Maretlo judicial com a bandeira do Brasil
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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) confirmou nesta quarta-feira (18) uma decisão que havia rejeitado uma oferta de acordo feita pela BlueBenx, empresa brasileira de investimentos em criptomoedas que parou de pagar os clientes em agosto do ano passado, após desaparecer com R$ 160 milhões.

A proposta feita pela empresa previa o pagamento de R$ 150 mil pela empresa e mais R$ 50 mil pelo controlador Roberto de Jesus Cardassi. Em janeiro de 2022, antes da BlueBenx colapsar, um comitê da CVM já havia rejeitado inicialmente esse acordo, proposto pela empresa para encerrar o processo na autarquia que investiga a oferta irregular de investimentos em bitcoin pela BlueBenx.

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Já nesta quarta, o Colegiado da Comissão confirmou a decisão de manter esse impedimento jurídico. De acordo com comunicado da autarquia, a decisão veio porque ela “concluiu existir impedimento jurídico para a celebração do acordo, tendo em vista o não cumprimento do requisito legal referente à cessação das irregularidades”.

Já no início de dezembro do ano passado, a CVM também havia determinado a suspensão da oferta pública de contratos de investimentos coletivos pela Blubenx.

O Portal do Bitcoin entrou em contato com a BlueBenx para ouvir a empresa sobre a decisão mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

A ruína da BlueBenx

Clientes da BlueBenx foram surpreendidos no dia 11 de agosto de 2022 ao descobrirem que não poderiam mais tirar o dinheiro depositado na plataforma que prometia entregar altos rendimentos investindo em criptomoedas.

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A BlueBenx bloqueou os saques dos clientes alegando ter sido vítima de um ataque hacker “extremamente agressivo”, mas depois mudou a narrativa alegando ter sido vítima de um golpe de falsa listagem.  

O advogado da companhia, Assuramaya Kuthumi, afirmou na época que a empresa havia perdido R$ 160 milhões no incidente. Evidências on-chain, no entanto, localizaram uma perda de apenas R$ 1,1 milhão em tokens que a BlueBenx supostamente perdeu ao cair em um esquema de falsa listagem, transferidos posteriormente para a corretora Binance, segundo apuração do Portal do Bitcoin.

Para tentar recuperar o dinheiro “perdido” de forma misteriosa pela empresa, as vítimas começaram a recorrer à Justiça.

Tribunal de Justiça de São Paulo viu indícios de fraude na BlueBenx e chegou a acatar pedidos de bloqueio de bens e valores dos líderes da empresa, mas as contas já haviam sido esvaziadas.

Arresto de bens da liderança da BlueBenx

Já em setembro, a 43ª Vara Cível de São Paulo acatou um pedido de arresto de imóveis de Roberto de Jesus Cardassi e William Batista. De acordo com o Diário de Justiça, o juiz responsável pelo caso emitiu o bloqueio de imóveis em nome dos réus após as buscas por ativos financeiros em posse da dupla terem sido mal sucedidas.

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Vale lembrar que, em um processo aberto por outro cliente, a Justiça encontrou R$ 1,4 milhão em carros de luxo dos executivos, incluindo Porsche, Mercedes Benz e BMW, mas suas contas bancárias já haviam sido esvaziadas.

Agora foi a vez de ir em busca das propriedades. No total, foram localizados sete imóveis da dupla, que sofreram o arresto. Roberto Cardassi, CEO da BlueBenx, é proprietário de quatro imóveis em cidades diferentes, incluindo São Paulo, São José do Rio Preto (SP), Taquaritinga (SP) e Boituva (SP). 

Já em nome de William Batista, vice-presidente de operações  da BlueBenx e braço direito de Cardassi, foram encontrados três imóveis, sendo dois deles na capital paulista e um em Taquaritinga.

Como o processo tramita em segredo de Justiça, não é possível saber as características de tais imóveis, nem estimar seus valores.

Na sua decisão, o juiz determinou o envio de ofício aos cartórios onde as propriedades dos executivos estão registradas, para o cumprimento da medida urgente.

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