Bitcoin e grafico de mercado
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Mesmo com mais demissões no setor de criptomoedas, investigações de reguladores e crise de liquidez com o bloqueio de saques, as moedas digitais acompanham os ganhos dos mercados acionários nesta sexta-feira (13), ainda sob a expectativa de juros menores nos EUA e desaceleração da inflação. 

O Bitcoin (BTC) sobe 4,2% nas últimas 24 horas, para US$ 18.917. Em reais, o BTC avança 2,9%, cotado a R$ 97.358, de acordo com o Índice do Portal do Bitcoin (IPB). 

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O Ethereum (ETH) tem alta de 1%, para US$ 1.411, segundo dados do Coingecko.  

As altcoins também operam com ganhos, entre elas BNB (+1,7%), XRP (+1,9%), Cardano (+4%), Dogecoin (+3,3%), Polygon (+3,9%), Solana (+5,8%), Polkadot (+4,1%), Shiba Inu (+6,1%) e Avalanche (+4,5%). 

Saques bloqueados na Brainscompany 

Cerca de 30 pessoas acamparam na quinta-feira (12) na sede da empresa paraibana Braiscompany, em Campina Grande, em protesto pelos atrasos nos pagamentos por parte da empresa a seus clientes. 

 O Portal do Bitcoin foi até o local e conversou com investidores que afirmaram estar revoltados com a falta de esclarecimento ou garantias por parte da empresa — acusada de pirâmide financeira por Tiago Reis, criador da Suno Research. 

“Tem muita gente me procurando todo dia. Praticamente só fico atendendo o Direct aqui do escritório para clientes da Braiscompany“. 

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frase é da advogada Larissa Gatto, que após ser vítima da GAS Consultoria, pirâmide financeira criada pelo chamado Faraó do Bitcoin, especializou-se em golpes financeiros e agora vê uma legião de seus clientes em desespero com os constantes atrasos nos pagamentos da empresa de Antonio Neto Ais. 

Em entrevista ao Portal do Bitcoin, Gatto afirma que os clientes estão em agonia e que muitos dos que estão se consultando com ela são vítimas de outras pirâmides e que viram na Braiscompany uma forma de salvar a vida financeira. 

Crise do Digital Currency Group 

A SEC, a CVM dos EUA, abriu um processo contra a Genesis Global Capital, plataforma de crédito cripto, e contra a exchange Gemini Trust Company relacionado ao programa de renda passiva Earn, que supostamente teria violado as leis de proteção ao investidor. A SEC entrou com uma ação civil no tribunal federal de Manhattan alegando que a Genesis deveria ter registrado o produto, o que exigiria a divulgação de informações financeiras detalhadas aos clientes.  

As empresas começaram a comercializar o programa para investidores de varejo em fevereiro de 2021 e levantaram bilhões de dólares em criptoativos de centenas de milhares de investidores, disse a SEC. Em novembro, após a quebra da FTX, a Genesis bloqueou resgastes de clientes, o que também afetou usuários do programa Earn mantido em parceria com a Gemini, que teria cerca de US$ 900 milhões bloqueados. Em meio à disputa com a Genesis, a Gemini encerrou o programa Earn nesta semana. 

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A Genesis é controlada pelo conglomerado cripto Digital Currency Group (DCG), que também é dono da Grayscale Investments e do portal de notícias CoinDesk. Segundo o Financial Times, o DCG deve mais de US$ 3 bilhões a credores. Para cobrir o rombo, o grupo estuda vender ativos de seu portfólio de venture capital, avaliado em US$ 500 milhões e que tem participações em mais de 200 projetos cripto, entre eles o explorador de blocos Etherscan e a exchange Coinbase. 

Clientes da FTX 

O órgão fiscalizador do setor financeiro do Japão acredita que a unidade local da FTX possa reembolsar fundos aos clientes a partir de fevereiro. “Estamos em estreita comunicação com a FTX Japan”, disse à Bloomberg Mamoru Yanase, vice-diretor-geral do Departamento de Desenvolvimento e Gerenciamento de Estratégia, que faz parte da Agência de Serviços Financeiros.  

