Imagem da matéria: Braiscompany publica documento com lista de motivos para atrasos nos pagamentos
Antonio Neto Ais e esposa na frente do prédio da Braiscompany (foto: Reprodução/Instagram)

A Braiscompany, a empresa da Paraíba que está atrasando pagamentos de milhares de clientes, divulgou uma nota oficial na terça-feira (17) listando uma série de motivos que estariam motivando os problemas.

No texto, a empresa admite problemas no desenvolvimento de seu aplicativo, que supostamente seria usado como uma ferramenta para retomar os pagamentos. Além disso, ela volta a colocar a culpa dos atrasos em dificuldades que estariam sendo criadas pela corretora Binance no saque e na movimentação de criptomoedas.

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Leia também: Braiscompany: o caso da empresa da Paraíba que está deixando milhares de investidores em pânico

No começo da nota, assinada pelo CEO Antonio Neto Ais, o desenvolvimento do aplicativo da empresa volta a ser citado como motivo para os atrasos. De acordo com a Braiscompany, o app seria usado para “agilizar pagamentos” e “toda comunicação da empresa com locadores”.

Mas então, Apple e Google, dona do sistema Android, teriam entrado no caminho da companhia de Campina Grande (PB).

“Tudo pronto e testado, enviamos as empresas Apple Store (IOS) e Playstore (Android), com toda documentação e Termos de Uso do aplicativo. Contudo, partir daí se iniciaram os primeiros problemas, tendo em vista que os sistemas operacionais IOS e Android não entendiam que a Braiscompany não era uma exchange, mas sim uma locadora de criptoativos, motivo pelo qual perdemos muito tempo com as explicações”, afirma a nota.

Conversas com a Binance

Depois disso, o comunicado da Braiscompany volta sua atenção para a Binance. Desde que realizou uma live com o advogado Artêmio Picanço no dia 9 de janeiro, Neto Ais vem dizendo que o grande problema da empresa seriam bloqueios que a maior corretora de criptomoedas do mundo estaria fazendo contra sua firma.

“A Binance começou a travar nossas operações de saques, limitando nossa capacidade de pagamento praticamente a 10% do que necessitaríamos a cada dez dias”, afirma a nota. Neto Ais diz que a situação persiste e que, após conseguir por um tempo um limite maior, a Binance teria retornando “ao status de sem limites para saques e retorna aos mesmos pedidos anteriormente solicitados e esclarecidos”.

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O comunicado também traz imagens de supostas conversas que teriam sido feitas entre a Braiscompany e o time de suporte da Binance, para endossar a tese de que a exchange estaria dificultando os saques de criptomoedas. O Portal do Bitcoin não conseguiu confirmar a autenticidade dessas conversas.

O CEO da Braiscompany diz que já tomou providências, que não poderiam ser reveladas por medida de segurança. Ele garante que a situação é “sistêmica e temporária, de modo que a qualquer momento retornaremos ao normal”.

Neto Ais cita ainda que o mercado cripto passou uma prova de resistência com a quebra da corretora FTX, mas que o setor está apenas em sua infância e ressalta que irá pagar “impreterivelmente” os clientes.

Perguntada sobre o caso, a Binance enviou à reportagem uma mensagem que não cita a Braiscompany.

Entre outros pontos, o texto diz apenas que “A Binance, maior provedora global de infraestrutura para ecossistema blockchain e maior corretora de criptomoedas do mundo, reforça seu compromisso com a proteção e a segurança dos usuários, que são prioridade para a empresa”.

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Além disso, afirma que “A Binance atua em total colaboração com as autoridades para coibir que pessoas mal intencionadas utilizem a plataforma”.

Procurada pelo Portal do Bitcoin, a Braiscompany não retornou até a publicação desta reportagem.

Trecho do comunicado divulgado pela Braiscompany na terça-feira (17)

Atraso nos pagamentos da Braiscompany

Braiscompany parecia ser a empresa ideal: os investidores depositavam o dinheiro nas contas e magicamente o milagre da multiplicação acontecia. Até que a empresa com sede em Campina Grande, na Paraíba, parou de pagar para o desespero dos clientes que acreditavam estar contratando um serviço de “locação de criptoativos”.

Criada em 2018 pelo casal Antonio Neto Ais e Fabricia Ais, a Braiscompany começou a atrasar os pagamentos mensais de parte dos seus 10 mil clientes no dia 20 de dezembro, com os atrasados atingindo um número ainda maior de investidores nos repasses que deveriam acontecer nos dias 30 de dezembro e 10 de janeiro.

O coro de clientes indignados com os atrasos cresceu tanto que a Braiscompany desativou os comentários no seu Instagram — isso depois de excluir das postagens quaisquer críticas à empresa.

Isso não impediu que investidores procurassem outros canais para demonstrar insatisfação, como o site Reclame Aqui e grupos de Telegram e WhatsApp.

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CVM entra no caso

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recebeu na quinta-feira (12) uma denúncia formal contra a Braiscompany, empresa que capta dinheiro para supostamente investir em criptomoedas e que está atrasando pagamentos dos clientes desde dezembro.

Na denúncia feita pelo escritório de advocacia Cardenas Torres Advocacia, a CVM é provocada a investigar a Braiscompany, sob o argumento que a empresa faz oferta irregular de valores mobiliários nas ofertas de contrato de investimento coletivo. 

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