Imposto é maior barreira para pequenos negócios, diz pesquisa do Insper com empreendedores
Foto: Shutterstock

*Artigo escrito por Vitalik Buterin e publicado originalmente no site do autor.

Há anos, ouvimos dizer que o futuro é a blockchain, não o bitcoin.

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O futuro do mundo não será de uma grande criptomoeda ou algumas criptomoedas, e sim muitas criptomoedas – e as vencedoras terão uma forte liderança sob um teto central para se adaptarem rapidamente às necessidades de escala de usuários.

O bitcoin é uma moeda dos boomers e o ether vem logo na sequência; serão ativos mais novos e agitados que vão atrair as novas ondas de usuários em massa que não se importam com estranhas ideologias libertárias ou “verificação autossoberana”, que são desmotivados pela toxicidade e mentalidade antigovernamental e só querem blockchain, DeFi e jogos que sejam rápidos e funcionais.

Mas e se essa narrativa estiver completamente errada e as ideias, os hábitos e as práticas do maximalismo do Bitcoin na verdade estiverem praticamente corretas? E se o Bitcoin for bem mais do que uma pedra de estimação antiquada e ligada a um efeito de rede?

E se os maximalistas de Bitcoin entenderam perfeitamente o que estão operando em um mundo muito hostil e incerto, onde existem coisas pelas quais precisamos lutar, e suas ações, personalidades e opiniões sobre o design do protocolo refletirem intensamente esse fato?

E se vivemos em um mundo de criptomoedas honestas (das quais existem pouquíssimas) e moedas enganosas (das quais existem muitas) e uma dose saudável de intolerância fosse realmente necessária para evitar que moedas honestas se transformem em moedas enganosas?

Este artigo é um argumento de defesa.

Vivemos em um mundo perigoso e proteger a liberdade é coisa séria

Felizmente, isso é bem mais óbvio agora do que seis semanas atrás, quando muitas pessoas ainda realmente pensavam que Vladimir Putin era uma figura mal-compreendida e bondosa que estava simplesmente tentando proteger a Rússia e salvar a Civilização Ocidental do “apocalipse gay”.

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Mas é importante repetir: Vivemos em um mundo perigoso, onde existem muitos agentes de má-fé que não dão ouvidos à compaixão e razão.

Uma blockchain é, em sua essência, uma tecnologia para a segurança – uma tecnologia que, basicamente, tem tudo a ver com proteger pessoas e ajudá-las a sobreviver em um mundo tão hostil.

É como a luz do Frasco de Galadriel: “Que haja uma luz para você em lugares escuros quando todas as outras luzes se apagarem”. Não é uma luz de baixo custo ou uma luz fluorescente, hippie e energeticamente eficiente ou uma luz de alto desempenho.

É uma luz que sacrifica todas essas dimensões para otimizar apenas uma coisa: que haja uma luz que faça o que precisa fazer quando você enfrentar o desafio mais difícil da sua vida e houver uma maldita aranha de seis metros de altura te encarando.

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Cena de “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” (Imagem: BlackGate)

Todos os dias, blockchains são usadas por pessoas desbancarizadas e sub-bancarizadas, ativistas, profissionais do sexo, refugiados e muitas outras pessoas que, ou não estão interessadas que instituições financeiras centralizadas que buscam por lucros as atendam, ou que têm inimigos que não querem que essas pessoas sejam atendidas.

Blockchains são usadas como uma corda salva-vidas por muitas pessoas para realizarem pagamentos e armazenar suas poupanças.

Para este fim, blockchains públicas sacrificam muita segurança:

– blockchains exigem que cada transação seja verificada, de forma independente, milhares de vezes antes de ser aceita;

– diferente de sistemas centralizados que confirmam transações em poucas centenas de milissegundos, blockchains exigem que usuários esperem entre dez segundos e dez minutos para obter uma confirmação;

– blockchains exigem que usuários tenham controle total de sua autenticação: se você perder sua chave privada, perde suas moedas;

– blockchains sacrificam a privacidade, exigindo uma tecnologia ainda mais insana e cara para obter essa privacidade de volta.

