Imagem da matéria: História da GAS Consultoria não é só Faraó: autor de livro destaca papel fundamental de Mirelis
Glaidson Acácio dos Santos e Mirelis Zerpa (Foto: Reprodução/Instagram)

A história de Glaidson Acácio dos Santos , Mirelis Yoseline Dias Zerpa e a GAS Consultoria estava fadada a virar um livro reportagem. A obra finalmente chegou: “Queda Livre — a história de Glaidson e Mirelis, faraós dos bitcoins”, escrita pelos jornalistas Chico Otávio e Isabela Palmeira, estreou no mercado editorial em maio. “Não merecia um livro?”, pergunta o autor em entrevista ao Portal do Bitcoin, após uma longa conversa sobre as ações cinematográficas envolvendo a pirâmide financeira. 

A ideia do livro, que saiu pela editora Intrínseca, consolidou-se após Otávio publicar algumas reportagens sobre o caso GAS Consultoria no jornal O Globo e ver que os textos atraíam uma audiência avassaladora. Isso somado ao fato de que a história era contada de forma episódica, pois os fatos eram quase diários e ainda não havia tido tempo para uma reflexão.

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“Fui vendo que era necessário amarrar essa história, que saía meio picotada no noticiário. Por mais que tivesse um espaço generoso no site do jornal, nunca era suficiente para amarrar e contextualizar a história”, afirma. 

Um ponto que Otávio logo de cara busca deixar claro é que a história tem dois protagonistas. “O título do livro não é ‘O Faraó dos Bitcoins’. É ‘Queda Livre, a história de Glaidson e Mirelis’, porque ela teve um papel muito importante. Sem ela essa história não teria acontecido”.

O autor ressalta que a parceria era clara: ela dominava a técnica de operação cripto, ele dominava o discurso religioso. “Foi um casamento perfeito. Ele virou um garoto-propaganda do negócio que a Mirelis operava. Foi uma dupla de sucesso.”

Uma boa parte dos esforços do livro é para situar o leitor no contexto onde a GAS floresceu: na comunidade neopentecostal da cidade de Cabo Frio, no Rio de Janeiro. 

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“A teoria da prosperidade exerce um papel fundamental em toda essa história”, diz o jornalista. Ele se refere a uma tese forte entre segmentos evangélicos de que seria o desejo de Deus que os fiéis enriqueçam e acumulem bens. 

“Chegou o momento que não havia mais condições de alguém ficar fora disso. Ou você estava dentro, ou você estava excluído de um sistema que era o motor central da economia de Cabo Frio”, aponta.

O sucesso do empreendimento foi tão avassalador que Glaidson e Mirelis começaram a incomodar a Igreja Universal do Reino de Deus, onde ambos trabalharam antes de começarem a pirâmide financeira.  

“Os fiéis começam a ver a situação e pensar: ‘Mas eu acho que esse cara aqui me dá mais prosperidade’. E começa a ter uma evasão de pastores e, consequentemente, de recursos. Se não tem pastor para pedir dízimo, a receita desaba”, analisa Chico Otávio. 

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Em uma série de vídeos que fez nos Estados Unidos quando estava foragida da Justiça brasileira, Mirelis acusou a Igreja Universal de estar orquestrando as operações contra a GAS. 

O livro, inclusive, cita reportagem do Portal do Bitcoin que registrou um relato no qual Mirelis afirma que os pastores da Igreja na Venezuela disseram para ela não se casar com Glaidson pelo fato de ele ser negro. 

Chico Otávio é um dos jornalistas que mais publicou reportagens sobre o caso Marielle, tendo sido autor da mais recente publicação sobre o caso na edição de abril da revista piauí.

Ele lembra que Guilhermo de Paula Machado Catramby, delegado da Polícia Federal que, aparentemente, resolveu a questão sobre quem mandou matar a vereadora Marielle Franco, é o mesmo que antes atuou na investigação da GAS Consultoria. E não se trata de coincidência.

“O que deu ao delegado legitimidade para assumir o caso Marielle foi o sucesso dele no caso do Faraó”, crava Chico Otávio. 

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O fato ajuda a lembrar a dimensão e magnitude que a história de Glaidson e Mirelis teve e tem: uma estimativa feita pelo escritório de advocacia apontado pela Justiça para fazer a recuperação judicial estima que são 127 mil clientes e o prejuízo é de R$ 9,9 bilhões. 

Mirelis Zerpa foi presa nos Estados Unidos, em janeiro deste ano. De acordo com informações do jornal O Globo, a prisão de Zerpa foi resultado de uma cooperação internacional entre a Polícia Federal do Brasil, o U.S Immigrations and Customs Enforcement (ICE) e o Serviço Secreto norte-americano. A detenção ocorreu porque Zerpa morava ilegalmente nos EUA.

Glaidson Acácio dos Santos está preso no Brasil desde agosto de 2021. Além das acusações de crime financeiro, responde também por homicídio e tentativa de homicídio.

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