Justiça bloqueia carro de luxo de empresa da esposa e filho de advogado que criou 3xBit

Mercedes avaliada em quase R$ 700 mil foi bloqueada de outra empresa

Justiça determinou despejo de corretora de bitcoin 3xBit por falta de pagamento
Antiga sede da exchange de criptomoedas 3xBit, em Campinas (SP) (Foto: Divulgação)


A Justiça do Paraná determinou o bloqueio de bens de empresas que seriam usadas pelos donos da 3xBit e da plataforma G2 para ocultar patrimônio. Foram encontrados nessas empresas dois carros de luxo — uma Mercedes avaliada em quase R$ 700 mil e um Jaguar de mais de R$ 200 mil — entre outros bens bloqueados. 

A medida foi tomada em favor de clientes lesados pelo esquema de falso leasing de Bitcoin da 3xBit, que envolvia a plataforma G2 Consultoria. Numa das ações, Marcelo Belinato, responsável pela empresa, entrou com recurso para evitar que o bloqueio de suas contas, no valor de R$ 126.866,62, fosse efetivado.

O Portal do Bitcoin conversou com Marluz Lacerda Dalledone, advogado dos autores das ações que levaram ao bloqueio dos bens. Ele afirmou ainda ter “aproximadamente dez ações judiciais” contra o grupo que envolve a 3xBit, G2 Consultoria, DPS Participações Ltda e Octavio de Paula Santos.

O advogado disse que o Jaguar modelo F-Pace R-Sport de 340 cavalos, ano 2016, foi encontrado em nome da empresa DPS, a qual seria seria “uma sigla que vem de De Paula Santos”. De acordo com Dalledone, a  DPS era uma empresa utilizada por Octavio, responsável pela 3XBit, para “ocultação de patrimônio dele e da família”.

Em pesquisa feita no site da Receita Federal, estão como sócios desta empresa Ana Maria Tarricone de Paula Santos; Felipe Augusto de Paula Santos e Gustavo de Paula Santos, o qual seria administrador da DPS. Segundo o advogado, eles são a esposa e os filhos de Octavio. 

Veículos de luxo arrestados

O veículo, porém, não está mais no poder dessa empresa e teria sofrido avarias num acidente automobilístico. Um Jaguar semelhante a esse custa R$ 248.655, de acordo com a tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Mas na negociação entre a empresa da esposa de Octavio de Paula e a MM Cash Money LTDA, o veículo foi adquirido pelo valor de R$ 150 mil ainda em outubro de 2019.



Ao analisar o embargo de terceiro da MM Cash Money, em um dos tantos processos envolvendo a 3xBit, a Justiça levantou a desconfiança da empresa fazer parte do grupo. Essa desconfiança, porém, foi além de o preço da venda do Jaguar.

“Note-se que a empresa 3xBit é parceira da Urpay, cuja sócia-administradora é a embargante a apontar, pelo menos com indícios fortes, de que o grupo econômico vai muito além daqueles indicados na ação principal”.

Sobre as avarias no Jaguar, a empresa mencionou em juízo que, apesar de o seguro ter sido acionado, o pagamento teria sido vedado em razão do arresto judicial. Ainda assim, o seria algo pequeno perto do que se descobriu.

“Tem uma Mercedes que vale cerca de R$ 700 mil que conseguimos encontrar”, disse o advogado. Esse veículo não foi encontrado em nome da DPS, mas em nome da GP Tour — uma empresa que, segundo Delladone, pertenceria à noiva de Jonathan Diego Ricci, Kely Francis Plakitca da Silva. 

Diego Ricci era um dos sócios da G2 Consultoria Investimentos. Ele atuava junto com Marcelo Belinato como intermediário na negociação do falso leasing da 3xBit. 

Escondendo patrimônio

O veículo em questão no nome da GP Tour Agência de Viagens e Turismo Ltda, é uma Mercedes Benz, modelo AMG CLS 53, sob o qual consta a restrição de circulação desse bem. Na tabela Fipe, um veículo semelhante a esse (zero km) está avaliado em cerca de R$ 695 mil. Entre os outros bens encontrados estão uma moto Ducatti, sob o nome desta empresa, e um Ford Fiesta no nome da DPS.

“A gente fez mapeamento e pegou essas empresas, inclusive de parentes deles, em que eles ocultavam patrimônios. Pegamos veículos e pedimos os bloqueios das contas dos réus”, afirmou.

O advogado afirmou que a G2 era uma plataforma onde era gerida a conta corrente das pessoas que tinham a suposta aplicação. Ele mencionou que se trata de um grupo grande que envolve também outras empresas.

Empresa fechou as portas

Após um crise que se arrastava pelo menos desde setembro de 2019, a 3xBit deu seus últimos suspiros nos primeiros meses de 2020. A empresa vinha bloqueando saques de clientes e também fez cortes em sua folha de pagamentos. Também teve o despejo de sua sede, em Campinas (SP), determinado pela Justiça.

O epitáfio da 3xBit veio na Quarta-Feira de Cinzas, no último dia 26 de fevereiro, quando seu site saiu de vez do ar. O motivo, segundo o CEO da empresa, Saint Clair de Izidoro, foi “por falta de pagamento ao provedor”.

A questão da 3xBt, no entanto, era mais profunda. Dentro da exchange funcionava um esquema piramidal de leasing de Bitcoin tocado por Saint Clair, que provocou prejuízo em centenas de pessoas.


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