Para que servem todos esses sacrifícios? Para criar um sistema que possa sobreviver em um mundo hostil e realmente cumprir com a função de ser “uma luz em lugares escuros quando todas as outras luzes se apagarem”.

A excelência nessa tarefa exige dois ingredientes fundamentais: (i) um conjunto robusto e justificável de tecnologia e (ii) uma cultura robusta e justificável.

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A principal propriedade que precisa existir em um conjunto robusto e justificável de tecnologia é um foco na simplicidade e na pura matemática: um bloco com 1 MB de tamanho, um limite de 21 milhões de moedas e um simples mecanismo de consenso proof of work (ou PoW) de Nakamoto que até um aluno do ensino médio é capaz de compreender.

O design do protocolo deve ser fácil para justificar décadas e séculos no futuro; as escolhas tecnológicas e de parâmetro devem ser uma obra de arte.

O segundo ingrediente é a cultura do minimalismo intransigente e inabalável.

Deve ser uma cultura que possa resistir, sem ceder, à sua autodefesa contra agentes corporativos e governamentais que tentam se apropriar do ecossistema pelo lado de fora, bem como agentes maliciosos dentro do setor cripto que tentam se aproveitar do ecossistema por benefício próprio (e existem muitos).

Como realmente é a cultura do Bitcoin e do Ethereum? Vamos perguntar a Kevin Pham:

Acho que a comunidade do Bitcoin e do Ethereum não poderiam ser mais diferentes.

(Imagem: Twitter)

Não acha que isso representa bem? Vamos perguntar a Kevin Pham de novo:

A comunidade do Bitcoin e do Ethereum não poderiam ser mais diferentes – parte 2.

(Imagem: Twitter)

Você pode dizer: “A galera do Ethereum está apenas se divertindo e, afinal de contas, entendem o que precisam fazer e com o que estão lidando”. Mas será que é isso mesmo? Vamos ver com quem esse Vitalik Buterin, o fundador da Ethereum, anda por aí:

Vitalik anda com os CEOs da elite tecnológica em Pequim, na China.
Vitalik se encontra com Vladimir Putin, na Rússia.
Vitalik se encontra com Nir Bakrat, prefeito de Jerusalém.
Vitalik cumprimenta Mauricio Macri, ex-presidente da Argentina.
Vitalik dá um oizinho a Eric Schmidt, ex-CEO da Google e atual conselheiro do Departamento de Defesa dos EUA.
Vitalik faz uma de suas muitas reuniões com Audrey Tang, ministra digital de Taiwan.

E essa foi uma seleção pequena. A pergunta imediata que qualquer um que vir essas fotos deve fazer é: qual é o sentido de se encontrar publicamente com todas essas pessoas?

Algumas dessas pessoas são empreendedores e políticos muito decentes, mas outras estão bastante envolvidas em sérios abusos contra direitos humanos que Vitalik certamente não apoia.

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Vitalik não percebe quantas dessas pessoas estão atacando umas às outras, em termos geopolíticos?

Ele talvez seja uma pessoa idealista, que acredita que a conversa com pessoas pode ajudar a trazer a paz mundial, e um seguidor do ditado de Frederick Douglass: “Se unir com qualquer pessoa para fazer o certo e com ninguém para fazer o mal”.

Mas também existe uma hipótese mais simples: Vitalik adora o prazer e o status de ser um ingênuo viajante e ele realmente gosta de se encontrar e se sentir respeitado por pessoas que são importantes.

E não é apenas Vitalik; empresas, como a ConsenSys, estão muito felizes em firmar parcerias com a Arábia Saudita e o ecossistema, como um todo, continua buscando validação em grandes personagens.

Agora, pergunte-se: quando a hora chegar, quando coisas realmente importantes estiverem acontecendo na blockchain – coisas realmente importantes que ofendem pessoas poderosas –, qual ecossistema estará mais disposto a bater o pé e recusar sua censura, não importando quanta pressão lhes for aplicada?