O cronograma para saques em meados de fevereiro anunciado no mês passado pela FTX provavelmente é um produto dessa comunicação, então “esperamos que eles tomem medidas adequadas com base nisso”, afirmou. Um juiz de Delaware, nos EUA, deu sinal verde na quinta-feira para a venda da unidade da FTX no Japão, entre outros ativos, como o braço de derivativos LedgerX. 

A nova gestão da FTX perdeu US$ 72 mil na plataforma de empréstimo de finanças descentralizadas Aave enquanto tentava recuperar fundos para credores. A equipe responsável tentava fechar a posição e transferir o valor para uma carteira da Alameda Research, braço de trading da FTX e, no processo, primeiro removeram a garantia extra usada para a posição, colocando-a em risco de liquidação.

A plataforma de dados cripto Arkham observou em relatório compartilhado com o The Block que, ao longo de nove dias, a posição foi liquidada duas vezes em um total de 4,05 aWBTC (Wrapped Bitcoin), um token usado na Aave que é garantido por BTC. 

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Mesmo com seu antigo império em ruínas, Sam Bankman-Fried, fundador da FTXprometeu recorrer a quase todos os seus bens pessoais para ajudar clientes que perderam dinheiro. Em seu primeiro e longo post de sua nova newsletter na plataforma Substack, SBF voltou a declarar inocência: “Não roubei fundos e certamente não guardei bilhões. A Alameda perdeu dinheiro devido a uma quebra do mercado para a qual não estava adequadamente protegida”, disse. 

Bankman-Fried também aproveitou para alfinetar seu antigo rival, o diretor-presidente da Binance, Changpeng ‘CZ’ Zhao, culpando-o pela quebra da Alameda. “Um ‘crash’ extremo, rápido e direcionado precipitado pelo CEO da Binance tornou a Alameda insolvente”, escreveu SBF, acrescentando que a crise da Alameda atingiu a FTX “e outros lugares”. 

Mais demissões 

A Crypto.com vai cortar cerca de 20% de sua força de trabalho global, segundo comunicado no blog da plataforma. O CEO da empresa de pagamentos e carteira cripto de Singapura, Kris Marszalek, disse que a decisão foi tomada para o foco em “gestão financeira prudente” e “posicionar a empresa para o sucesso a longo prazo”. 

A notícia vem na esteira de demissões também na Blockchain.com. A plataforma de criptomoedas vai despedir 28% do quadro de funcionários, o que equivale a 110 pessoas. “Para equilibrar melhor as ofertas de produtos com a demanda, tomamos a difícil decisão de reduzir os custos operacionais e o número de funcionários para redimensionar a empresa.” Nesta semana, a exchange cripto americana Coinbase anunciou o corte de quase mil pessoas. 

Outros destaques das criptomoedas 

A corretora Bitso anunciou a negociação da stablecoin Euro Coin (EUROC), que acompanha as variações do euro, informou o Valor. A criptomoeda é desenvolvida pela Circle, a mesma empresa que emite a USD Coin (USDC), que é a segunda maior stablecoin do mundo em valor de mercado – perdendo apenas para o Tether (USDT) – e a quinta maior cripto do mundo. 

A brasileira Hashdex ficou entre as três maiores gestoras de fundos de índice (ETFs) no segmento de ativos digitais, de acordo com o Valor. Com aportes da ordem de US$ 170,97 milhões em 2022, a Hashdex saiu na frente de empresas tradicionais de ETFs e investimentos passivos, como VanEck e Fidelity que captaram, respectivamente, US$ 115,17 milhões e US$ 37,5 milhões, com base em dados da Bloomberg. 

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E a Samsung Asset Management sinalizou que poderia lançar um fundo de índice de Bitcoin à vista em Hong Kong se a cidade permitir a negociação de tais produtos, segundo a Bloomberg. Nesta sexta, a empresa coloca no mercado de futuros o ETF Samsung Bitcoin Futures Active e está monitorando a iniciativa da cidade para se tornar um hub cripto para um possível produto que invista diretamente em moedas digitais. 

