Ex- diretor de corretora de bitcoin que prejudicou clientes agora promove IQ Option

Wellington Vicente era diretor da Criptohub, que emitiu um ICO e deixou um prejuízo de mais de R$ 20 milhões

Multa de R$ 400 mil e consultorias: quem é o trader proibido de atuar no mercado brasileiro
Foto: Shutterstock


O ex-diretor operacional da Criptohub, Wellington Vicente, que angariou clientes para a ICO (Initial Coin Offering) de uma criptomoeda que nunca existiu e deixou um prejuízo de mais de R$ 20 milhões, voltou ao mercado com promessas de alta lucratividade com seus robôs na IQ Option, que serão lançados no dia 5 de maio.

Vicente, que se auto-intitula “Rei do Trader”, tem veiculado diversos vídeos no YouTube afirmando que tem conseguido lucrar bastante na IQ Option por meio de negociações em forex e opções binárias. Num desses vídeos, ele menciona que levantou R$ 45 mil em apenas oito dias.

O objetivo final de Vicente não é de captar clientes para a empresa, que está proibida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de atuar no mercado, mas sim de promover a venda de seu produto. 

Vicente afirma que por R$ 40 a pessoa adquire um robô, o qual copia as operações feitas por esse trader — e na promessa de que não haveria risco de angariar clientes para si. O fato, porém, é que indiretamente o “Rei do Trader” acaba atraindo pessoas também para a IQ Option.

O trader mostrou no vídeo uma tela do site Uprofiter para que as pessoas façam seu pré-cadastros para futuramente adquirir o suposto “Bot”. Enquanto mostrou o site pelo qual a pessoa terá acesso a um “grupo Vip” de WhatsApp, ele prometeu que cada uma dessas pessoas terá o mesmo resultado que ele.

Da Criptohub a IQ Option

Segundo o ex-diretor de operação da Criptohub, a ideia não é de espalhar para muita gente, pois seriam apenas 200 vagas. No entanto, isso soa contraditório, uma vez que o meio escolhido de divulgação foi justamente o YouTube. Só esse vídeo teve até a tarde de terça-feira (28) 6.460 visualizações.

Ao falar do lançamento do seu Bot, o “Rei do Trader” disse que irá “abalar literalmente a IQ Option”. Apesar de Vicente anunciar o seu produto revolucionário como único no mercado, outros traders já vinham anunciando outros elementos do gênero, chamados “Copy Traders”. 



Outra contradição, porém, é que mesmo tendo mencionado que o Bot será ainda lançado, Vicente afirmou que já usa com alguns clientes o software. 

Num outro vídeo, Wellington Vicente chegou até mesmo apelar para o desconto do “Bot”. Ele afirmou que a pessoa estaria adquirindo por R$ 40 por mês um produto que custaria R$ 407 mensais, como se fosse oportunidade única. Isso, porém, era oferecido por meio de grupos de Whats App.

IQ Option proibida

A empresa IQ Option pela qual Wellington Vicente opera, está proibida pela CVM de operar com Forex, Contracts For Difference (CFD) e opções binárias no Brasil.

A IQ Option afirmou que a autarquia apenas proibiu a propaganda, mas a realidade foi outra. A CVM deixou claro na sua decisão que os derivativos negociados eram aqueles tratados no inciso VIII, do art. 2º da Lei 6.385/76, ou seja, espécies de valor mobiliário.

Para negociar esses derivativos, a empresa deveria ter dispensa ou registro na CVM. Para isso era necessário o pedido de autorização à autarquia. o que não foi feito e terminou na proibição de sua atuação no mercado.

Vicente, contudo, vem sustentando que irá “botar para quebrar no mercado” e anunciando um produto para operar, justamente, numa empresa que está sob a mira do órgão regulador.

Vendendo ilusões

Isso, porém, não é por falta de experiência. Essa não é a primeira vez que Vicente atua no mercado. Antes de ser o “Rei do Trader”, foi diretor de operações da Criptohub, uma empresa que pertencia a Ramon Vailatti e que arrecadou milhões na pré-venda de tokens que nunca foram lançados.

Um dos clientes que foi lesado pela Criptohub entrou em contato com o Portal do Bitcoin e afirmou ter perdido R$ 80 mil nessa empreitada.

De acordo com essa pessoa, que teve sua identidade preservada, as tratativas foram feitas com Wellington Vicente e Ramon Vailatti. o Cliente contou que inicialmente conversou com Vailatti, o qual o recomendou falar com Vicente.

“Quando a gente tratava de compra o Wellington sempre ligava”, disse.

Grande parte das conversas foi feita pelo Telegram, segundo esse cliente, mas ele disse que guardou comprovante de cada transferência feita para o negócio.

Uma ICO de nada

A Criptohub com sua equipe, dentre os quais o “Rei do Trader”, conseguiu vender quase 30 milhões de tokens para o projeto de um Initial Coins Offering (ICO) em agosto de 2018.

Cada token foi ofertado, portanto, naquela época por 0,0005 ETH. A cotação do Ethereum variava de R$ 1.500 a R$ 2.845. Esses valores foram analisados entre os períodos de 10 de abril (data que iniciaram a venda dos tokens) e 06 de agosto (quando se contabilizou os quase 30 milhões de tokens vendidos).

Numa média aritmética, então, é possível que tenham arrecadado entre R$ 22,5 milhões e R$ 32 milhões, a depender do período que mais ocorreram as vendas.

Após o lançamento da moeda, como é comum nesses casos, o valor desabou e nunca mais se recuperou, apesar das constantes promessas dos criadores.

No comunicado de encerramento, porém, a empresa não se manifestou sobre os tokens CHBR adquiridos pelos clientes durante o ICO. O Criptohub Coin (CHBR), um ERC20, entretanto, nunca foi listado em nenhuma exchange relevante. O valor atual do token é zero, de acordo com o Ether Scan.


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