O ecossistema com nômades viajantes que realmente se importam em serem amigos de todo mundo ou o ecossistema com pessoas que tiram fotos de si mesmas com um fuzil AR-15 e um machado como um passatempo?

Moedas não são “apenas a primeira aplicação” – até agora, é a mais bem-sucedida

Muitas pessoas que acreditam na “blockchain, não Bitcoin” argumentam que criptomoedas são a primeira aplicação das blockchains, mas é uma aplicação muito chata, e o verdadeiro potencial das blockchains está em coisas maiores e mais empolgantes.

Veja a lista de aplicações no whitepaper do Ethereum:

– emissão de tokens;

– derivativos financeiros;

stablecoins;

– sistemas de identidade e reputação;

– armazenamento descentralizado de arquivos;

organizações autônomas descentralizadas (ou DAOs);

– apostas ponto a ponto;

– mercados de previsão.

Muitas dessas categorias têm aplicações que foram lançadas e têm, pelo menos, alguns usuários. Dito isso, pessoas no setor de criptomoedas realmente valorizam a autonomia a pessoas sub-bancarizadas no “Hemisfério Sul”.

Quais dessas aplicações realmente têm muitos usuários no Hemisfério Sul?

Pelo que parece, até agora, a aplicação de maior êxito é o armazenamento de riquezas e pagamentos. 3% dos argentinos possuem criptomoedas, assim como 6% dos nigerianos e 12% das pessoas na Ucrânia.

Até agora, o maior exemplo de um governo que usa blockchains para conquistar algo útil atualmente são as doações em criptomoedas ao governo da Ucrânia, que já arrecadaram mais de US$ 100 milhões ao incluir doações a iniciativas relacionadas à Ucrânia, mas não governamentais.

Página oficial para doações em criptomoedas (Imagem: Ministério de Transformação Digital da Ucrânia)

Quais outras aplicações chegaram perto desse nível de adesão real? Talvez, a mais próxima seja o Ethereum Name Service (ou ENS).

DAOs são reais e estão crescendo mas, hoje, muitas delas são atrativas para pessoas de países ricos, cujo principal interesse é se divertir e usar perfis de personagens em desenho para satisfazer sua necessidade de primeiro mundo de autoexpressão, e não construir escolas e hospitais e solucionar outros problemas do mundo real.

Além disso, podemos entender bem ambos os lados.

O time “blockchain” é composto de pessoas privilegiadas em países ricos e que amam indicar vantagens sobre “ir além do dinheiro e do capitalismo” e não conseguem deixar de se empolgar com a “experimentação de governança descentralizada” como um passatempo.

Já o time “Bitcoin” possui um grupo bem diverso, tanto de pessoas ricas como pobres, em muitos países pelo mundo, incluindo o Hemisfério Sul, que realmente estão usando a ferramenta capitalista de dinheiro autossoberano para fornecer valor verdadeiro aos seres humanos atualmente.

O foco exclusivamente em ser um dinheiro contribui para que se torne em um dinheiro melhor

Um erro comum sobre por que o Bitcoin não é compatível com os “amplamente dinâmicos” contratos autônomos é o seguinte: o Bitcoin realmente dá valor em ser simples e, principalmente, ter baixa complexidade técnica, o que eduz a chance de algo dar errado.

Como consequência, não quer acrescentar os recursos mais complicados e códigos de operação que são necessários para fornecer suporte a contratos autônomos mais complicados no Ethereum.

É claro que essa hipótese está errada.

Na verdade, existem diversas formas de acrescentar amplo dinamismo ao Bitcoin; pesquise pela palavra “covenants” (propostas de melhoria) nos arquivos de chat do Bitcoin e verá que muitas propostas estão sendo discutidas. E muitas dessas propostas são absurdamente simples.

