Imagem da matéria: Unick Forex planejou fazer shows do Metallica e AC/DC no Brasil para lavar dinheiro
Foto: Shuttestock

Os tentáculos, o poder e o dinheiro da Unick Forex atingiram até o mercado de shows internacionais — nem que fosse para lavar dinheiro. Os diálogos capturados pela Polícia Federal mostram uma conversa na qual o diretor de tecnologia Israel Nogueira tenta convencer Leidimar Lopes a lavar dinheiro com shows do Metallica e do AC/DC.

De acordo com a conversa registrada em 23 de maio de 2019, os sócios da Unick Forex planejaram lavar dinheiro promovendo shows de rock, segundo investigação da PF e Ministério Público ao qual o Portal do Bitcoin teve acesso.

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A tática de lavagem de dinheiro inclusive já foi aplicada no Brasil, pela falida Telexfree. Em 2014, os sócios Carlos Wanzeler e Carlos Costa supostamente bancaram um show de Paul McCartney. O valor do cachê do ex-Beatle na época teria sido de R$ 8 milhões.

No caso da Unick, o “investimento seria de R$ 3,5 milhões e o retorno poderia chegar a R$ 120 milhões, sendo R$ 60 milhões de bilheteria e R$ 60 milhões de bar”.

O texto diz que ideia dos shows partiu do próprio Israel, que é sócio da empresa Feats Comunicação Criativa Ltda. e vinculado à Boom Invest S/A, além de ser um dos fundadores da Unick ao lado de Leidimar.

Unick, Metallica e AC/DC

De acordo com a descrição da conversa, depois de tratar sobre uma  força-tarefa da Unick em dar lastro à moeda da empresa, Israel entra no assunto do shows.

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Segundo ele, dias antes ele teria falado com os “os meninos dos eventos” e queria passar a ideia para Leidimar, que retrucou, mas aceitou falar do assunto.

Veja os diálogos.

ISRAEL: Outra coisa, segunda situação que é o lance dos meninos lá dos eventos, eu conversei com eles onte-ontem, eu queria ter te passado ontem.

LEIDIMAR: Bah cara isso é um pé no saco esse tipo de negócio aí

ISRAEL: Só pra voce ter uma ideia, com o primeiro investimento, a gente com uns 3 meses, mais ou menos, já consegue colocar no teu bolso uns 60 milhão, pra ficar na tua mão como garantia, eu queria ter um tempo pra te explicar, mas é foda né cara.

LEIDIMAR: Mas me explica homem.

Israel então resume o plano. Ele diz para Leidimar que um show desses, anunciado com seis a sete meses de antecedência, no segundo mês os ingressos se esgotam.

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“Você vai puxar um ACDC, show do Metallica, cara, segundo mês já não tem mais ingresso pra vender”, explica, acrescentando que o evento pode resultar em R$ 60 milhões, com investimento de R$ 3,5 milhões.

A conversa continua…

LEIDIMAR: Tá, mas quanto vai ser gasto desses 60 milhão? 

ISRAEL: Em torno de 3 meses, mais ou menos.

LEIDIMAR: Quanto vai ser gasto? Quanto que vai ser gasto?

ISRAEL: Com esse primeiro investimento de 3 milhões e meio. Se com 3 milhões e meio a gente da entrada no aluguel do lugar, que é o estádio no caso, ou o lugar onde vai ser feito o evento, é dado o sinal pra banda, o sinal que no caso nem vai pra mão deles, fica numa conta bancária conjunta, esse sinal só pode ser debitado pra eles, eles só podem retirar

depois do contrato assinado. Paga o seguro que é caso a banda tenha diarreia, não possa vir, ou eles cancelam o contrato, eles estão fodido, o contrato é muito bem batido, pra a gente não ter prejuízo.

LEIDIMAR: Se botar 3, se botar 4 e tirar 15, 20, já tá no lucro, já tá valendo

Unick queria dar lastro a moeda

A conversa, contudo, foi pautada numa força-tarefa dos líderes da Unick em dar lastro à moeda. Entre os envolvidos na tarefa, além de Leidimar e Israel, estava uma pessoa identicada com Hugo e outra chamada apenas de  ‘advogado das criptomoedas’.

Para tratar do assunto, Israel disse que Leidimar precisava falar com Hugo, ao que o chefão da Unick repudia — provavelmente por algum problema antigo entre os dois.

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“Daí eu te arranco o pescoço fora, já te falei que eu nunca vou sentar com o HUGO”, disse Leidimar.

— Israel então diz que não sabe como fazer para dar andamento, visto que o Hugo estava à frente das possibilidades.

Para resolver o impasse, Leidimar diz que vai indicar um advogado para acompanhar Israel no lugar dele, que a pessoa estaria em Portugal, mas logo voltaria ao Brasil.

Veja a conversa.

LEIDIMAR: Não precisa, tu vai descobrir tudo, eu posso colocar um advogado junto contigo, mas agora, cara, tu não

seja louco de falar meu nome pra ele, já te falei, já te falei isso.

ISRAEL: Não, ele sabe que tem alguém, mas não sabe que é você, ele jogou um verde há um tempo atrás, mas eu neguei até a morte.

LEIDIMAR: Eu sei disso, tu me falou.

ISRAEL: Mas é, eles já queriam marcar pra semana que vem o avião pra poder vir pra cá poder conversar, porque agora o advogado precisa sentar pra ver a documentação e viajar na outra semana pra Suiça, se não me engano.

LEIDIMAR: Tá.

ISRAEL: Daí eu preciso de advogado que vai saber de todo o trâmite, de como é essas ações, como funciona o lastro, como é que tá, em nome de quem que tá, como é que funciona, tudo pra poder conversar por você aqui.

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LEIDIMAR: Tá, mas isso eu to vendo aqui se existe a possibilidade, se eu vou conseguir fazer esse lastro ou não.

ISRAEL: Então, esse lastro se você disponibilizar e ter como você disponibilizar isso, ele falou que existe várias maneiras de fazer isso. Então tá bem tranquilo segundo o HUGO.

LEIDIMAR: Tá, beleza, só que deixa eu te dizer, semana que vem acho que não consigo, a pessoa que vou botar…escuta, escuta, oh viado?

ISRAEL: Ficou baixa a tua voz.

LEIDIMAR: Esse teu telefone de bosta aí. Tá ouvindo?

ISRAEL: To ouvindo, mas parece…

LEIDIMAR: A pessoa que vou botar a conversar com vocês a ajudar nessa parte aí ela não tá no Brasil, ela tá em Portugal cuidando de uns negócios pra nós e não sei se até semana que vem ela tá de volta.

ISRAEL: Entendi


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