Cory Klippsten, diretor-presidente da startup cripto Swan Bitcoin. “Foi melhor que tenha explodido antes de ficar maior.” 

Marco cripto no governo Lula 

A segregação de ativos de clientes dos recursos das corretoras poderia ter minimizado o impacto da implosão do império de Sam Bankman-Fried, fundador da FTX, agora em prisão domiciliar enquanto aguarda julgamento. 

O tema ficou de fora da Lei de Criptomoedas aprovada no Brasil em novembro, mas será debatido durante a fase regulamentação. Em entrevista à coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, o deputado federal Expedito Netto (PSD-RO), redator do marco cripto, diz que a gestão Lula ainda não tem uma definição sobre as novas regras e vai reiniciar a discussão. 

A retomada do assunto, segundo Netto, que fez parte da equipe de transição, deve ocorrer no âmbito do Banco Central, com “um maior papel da Comissão de Valores Mobiliários”. 

À espera da implementação da lei, investidores cripto no Brasil ainda enfrentam problemas relacionados a golpes e bloqueio de fundos. 

Parte dos clientes da Braiscompany chegou ao ano novo com o bolso vazio devido ao atraso — pelo segundo mês seguido — do pagamento dos rendimentos que a empresa diz obter com a “locação de criptoativos”, esquema acusado de configurar uma pirâmide financeira sob o comando de Tiago Reis, CEO da Suno Research. 

O último pagamento de 2022, programado para acontecer em 30 de dezembro, ainda não havia sido realizado até a quinta-feira (5) para parte dos clientes do grupo, segundo apurado pelo Portal do Bitcoin

Enquanto isso, Claudio Oliveira, o “Rei do Bitcoin”, que lesou milhares de brasileiros por meio da empresa fraudulenta Bitcoin Banco, excluiu sua conta do TikTok na noite de quarta-feira (4) depois de ser exposto por reportagem do Portal do Bitcoin, que revelou sua saída da prisão em 2 de janeiro. 

Outros destaques das criptomoedas 

A Fundação TON, empresa que administra a blockchain criada pelos fundadores do Telegram, lançou ecossistema de armazenamento de dados chamado Ton Storage, segundo comunicado enviado ao CoinDesk. Com o projeto, usuários poderão trocar arquivos de qualquer tamanho, além da oferta de incentivos financeiros para operar o serviço com remuneração por meio da criptomoeda TON. 

O Banco Central anunciou o workshop “A tokenização das finanças: dos criptoativos às moedas digitais”, que será realizado presencialmente em Brasília, em 16 de maio de 2023. Pesquisadores poderão submeter artigos para o evento até 24 de março e confirmar presença até 14 de abril. O workshop será dividido em eixos temáticos: economia e finanças, direito e tecnologia. Os autores interessados em participar do evento devem submeter os artigos em formato PDF para o e-mail [email protected]

Na França, o presidente do banco central, François Villeroy de Galhau, pediu licenciamento obrigatório para empresas de criptoativos, conforme a Bloomberg. Devido à recente volatilidade, Villeroy afirmou que a França não deve esperar que as regras europeias entrem em vigor. Atualmente, o licenciamento é opcional. Cerca de 60 provedores de serviços de ativos digitais, incluindo a Binance, obtiveram o “registro” mais leve da autoridade de mercado francês, a AMF. 

A startup Smart Fans vai investir R$ 2 milhões em tecnologia, de olho nos principais clubes de futebol do mundo, informou o jornal O Globo. A empresa é especializada em criar soluções de monetização para aumentar o engajamento do público no universo virtual, por meio de tecnologias como realidade virtual, realidade aumentada, tokens não fungíveis e metaverso. 

A UpBit, maior corretora de criptomoedas da Coreia do Sulanunciou a listagem de sete fan tokens de clubes de futebol da Europa. Após o anúncio, os ativos chegaram a mostrar valorização de até 60%. De acordo com a equipe da UpBit, os tokens listados já podem ser negociados. São eles: AC Milan Fan Token (ACM);  Arsenal Fan Token (AFC); Atletico De Madrid Fan Token (ATM);  FC Barcelona Fan Token (BAR), Manchester City Fan Token (CITY); Inter Milan Fan Token (INTER); Napoli Fan Token (NAP). 

A Microsoft redobra a aposta no metaverso. Em entrevista ao CoinDesk durante o evento CES 2023, em Las Vegas, o diretor de estratégia da Microsoft, Henry Bzeih, disse que, à medida que o mundo se move em direção a um cenário mais digital, um modelo híbrido deve moldar o futuro das relações entre consumidores e empresas. 

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