Imagem da matéria: Investimento Bitcoin não paga clientes há dois meses e denúncias disparam no Reclame Aqui
Programa do Datena vem anunciando a empresa suspeita (Foto: Reprodução/Band)

A Investimento Bitcoin, tão anunciada em programas populares da Rede Record, SBT e Band como algo seguro para se investir em Bitcoins, não tem pagado os seus clientes há pelo menos dois meses, conforme aponta site Reclame Aqui.

Nas últimas 24 horas foram feitas 28 reclamações contra a empresa e todas relacionadas à falta de pagamento. Apenas em setembro foram recebidas 128 denúncias no Reclame Aqui — nenhuma foi respondida pela Investimento Bitcoin.

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Esses números foram levantados após uma pesquisa feita pela reportagem no site de reclamações. Entre março e agosto 72 denúncias foram computadas, sendo que dessas reclamações apenas 21 foram respondidas pela empresa, mas não há registro algum de problema resolvido.

Dentre essas denúncias feitas, no site, pelos clientes frustrados estão além de reclamação por falta de pagamento do valor aplicado, saques atrasados e problemas no login.

A companhia vinha prometendo 300 dias úteis rendimentos que poderiam chegar a até 600% sobre o valor total investido — algo inviável no mercado.

Como estratégia para ganhar clientes, foi anunciada por apresentadores famosos como Rodrigo Faro (Record TV), José Luiz Datena (Band), entre outros, que por meio de seus programas divulgaram a empreitada.

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Frágil Investimento Bitcoin

Além desse problema, a empresa passou no último dia 19, uma reformulação em seu contrato social. Conforme consta na Junta Comercial do Estado de São Paulo, a empresa mudou sua denominação de limitada para unipessoal limitada após a saída dos sócios Eduardo Diego Fiurst Duvoizen e de Thayana Fernandes Cortenove.

A empresa, que tanto atraiu investidores com suas promessas de 1% à 2% de retorno a cada dia útil do mês e recentemente anunciou bônus que poderiam chegar a até 500% de lucro, possui capital social de R$ 1 mil. Ela é comandada por Wendel Cardoso Cortenove, de acordo com o contrato social da própria Investimento Bitcoin.

Apesar de haver anúncios afirmando se tratar de um empreendimento novo, seguro em Bitcoin e atuante em mais de 30 países, a realidade era que a Investimento Bitcoin não passava de uma empresa que funcionava no endereço da casa da mãe de Cortenove.

A empresa não passava de nova roupagem de um estabelecimento chamado W&T Intermediações de Negócios e Participações Ltda, a qual havia sido fundada em agosto de 2016, por Cortenove e os outros dois sócios que até então faziam parte da Investimento Bitcoin.

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Problemas com reguladores

A promessa de alta rentabilidade e a oferta pública de investimentos chamou a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que passou a investigar a empresa.

Sob o ponto de vista do órgão a Investimento Bitcoin estaria atuando em esquema de pirâmide financeira.

Além da CVM, a empresa ainda teve problemas com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que iniciou uma investigação sobre as propagandas que foram reprovadas pelo órgão.

Devendo explicações na Câmara

A audiência pública para tratar sobre indícios de pirâmide financeira em operações da empresa Investimento Bitcoin bem como da Atlas Quantum, requerida pelo deputado federal Áureo Ribeiro foi aprovada pela Comissão Especial da Câmara.

De acordo com o deputado, as duas empresas apresentam problemas distintos. Ele expõe em seu requerimento que a Investimento Bitcoin foi proibida pela CVM por suspeita de pirâmide financeira.

“A Comissão de Valores Mobiliários encontrou, a partir de investigação preliminar aberta em abril de 2019, “indícios de fraude na captação de recursos de terceiros, com características típicas de pirâmide financeira” nas operações da empresa Investimento Bitcoin”.

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Já a Atlas Quantum fez oferta pública dos chamados contrato de investimento coletivo sem a autorização da autarquia.

A audiência pública ainda não tem data definida, mas os representantes dessas empresas terão de dividir a mesa com integrantes do Ministério Público Federal, Polícia Federal, Receita Federal e da CVM.

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