Imagem da matéria: Após destruir dinheiro nacional, governo da Venezuela adota criptomoeda como moeda oficial

Nicolás Maduro, o ditador da Venezuela, assegurou que a criptomoeda Petro (PTR) será a moeda oficial da estatal petrolífera PDVSA a partir de 20 de agosto, de acordo com uma publicação da rede de notícias espanhola ABC na última terça-feira (14).

Desta forma, a criptomoeda que foi criada no início do ano para contornar sanções impostas pelos Estados Unidos e que foi validada em abril, passará a ser a ‘unidade de conta’ da estatal — unidade de conta é um dos três atributos de uma moeda fiduciária.

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Portanto, a Petro passa a ser agora, junto com a recente criada moeda bolivariana “Soberana”, o segundo meio de pagamento oficial da Venezuela e também exclusiva para taxas de conversão de moedas internacionais.

“O Banco Central vai começar a publicar os números oficiais sobre o valor do bolívar Soberano de acordo com a Petro e o valor da Petro de acordo com moedas internacionais”, anunciou Maduro em rede televisiva na segunda-feira (13), segundo o ABC.

O bolívar soberano foi criado para substituir o Bolívar tradicional, que sofreu a redução de cinco zeros como medida para combater a hiperinflação que assola a economia venezuelana.

Maduro disse também que seus ministros vão explicar o novo funcionamento nos próximos dias e ressaltou que as novas medidas vão ser um marco oficial real para que as especulações com a moeda venezuelana acabem.

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A Petro não foi bem vista por boa parte do mundo, como os Estados Unidos, por exemplo, que disse que a invenção foi para driblar as sanções impostas ao país devido a violações dos direitos humanos. Os importadores do petróleo venezuelano também estão se recusando a pagar o produto com a criptomoeda.

Recentemente, a Índia se recusou a negociar o petróleo em Petros mesmo com os 30% de desconto oferecido pelos venezuelanos. Os indianos alegaram que esse tipo de negociação ia contra o sistema financeiro atual do país que tem combatido o uso de criptomoedas.

Sem muitas alternativas e com a moeda nacional quase sem valor, Maduro têm expandido o uso dos novos meios de transações financeiras e apostando todas as suas fichas no que ele acredita que vai dar certo. 

História da Petro

A Venezuela foi o primeiro país a criar uma criptomoeda apoiada pelo Estado.

A Petro foi anunciada pela primeira vez no início de dezembro de 2017 por Nicolás Maduro como uma forma de contornar as sanções dos EUA, em meio a uma crise econômica e hiperinflação do Bolívar.

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O país tem a maior reserva de petróleo do mundo, com mais de 300 bilhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Na ocasião, Maduro disse que a criação da criptomoeda era para que o país avançasse em matéria de soberania monetária, realizasse transações financeiras e, assim, vencer o bloqueio americano.

Em meados de fevereiro o presidente já anunciava o sucesso na pré-venda da criptomoeda, que, segundo ele, tinha alcançado US$ 735 milhões.

Logo após o anúncio, surgiram, então, especulações e boatos de que ele estaria blefando. O projeto, porém, visava arrecadar US$ 5 bilhões — o valor de cada token PTR estava fixado em US$ 60, de acordo com o White Paper.

Em abril, a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela (ANC) aprovou um decreto presidencial que permitiu o uso de criptomoedas no país, o que validou a Petro.

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Um mês antes, parte dos legisladores da Assembleia declarava que a criptomoeda era inconstitucional e que poderia ser considerada uma fraude e de grande ameaça a investidores. Maduro no entanto, prosseguiu.

Dias após anunciar o lançamento oficial da Petro, Maduro ordenou que as empresas estatais usassem a criptomoeda para compra e venda de produtos e serviços — elas deviam realizar uma porcentagem de suas vendas e compras em Petro.

Com quase nenhuma opção, os venezuelanos começaram a ver as criptomoedas como uma alternativa para a sobrevivência. O Bitcoin, então, começou a ser adotado, assim como outras criptomoedas.

Em razão da forte desvalorização do Bolívar, um aumento gigantesco nos volumes negociados de Bitcoin na Venezuela sinalizou que a população local estava realmente acreditando em uma saída financeira.

No início deste mês o valor do Bitcoin disparou. Durante a primeira semana, foram necessários 26 bilhões de bolívares para comprar uma unidade de Bitcoin, fazendo com que cada ‘satoshi’ custasse aproximadamente 260 bolívares.

Criptomoedas salvando vidas

No mês passado, um entusiasta de criptomoedas venezuelano conseguiu comprar 102 kg de mantimentos graças a doações recebidas com a criptomoeda NANO.

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Após publicar um tópico na rede social Reddit dizendo que havia adquirido 0.5 NANO (cerca de US$ 1,32), e que essa quantia equivalia a um mês de trabalho na Venezuela, várias usuários se predispuseram a ajudá-lo.

Depois de atualizar as informações da publicação, o usuário Windows7733 disse ter recebido 29.1 NANO da comunidade, o equivalente a US$ 77,7 dólares, suficiente para comprar alimentos, antibióticos e itens de higiene, que pretende dividir com membros da família e vizinhos.

O venezuelano explicou como adquiriu os produtos:

“Eu estou extremamente feliz, porque hoje consegui convencer alguém em quem confio para aceitar NANO (ele já aceitava Bitcoin Cash) em troca de comida. Ele me vendeu 102 kg em alimentos, incluindo farinha de milho, carne, arroz, feijão, açúcar, salsichas e abacates. Ainda estou tentando adquirir leite em pó e óleo de cozinha dessa mesma pessoa”.


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