Duas das maiores exchanges do Canadá, Coinsquare e WonderFi, estão em negociações avançadas para uma fusão, informou a Bloomberg, que cita pessoas a par dos planos. Se o acordo for concluído, a empresa resultante se tornará a maior corretora de criptomoedas do Canadá, com cerca de 1,15 milhão de usuários.  

Um anúncio pode ser feito nos próximos dias, embora não haja certeza de que o acordo será fechado. Os termos não são conhecidos, mas uma possibilidade seria que acionistas da Coinsquare assumissem uma participação majoritária na nova empresa. 

A plataforma de pagamentos cripto Wyre garantiu uma nova fonte de financiamento, o que lhe permitiu suspender o limite de até 90% para saques de clientes anunciado recentemente. “Estamos entusiasmados em compartilhar que hoje recebemos financiamento de um parceiro estratégico que nos permite continuar nosso curso normal de operações”, tuitou a Wyre, acrescentando que vai “retomar a aceitação de depósitos e suspender o limite de retirada de 90% com efeito imediato”. A empresa não informou como obteve o financiamento. 

Após ser alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro na Bulgária, a plataforma de crédito cripto Nexo enfrenta uma onda de saques. A Nexo é investigada por supostos casos de lavagem de dinheiro, delitos fiscais, fraudes de computadores e até uma possível conexão com Ruja Ignatova, a foragida Rainha das Criptomoedas búlgara. 

Deputados republicanos vão criar um subcomitê com foco em criptoativos nos EUA, medida que coloca a supervisão e a legislação da indústria no topo da agenda do partido em meio à crise no setor, conforme o portal Politico. Na União Europeia, autoridades estão preocupadas com as novas regras que entrarão em vigor e questionam se a nova legislação de fato é adequada para proteger investidores, de acordo com o Financial Times. Enquanto isso, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) destacou três abordagens para regular o setor em novo relatório. 

Empresas de crédito cripto receberam de volta tantas plataformas de mineração de Bitcoin de empresas endividadas que decidiram ligar as máquinas e minerar tokens como uma nova opção de negócio. Essas empresas “(…) estão inundadas com plataformas de mineração”, disse à Bloomberg Wolfie Zhao, chefe de pesquisa da TheMinerMag. Uma maneira de as plataformas de crédito cripto “evitarem mais perdas com empréstimos inadimplentes é manter as máquinas de garantias funcionando e gerar alguma receita.” 

O maior uso de criptomoedas por entidades sancionadas ajudou a elevar o volume total de atividades ilícitas no segmento para um recorde de US$ 20,1 bilhões no ano passado, de acordo com a plataforma de dados Chainalysis. Essas entidades representaram 44% das transações ilícitas relacionadas a cripto no ano passado, segundo uma prévia do “Crypto Crime Report” antecipada pelo Wall Street Journal e cuja versão completa será publicada pela Chainalysis em fevereiro. 

Bill Gates segue pouco convencido da importância da Web3, das criptomoedas e do metaverso, dizendo que essas tecnologias não são “revolucionárias”. Respondendo a uma pergunta de um usuário do Reddit sobre qual tecnologia atual tem o potencial que a internet tinha em 2000, o magnata disse: “A Inteligência Artificial (IA) é a principal. Não acho que a Web3 seja tão grande ou que o metaverso por si só sejam revolucionários, mas a IA é bastante revolucionária.” 

Apesar do ceticismo de Gates, o mercado de Web3 dá sinais de recuperação. As vendas de tokens não fungíveis subiram 13% em dezembro frente a novembro, para US$ 549,5 milhões, após registrarem queda por oito meses, mostram dados do The Block. 

E em uma nova aposta nesse segmento, uma coleção lançada no OpenSea, a Win Trump Prizes, permite a usuários comprar recompensas relacionadas ao ex-presidente dos EUA Donald Trump. Com a compra de NFTs, usuários podem fazer uma videoconferência via Zoom com Trump por 200 ETH (US$ 277 mil), conseguir um jantar de gala por 50 ETH (US$ 69 mil) ou uma reunião com Trump por 21,45 ETH (US$ 30 mil), entre outros prêmios. 

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