O motivo pelo qual essas propostas não foram acrescentadas não tem a ver com a possibilidade de desenvolvedores do Bitcoin reconhecerem o valor no amplo dinamismo, mas acharem intolerável um pouquinho a mais de complexidade no protocolo.

Na verdade, é porque desenvolvedores do Bitcoin estão preocupados com os ricos da complexidade sistêmica que o amplo dinamismo poderia apresentar ao ecossistema!

Um artigo recente por pesquisadores de Bitcoin descreve algumas maneiras de apresentar convênios para acrescentar certo grau de amplo dinamismo ao Bitcoin.

A batalha da Ethereum com o valor extraível por mineradores (ou MEV) é um exemplo excelente desse problema que surgiu na prática.

No Ethereum, é muito fácil desenvolver aplicações onde a próxima pessoa a interagir com algum contrato recebe uma recompensa significativa, fazendo traders e mineradores lutarem por ela, e contribuindo bastante na luta contra o risco de centralização da rede e exigindo macetes complicados.

No Bitcoin, o desenvolvimento de tais aplicações sistemicamente arriscadas é difícil. Em grande parte, porque o Bitcoin não possui um amplo dinamismo e foca no simples (e livre de MEV) caso de uso de ser apenas dinheiro.

O contágio sistêmico também pode acontecer de formas não técnicas. 

O bitcoin ser apenas dinheiro significa que o Bitcoin precisa de bem menos desenvolvedores, ajudando a reduzir o risco de que desenvolvedores vão começar a exigir uma autoemissão de dinheiro gratuito para criar novos recursos do protocolo.

O bitcoin ser apenas dinheiro reduz a pressão de que desenvolvedores principais continuem acrescentando funcionalidades para “acompanhar a concorrência” e “atender as necessidades dos desenvolvedores”.

De muitas maneiras, efeitos sistêmicos são reais e não é possível que uma moeda “permita” que haja um ecossistema altamente complexo e aplicações descentralizadas arriscadas sem que essa complexidade a morda de volta de alguma maneira.

O Bitcoin escolhe a opção mais segura. Se o Ethereum continuar sua abordagem com foco em Web 3, a criptomoeda ether pode obter uma certa distância do ecossistema de aplicações que é permissivo e, assim, possui certa proteção.

Por outro lado, as chamadas “plataformas de primeira camada e de alto desempenho” não têm chance.

No geral, os projetos mais antigos da indústria são os mais “genuínos”

Muitas indústrias e setores seguem um padrão similar. Primeiro, algumas novas tecnologias empolgantes ou são inventadas ou passam por uma grande melhoria ao ponto em que são realmente úteis para alguma coisa.

No início, a tecnologia ainda está desajeitada, é muito arriscada para que qualquer um chegue perto dela como um investimento e não existe uma “comprovação social” de que pessoas possam usá-la para se tornarem bem-sucedidas.

Como consequência, as primeiras pessoas envolvidas serão idealistas, “geeks” da tecnologia e outros que estão realmente empolgados com a nova tecnologia e seu potencial de melhorar a sociedade.

Porém, quando a tecnologia comprova ser suficiente, os “normais” chegam – um fenômeno que, na cultura da internet, é chamado de “Eterno Setembro”.

E não são apenas pessoas normais e bondosas que querem fazer parte de algo interessante, como também pessoas envolvidas em negócios, que usam roupas sociais e começam a vasculhar o sistema com “sangue nos olhos”, em busca de formas de ganhar dinheiro – com exércitos de capitalistas de risco que estão ansiosos para ganhar seu próprio dinheiro ao apoiar esses empresários nos bastidores.

Nos casos mais extremos, surgem golpistas descarados, criando blockchains sem valor social ou técnico que, basicamente, são esquemas. Mas a realidade é que a linha entre “idealista altruísta” e “golpista” é bem tênue.

E quanto mais um ecossistema continuar crescendo, mais difícil será para que um novo projeto da parte altruística siga em frente.

