Homem preso com as mãos algemadas nas costas
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O juiz Edgardo Ramos, do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, condenou a 10 anos de prisão o ex-advogado da pirâmide financeira Onecoin, o americano Mark Scott, por lavagem de aproximadamente US$ 400 milhões. O anúncio foi feito pelo procurador Damian Williams na quinta-feira (25) no site do Departamento de Justiça dos EUA.

O esquema de criptomoeda falsa promovido pela búlgara Ruja Ignatova, que ficou conhecida como a “Rainha das Criptomoedas” e atualmente é procurada pelo FBI, é considerado uma das maiores fraudes financeiras do mundo. Quanto a Scott, ele usou sua licença legal como meio de participar de um esquema massivo de lavagem de dinheiro para uma criptomoeda que não teve valor desde o seu início, disse o procurador.

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“A sentença de hoje seguiu-se à condenação de Scott em todas as acusações no julgamento de 21 de novembro de 2019”, disse Williams, se referindo a uma sessão à época no Tribunal em Manhattan, onde foi considerado culpado de conspiração para cometer lavagem de dinheiro e fraude bancária.

Scott também foi condenado a perder todos os seus rendimentos ilegais, aleḿ de ter que pagar uma multa de US$ 392.940.000, ressalta o procurador, acrescentando que o sentenciado recebeu US$ 50 milhões pelos seus serviços de lavagem de dinheiro.

“Ele usou esse dinheiro para comprar, entre outras coisas, uma coleção de relógios de luxo no valor de centenas de milhares de dólares, uma Ferrari e vários Porsches, um iate Sunseeker de 57 pés e três casas multimilionárias à beira-mar em Cape Cod, Massachusetts”, disse Williams.

Ex-diretora da OneCoin assume culpa por fraude

Em novembro do ano passado, Irina Dilkinska, ex-diretora jurídica e de conformidade da famosa pirâmide financeira com criptomoedas OneCoin, se declarou culpada de acusações de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema multibilionário criado por Ignatova.

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Na ocasião, Dilkinska admitiu no tribunal federal de Manhattan ter ajudado a lavar US$ 110 milhões em lucros ilícitos gerados pela rede global de marketing multinível da OneCoin. Apesar de sua função de supervisora jurídica e de conformidade, Dilkinska ajudou na execução das operações cotidianas e não garantiu que a empresa seguisse a lei.

Dilkinska foi acusada em março de 2023 e extraditada da Bulgária para os EUA. Ela poderá pegar até cinco anos de prisão por cada acusação quando for condenada em fevereiro de 2024.

A fraude da OneCoin

A ex-diretora é a mais recente acusada levada à justiça no caso OneCoin em andamento, embora a líder Ruja Ignatova continue foragida depois de desaparecer em 2017. Ignatova foi adicionada à lista dos dez mais procurados do FBI em junho passado.

A OneCoin foi fundada em 2014 por Ignatova e Karl Sebastian Greenwood, que venderam a criptomoeda fraudulenta como uma moeda digital revolucionária que ultrapassaria o Bitcoin.

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Ignatova, conhecida como “Rainha das Criptomoedas”, e Greenwood lançaram a OneCoin em Sofia, Bulgária, e utilizaram uma estrutura global de marketing multinível para promover e vender pacotes vinculados à criptomoeda falsa.

No Brasil, o esquema da OneCoin foi propagado pelo venezuelano Aldo Toledo, que voltou a captar clientes no Brasil no ano passado através do esquema cripto da Versobot.

O paradeiro da Rainha das Criptomoedas

No início do ano passado, autoridades búlgaras afirmaram que a fundadora da OneCoin, Ignatova, foi assassinada em 2018. Esse relatório se baseou em documentos em posse de um policial búlgaro que havia sido assassinado recentemente, de acordo com uma agência de notícias local.

No mesmo período, o nome de Ignatova também ficou em evidência por outro motivo: uma suposta aparição ligada a uma propriedade de Londres, em um documento apresentado ao governo britânico.

O arquivo lista Ignatova como beneficiária efetiva da Abbots House Penthouse Limited, uma empresa com sede na ilha britânica de Guernsey, que comprou uma cobertura multimilionária no subúrbio londrino de Kensington.

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Como funcionava a pirâmide

A OneCoin teve um rápido crescimento por meio de sua estrutura de comissões em forma de pirâmide, que recompensava os membros por recrutarem outros para comprar pacotes de criptomoedas.

Somente do final de 2014 ao final de 2016, a OneCoin gerou mais de US$ 4 bilhões em receita de vendas de aproximadamente 3 milhões de pessoas que investiram em todo o mundo.

No entanto, não havia nenhuma blockchain ou criptomoeda real por trás da OneCoin: e ela operava apenas para fraudar bilhões de dólares dos investidores. Ignatova desapareceu em 2017 após a apresentação de acusações, e Greenwood foi preso em 2018.

O próprio Greenwood se declarou culpado de acusações de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro em dezembro de 2022. Em setembro, ele foi condenado a cumprir 20 anos de prisão por seu envolvimento com a OneCoin, de acordo com o DOJ.

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