Imagem da matéria: Manhã Cripto: após cair para US$ 25 mil, Bitcoin (BTC) sobe aos US$ 28 mil;  Ethereum (ETH) cai 21%, Cardano (ADA) 32%, Solana (SOL) 36% e Doge (DOGE) 30%
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A onda vendedora no mercado de criptomoedas intensificada pela crise nos tokens da blockchain Terra leva o Bitcoin (BTC) ao menor nível desde 2020 nesta quinta-feira (12). A maior criptomoeda perde 12,7% nas últimas 24 horas, cotada a US$ 27.870, segundo dados do CoinGecko. Mais cedo, o BTC chegou a valer US$ 25.400. 

No Brasil, o Bitcoin tem queda de 11,8% e agora vale R$ 143.335, segundo o Índice do Portal do Bitcoin (IPB).  

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O Ethereum (ETH) mergulha 21,4%, negociado a US$ 1.905. Traders de futuros de ETH perderam US$ 333 milhões em liquidações, o maior volume entre todas as criptos. No caso de futuros de Bitcoin, as perdas somam US$ 330 milhões, enquanto LUNA mostra liquidações de US$ 130 milhões, segundo o CoinDesk

Outras altcoins registram forte queda nesta quinta-feira como Binance Coin (-19%), XRP (-27,5%), Cardano (-32,9%), Solana (-36,6%), Dogecoin (30,8%), Polkadot (-28,2%), Avalanche (-31,3%) e Shiba Inu (-34,3%), segundo dados do CoinGecko.    

O nervosismo de investidores de criptoativos também marcou as negociações nas bolsas dos Estados Unidos, onde a inflação se desacelerou em abril, mas se mantém no maior nível em quatro décadas. O índice Nasdaq Composite caiu 3,2% na quarta-feira. 

Terremoto na Terra 

A turbulência causada pela perda de paridade com o dólar da stablecoin algorítmica TerraUSD (UST) culminou também no colapso do token LUNA, ambos gerados no ecossistema Terra. 

Nas últimas 24 horas, a UST é cotada a US$ 0,56, com alta de 30%, mostram dados do CoinGecko. LUNA, que atingiu a máxima de US$ 119 em 5 de abril, agora é negociada a US$ 0,07, com baixa de 98%. 

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Outras stablecoins algorítmicas, que usam uma complexa combinação de códigos e incentivos para manter o valor de US$ 1, também estão sob pressão, como os tokens Dai e Fei, da rede MakerDAO, e Neutrino USD, segundo dados do CoinMarketCap. 

As duas maiores stablecoins, que dizem estar lastreadas por ativos como dólares, buscam sustentar a paridade. Tether chegou a cair abaixo de US$ 1 na sessão da Ásia e opera com estabilidade nas últimas 24 horas, enquanto a USD Coin sobe 1,7%.  

Em busca de culpados 

Em comunicado à Bloomberg, a Tether fez questão de se diferenciar de outras stablecoins. “Não acreditamos que a situação da UST signifique algo para o mercado centralizado de stablecoins. São tipos de ativos totalmente diferentes.” 

Respondendo a rumores nas redes sociais, Citadel Securities e BlackRock negaram envolvimento no colapso da TerraUSD, dizendo em comunicado que “não negociam stablecoins”, incluindo a UST. A BlackRock participou recentemente de uma rodada de financiamento da Circle Internet Financial, que opera a USD Coin. 

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Documento visto pelo CoinDesk revela que a Comissão Europeia estuda barreiras para impedir que as stablecoins sejam usadas em larga escala no lugar de moedas fiduciárias. O documento ainda não representa uma posição formal da Comissão. 

‘Esquema Ponzi’ 

Há um mês, quando o token LUNA valia US$ 88, o YouTuber brasileiro Caio Garé publicou um vídeo que se revelou profético. “Terra Luna é um grande esquema Ponzi e pode colapsar”, disse Garé, que demonstrou como os preços da UST e LUNA dependiam de novos aportes feitos no protocolo Anchor para se sustentarem. 

André Franco, head de research do Mercado Bitcoin, disse ao Money Times que, para voltar a ter a confiança dos investidores, o protocolo Anchor e a Terra precisam se reformular e apresentar uma solução para os problemas enfrentados. 

