Imagem da matéria: Alguém pagou mais de R$ 65 mil em Bitcoin por um pão e encontrou uma surpresa dentro
A artista OONA e o pão durante sessão de fotos (Reprodução Twitter)

Festas em iates, top models, carros de luxo: Nos últimos três anos, a conferência anual do Bitcoin se enraizou em Miami, celebrando o excesso dos novos ricos do mercado cripto, enquanto mostrava uma tensão única e particularmente masculina do tribalismo financeirizado.

Embora a última edição da conferência, no mês passado, tenha apresentado multidões notavelmente menores e menos exuberância do que nos anos anteriores, ela também parece ter quebrado novas barreiras para um novo e muito diferente tipo de excesso de arregalar os olhos. Em 19 de maio, a artista conceitual pseudônimo OONA vendeu um pão a um colecionador por 0,5 BTC, ou pouco mais de US$ 13.400 – o equivalente a cerca de R$ 65 mil.

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A venda não foi um truque ou uma piada. O pão era verdadeiro, pão perecível do campo. E ele foi vendido de verdade a um homem, Vladimir Kravets, que de fato pagou milhares de dólares por ele.

https://twitter.com/madebyoona/status/1659657460582326301

Para ser justo, o pão – feito em parceria com o mercado NFT DIBA – era diferente de outras variedades encontradas nas padarias, pois continha dentro de si uma carteira de hardware que armazenava uma quantidade não revelada de BTC. Mas nem o artista, nem Kravets planejam divulgar o valor.

Isso pode ser porque o valor real do “Bit.Bread”, como a peça é intitulada, não tem nada a ver com dinheiro em si. Assim como os trabalhos anteriores da OONA, ela investiga a percepção de valor, principalmente no que diz respeito ao gênero – um assunto frequentemente complicado na indústria cripto dominada por homens.

“O trabalho investiga fundamentalmente as maneiras pelas quais essa tecnologia é mais progressiva do que as pessoas que a usam”, disse OONA ao Decrypt de “Bit.Bread”.

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Desde 2021, OONA cria obras de arte performática em conferências cripto, sempre ostentando óculos e uma máscara que esconde sua identidade. Seu trabalho se concentrou no tratamento e na percepção das mulheres no mundo cripto e nas maneiras pelas quais as criptomoedas – uma tecnologia que a artista acredita que pode libertar e empoderar financeira e politicamente pessoas de todas as origens – emergiu em uma cultura que ela acredita não respeitar adequadamente, ou incluir mulheres.

Na Art Basel Miami em dezembro passado, OONA, com a ajuda da artista performática Lori Baldwin, leiloou um copo de seu próprio leite materno – ordenhado ao vivo na frente de um grande público – antes de ser escoltado pela segurança da conferência. A peça, “Milking the Artist”, recebeu um lance alto de US$ 200.000.

Ambos fazem parte de uma progressão de ativações de arte performática, conforme detalhado em uma recente postagem no blog da OONA, incluindo a tokenização e o leilão da manteiga que ela havia batido. É uma justaposição entre o “permanente” e o “perecível”, como ela descreve.

Essa peça e o “Bit.Bread” abordam símbolos comestíveis da cozinha, em um esforço para questionar o valor atribuído às mulheres em ambientes relacionados a cripto. Esse valor é tipicamente mínimo e muitas vezes reduzido à sexualização e objetificação, segundo a artista.

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Além disso, o grau de sexismo dentro do universo cripto que a OONA encontrou repetidamente, em sua própria percepção, geralmente aumentou com a maré dos preços das criptomoedas e o frenesi especulativo.

“No Avalanche Summit de 2022, me perguntaram qual era meu valor por hora pelo menos cinco vezes, porque as pessoas presumiram que eu era uma prostituta”, contou OONA. “Voltando este ano, a maioria das conversas era sobre minha arte performática.”

O mesmo ocorreu no Bitcoin Miami: no ano passado, durante os últimos dias do mercado altista, OONA disse que teve que lutar repetidamente contra homens que tentavam arrancar sua máscara para revelar seu rosto. Este ano, no marasmo do mercado baixista, tal invasão de sua privacidade artística e física não ocorreu.

Nesse sentido, “Bit.Bread” pode ser interpretada como uma reflexão sobre a relação entre especulação e gênero. Até agora, os excessos especulativos das criptomoedas normalmente encorajaram uma subcultura hipermasculina, personificada pelo estereótipo do “criptomano” (“criptobro”, no inglês).

Mas isso não significa que a especulação seja prejudicial em si, segundo OONA. Pelo contrário, a especulação está no centro da promessa do Bitcoin como uma ferramenta e um sistema de valor que ela acredita que, eventualmente, levantará pessoas de todas as origens.

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“Eu queria conectar a especulação sobre o valor das mulheres com a especulação sobre o Bitcoin”, disse ela, acrescentando que ambas “envolvem um novo conjunto de conhecimentos, uma nova forma de interagir e uma nova forma de perceber a autossoberania”.

*Traduzido pelo Portal do Bitcoin com autorização do Decrypt.

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