CVM proíbe IQ Option de operar no Brasil e estipula multa diária

Empresa opera criptomoedas, forex, ações e CFDs no formato de opções binárias

CVM proíbe IQ Option de operar no Brasil e estipula multa diária
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*Correção: A proibição da CVM foi por oferta de contrato derivativo e não por Contrato de Investimento Coletivo. O texto já foi corrigido.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ordenou que a empresa IQ Option Ltd pare de captar clientes no Brasil para investimentos em Forex sob pena de multa diária no valor de R$ 1 mil. A decisão da agência reguladora foi publicada nessa quinta-feira (23) no Diário Oficial da União.

De acordo com a decisão da Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI), a IQ Option Ltd vinha atuando irregularmente no mercado. A empresa tem ofertado sem a autorização da CVM contrato derivativo, uma espécie de valor mobiliário.

A IQ Option captava investidores brasileiros para a realização de operações no denominado mercado Forex (Foreign Exchange), em Contracts For Difference (CFD) e em opções binárias. Essa captação vem sucedendo por meio de páginas na internet, inclusive a www.iqoption.com.

A questão, porém, é que os CFDs e as opções binárias são operações cujo resultado deriva do resultado dos ativos em que se baseiam, nesse caso na troca de pares de moedas estrangeiras: o Forex.

“As características acima referidas amoldam-se à definição de contrato derivativo e, por conseguinte, ao conceito legal de valor mobiliário, conforme disposto no inciso VIII do art. 2º da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976”, afirmou a autarquia.

Stop Order da CVM

A proibição da empresa atuar no mercado brasileiro, então, se deu pelo fato de ela “não integrar o sistema de distribuição previsto no art. 15 da Lei nº 6.385/76”, conforme consta na emissão de Stop Order da CVM.



De acordo com esse dispositivo, somente fazem parte desse sistema as instituições financeiras e demais sociedades que tenham por objeto distribuir ou emissão de valores mobiliários. Quem faz esse controle, portanto, é a própria autarquia.

Caso a empresa não obedeça a determinação da CVM, terá de arcar com a multa cominatória diária, no valor de R$ 1 mil. A autarquia não determinou teto para o total de multa. Desta forma, ela pode chegar a valores estratosféricos a depender de quanto tempo a empresa demore para interromper sua oferta irregular de contrato derivativo.  

Punição além da multa

A multa, porém, pode ser apenas uma parte da punição. A CVM, portanto, ainda mencionou para o risco de a empresa sofrer outras penalidades previstas na lei 6.385/76.

“Além disso, sem prejuízo de responsabilidades pelas infrações já cometidas antes da publicação deste Ato, poderá haver imposição das penalidades cabíveis, nos termos do art. 11 da Lei 6.385/76, após o regular processo administrativo sancionador.”

De acordo com esse dispositivo, a IQ Option pode terminar proibida por até 20 anos de praticar determinadas atividades ou operações que dependam de autorização ou registro na CVM. Isso, porém, irá depender do final de um possível Processo Administrativo Sancionador contra a empresa.

CVM e o alerta aos investidores

A CVM esclareceu no alerta aos investidores que o mercado de Foreign Exchange (Forex) é um tipo de contrato derivativo que envolve negociações com pares de moedas estrangeiras.

“Essas operações amoldam-se à definição de contrato derivativo e, consequentemente, ao conceito legal de valor mobiliário”.

De acordo com a lei, contrato derivativo, independente dos ativos envolvidos, é uma espécie de valor mobiliário e somente pode ser transacionado sob o crivo da CVM.

O órgão em novembro de 2018 chegou a alertar os investidores para o risco de expor dados pessoais em empresas que oferecem investimento em Forex. Segundo a autarquia, o risco, portanto, vai além da possível perda de valores aportados nesse tipo de negócio.

“Os investidores que decidem investir nesse mercado ficam expostos não só aos riscos relacionados à estratégia de investimento, mas também à insegurança decorrente de fornecer dados pessoais a entidades de idoneidade incerta”, mencionou o órgão.