Mais pobres 

A onda vendedora no mercado de criptomoedas não poupa ninguém. O fundador da Coinbase Global, Brian Armstrong, tinha uma fortuna de US$ 13,7 bilhões em novembro e cerca de US$ 8 bilhões no fim de março. Agora, o patrimônio do executivo está avaliado em US$ 2,2 bilhões, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg. Já a fortuna de Michael Novogratz, CEO da Galaxy Digital, encolheu de US$ 8,5 bilhões no início de novembro para US$ 2,5 bilhões. 

Outros destaques 

O Nubank vai começar a vender Bitcoin e Ethereum em parceria com a startup de blockchain Paxos Trust. Os clientes poderão comprar as criptomoedas a partir de R$ 1. Segundo comunicado, a oferta começa a ser disponibilizada no mês de maio de forma gradual aos clientes do banco no Brasil, até chegar à totalidade da base até o fim de junho de 2022. O Nubank informou que vai alocar aproximadamente 1% do seu caixa em bitcoins, segundo o Valor

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Em meio à turbulência, dois fundos de índice de Bitcoin estreiam na Austrália nesta quinta-feira, destaca a Bitcoin Magazine. O ETF 21 Shares Bitcoin oferecerá acesso direto a bitcoins garantidos por BTC no chamado armazenamento a frio, ou carteiras offline. O ETF Cosmos Purpose Bitcoin Access permitirá que investidores invistam em ações do ETF de bitcoin à vista da Purpose Investment na América do Norte. 

Mara, uma corretora de criptomoedas pan-africana, foi lançada na quarta-feira (11), juntamente com um aporte de US$ 23 milhões feito por empresas como Coinbase Ventures, Alameda Research (FTX ) e Distributed Global. A exchange também fechou um acordo para se tornar a parceira oficial de criptomoedas da República Centro-Africana, que no mês passado se tornou o segundo país a adotar o Bitcoin como moeda de curso legal. 

Regulação, Cibersegurança e CBDCs 

O Reino Unido tem a chance de recuperar o tempo perdido para desenvolver a indústria cripto depois dos obstáculos enfrentados com o Brexit, disseram executivos do setor em entrevistas à Bloomberg. “Há uma oportunidade real, pela primeira vez após o Brexit, para que cripto tenha uma legislação que possibilite todas suas principais ambições”, disse Blair Halliday, diretor-gerente da exchange de criptomoedas Gemini no Reino Unido. 

E com o maior escrutínio de reguladores nos EUA, empresas cripto estão de olho em jurisdições menos burocráticas como as Bermudas para expandir seus negócios e testar novos produtos. 

O Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (FASB) dos EUA decidiu por unanimidade na quarta-feira iniciar um projeto para revisar a contabilidade de ativos digitais negociados em bolsa e commodities, segundo tuíte do CEO da MicroStrategy, Michael Saylor, cuja empresa possui mais de 129 mil bitcoins no balanço. O site da FASB ainda não foi atualizado com a suposta medida. 

Um estudo da Nickel Digital Asset Management publicado pelo Valor Investe mostrou que 72% dos gestores de patrimônio, fundos de pensão e outros investidores institucionais esperam que o ambiente regulatório para criptomoedas passe por melhorias e se torne mais construtivo nos próximos dois anos. 

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A Binance nomeou na quarta-feira Joshua Eaton, ex-procurador-adjunto dos EUA no Distrito Norte da Califórnia, como vice-diretor jurídico da maior exchange de criptomoedas do mundo, de acordo com a Reuters

Ruja Ignatova, a fundadora da OneCoin apelidada de “Rainha das Criptomoedas” que desapareceu depois de supostamente ter roubado US$ 5 bilhões de investidores em 2017, foi incluída na quarta-feira (11) na lista dos nomes mais procurados da Europa. 

Metaverso, Games e NFTs 

O criador da World Wide Web, o cientista da computação britânico Tim Berners-Lee, disse em entrevista à Bloomberg que a realidade virtual e tecnologias baseadas no metaverso devem formar parte de como as pessoas interagem com sua invenção no futuro, mas é contra o controle de dados pessoais por gigantes de tecnologia. 

O mercado imobiliário virtual movimentou US$ 501 milhões em 2021, segundo dados da MetaMetric Solutions publicados pelo E-Investidor. De acordo com o ritmo de negociações nos primeiros meses de 2022, a expectativa é a de que o volume alcance quase US$ 1 bilhão.

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