Imagem da matéria: Fantástico mostra como operava o "Sheik das criptomoedas", que roubou R$ 1,2 milhão da Sasha
Sheik das criptomoedas em festa à fantasia (Foto: Reprodução)

A edição de domingo (16) do Fantástico exibiu uma reportagem mostrando como operava o esquema de pirâmide financeira de Francisley Valdevino da Silva, conhecido como “Sheik das criptomoedas“.

Segundo as autoridades entrevistadas pelo programa da TV Globo, a Rental Coins, empresa do acusado, era uma pirâmide clássica: não havia nenhum investimento, apenas dinheiro de novos clientes pagando os antigos.

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“Não existe qualquer registro de que os valores ingressavam e eram realizadas operações de trading, de investimento em criptomoedas. O que reforça indícios que confirmam a prática dessa fraude, de que ele não investia o dinheiro das vítimas”, disse o delegado da Polícia Federal, Filipe Hille Pace.

No dia 6 de outubro, a Polícia Federal cumpriu mais de 20 mandados de busca e apreensão em locais referentes ao caso. Um deles foi uma mansão de luxo no litoral de Santa Catarina, utilizada por Francisley. Na casa foram apreendidos relógios, joias, carros de luxo, barras de ouro e dinheiro em espécie.

O “Sheik” deu entrevista para o Fantástico e culpou os próprios funcionários da empresa pelo bloqueio dos saques. “Tivemos vários problemas sistêmicos, tivemos uma auditoria interna, onde essa auditoria encontrou muitas fraudes dentro do sistema. Já temos comprovado isso e vamos apresentar em juízo. São fraudes internas de pessoas que trabalhavam conosco”, afirmou.

Questionado se tem recursos para pagar os clientes lesados, Francisley disse que sim. A suspeita é que cerca de 15 mil pessoas tenham sido afetadas pela pirâmide financeira que começou a ruir em outubro do ano passado.

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As investigações apontam que a organização criminosa de Francisley movimentou cerca de R$ 4 bilhões pelo sistema bancário oficial do Brasil, um valor que não leva em consideração as movimentações com criptomoedas.

Reportagem do Portal do Bitcoin rastreou os endereços de bitcoin pertencentes a Rental Coins e mostrou que o grupo enviou pelo menos R$ 4 milhões em bitcoin para corretoras após ter bloqueado os saques dos clientes.

Golpe aplicado pela Rental Coins

Francisley é acusado de iludir milhares de vítimas que acreditavam nos serviços prometidos através de suas empresas, os quais consistiam no aluguel de criptoativos com pagamento de remunerações mensais que poderiam alcançar até 20% do capital investido.

Alegando vasta experiência no mercado de tecnologia e criptoativos, enganava os clientes informando possuir grande equipe de traders que realizariam operações de investimento com as criptomoedas alugadas e, assim, gerariam lucro para suportar o pagamento dos rendimentos.

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O “Sheik” e os outros membros da organização são acusados de praticar crimes contra a economia popular e o sistema financeiro nacional, de estelionato, de lavagem transnacional de dinheiro e de formação de organização criminosa.

Quem é o Sheik das Criptomoedas

O empresário Francisley Valdevino da Silva, dono da Rental Coins, foi sócio do pastor Silas Malafaia em uma outra empresa, voltada para o público cristão.

Francisley é mais conhecido como Francis Silva e ficou famoso após Sasha Meneghel, filha da apresentadora Xuxa, ter entrado na Justiça acusando a Rental Coins de ser uma pirâmide financeira e ter lhe causado prejuízo de R$ 1,2 milhão.

Em março deste ano, o Ministério Público do Paraná divulgou que estava investigando a Rental Coins por conta das reiteradas queixas de clientes por saques travados e bloqueio de dinheiro. A companhia prometia alugar criptomoedas dos investidores em troca de um retorno de até 5% ao mês, e devolver os tokens após um ano de contrato.

Crimes nos EUA e no Brasil

Em janeiro de 2022, autoridades dos Estados Unidos informaram a Polícia Federal que uma empresa internacional com atuação nos EUA, bem como seu principal gerenciador, um brasileiro residente em Curitiba, estavam sendo investigados em Nova York, por envolvimento em conspiração multimilionária de lavagem de capitais a partir de um esquema de pirâmide de investimentos em criptoativos.

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Foi então que a Polícia Federal começou a investigar o suspeito, Francisley da Silva, e descobriu que ele possuía mais de cem empresas abertas no Brasil.

Diante das informações e do pedido de cooperação policial internacional, iniciou-se investigação em Curitiba por conta das suspeitas da ocorrência de crimes conexos às fraudes praticados nos EUA pelo brasileiro.

Ao longo da investigação, a PF afirmou que ficou evidenciado que o investigado criou uma organização criminosa, inclusive com muitos membros de sua família que também eram funcionários de suas empresas, para se apropriar dos valores investidos, tanto em reais como em criptomoedas, pelas vítimas da fraude.

Simultaneamente, constatou-se que a mesma organização criminosa, com parceiros no exterior, desenvolvia fraude semelhante, porém focada em marketing multinível, nos Estados Unidos e em ao menos outros dez países.

Criação de “criptomoeda própria”

Outra estratégia identificada era a suposta criação, pelos criminosos, de criptomoedas próprias, as quais também eram comercializadas através das empresas e garantiriam pagamento de retornos mensais extravagantes. Segundo a PF, rapidamente se constatou que os criptoativos não possuíam lastros e não tinham liquidez no mercado, sendo usadas unicamente para continuidade das fraudes.

Enquanto parte dos recursos dos clientes era usado para pagamentos das remunerações mensais, o restante era usado pelo investigado e pela organização criminosa para aquisição de imóveis de alto valor, carros de luxo, embarcações, reformas, roupas de grife, joias, viagens e diversos outros gastos.

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Após captar recursos das vítimas, a organização criminosa passou a atrasar saques e logo deixou de pagar as remunerações mensais prometidas aos clientes. Dentre as justificativas dadas, a empresa alegava problemas de ordem administrativa, financeira e técnica. Enquanto nenhuma solução concreta foi apresentada, a organização criminosa continuou a usufruir do patrimônio adquirido com os recursos das vítimas.

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