Um gritante indicador da lenta substituição de valores filosóficos e altruísticos por valores para a busca de lucros a curto prazo na indústria blockchain são as pré-emissões cada vez maiores: alocações que desenvolvedores de uma criptomoeda fazem a si mesmos.

As maiores blockchains públicas: data de lançamento vs. alocação privilegiada (Imagem: Messari)

Quais comunidades blockchain realmente valorizam a autossoberania, privacidade e descentralização e estão fazendo grandes sacrifícios para consegui-las?

E quais comunidades blockchain estão apenas tentando inflacionar suas capitalizações de mercado e ganhar dinheiro para fundadores e investidores? O gráfico acima responde bem essa pergunta.

Intolerância é algo bom

A explicação acima esclarece por que o status do bitcoin como a primeira criptomoeda a concede vantagens únicas, que qualquer criptomoeda criada nos últimos cinco anos tem extrema dificuldade em replicar.

Mas agora chegamos à maior objeção à cultura maximalista do Bitcoin: por que é tão tóxica?

O argumento sobre a toxicidade do Bitcoin vem da segunda lei de Conquest.

Na formulação original do historiador Robert Conquest, a lei afirma que “qualquer organização que não for explícita e constitucionalmente de direita irá se tornar, mais cedo ou mais tarde, de esquerda”.

Mas, na verdade, esse é apenas um caso especial de um padrão bem mais geral e um que, na era moderna da homogeneização desenfreada e do conformismo nas redes sociais,  se torna mais relevante do que nunca:

Se você quer reter uma identidade que é diferente do comum, então precisa de uma cultura extremamente forte, que resista e combata ativamente a assimilação ao comum toda vez em que tentar reafirmar sua hegemonia.

Blockchains são, como eu mencionei acima, um movimento de contracultura, de forma bem fundamental e explícita, que estão tentando criar e preservar algo diferente do mainstream.

Em uma época em que o mundo está se dividindo entre grandes blocos de poder que ativamente suprimem a interação social e econômica entre si, blockchains são uma das poucas coisas que continuam sendo globais.

Em um momento em que cada vez mais pessoas estão recorrendo à censura para derrotar seus inimigos a curto prazo, blockchains continuam censurando coisa nenhuma.

A única forma correta de responder a “adultos razoáveis” que tentam te dizer que, para “se tornar popular”, você precisa se comprometer com seus valores “extremos”. Quando você se compromete uma vez, você não consegue parar.

Comunidades blockchain também lutaram contra maus agentes internamente:

golpistas: fazem e vendem projetos que não têm valor (ou pior: são bastante prejudiciais), mas se agarram aos termos “cripto” e “descentralização” (bem como ideias bem abstratas de humanismo e amizade) para se tornarem legítimos;

colaboracionistas: sinalizam, de forma pública e a plenos pulmões, vantagens sobre trabalhar em conjunto com governos e tentam convencê-los a usar a força coercitiva contra seus competidores;

corporativistas: tentam usar seus recursos para dominar o desenvolvimento de blockchains e, geralmente, fomentam alterações de protocolo que permitem a centralização.

Há quem enfrente todos esses agentes com um sorriso no rosto, dizendo ao mundo por que “discordam de suas prioridades”.

Mas isso está fora da realidade: os maus agentes vão tentar se esforçar para se infiltrarem em sua comunidade e, nesse sentido, fica psicologicamente difícil criticá-los com um nível suficiente de escárnio que realmente precisam: as pessoas que você critica são amigas de seus amigos.

Então, qualquer cultura que valorizar a amabilidade irá simplesmente ceder ao desafio e permitir que golpistas perambulem livremente pelas carteiras de novatos inocentes.

Que tipo de cultura não irá ceder? Uma cultura que estiver disposta e ansiosa para dizer, tanto para golpistas internos como para oponentes poderosos externos, que sigam o mesmo caminho do navio russo.

Estranhas cruzadas contra óleos de sementes são boas

Uma ferramenta poderosa de conexão para ajudar uma comunidade a manter a coesão interna em relação a seus valores distintos e evitar que caia no abismo que é a convencionalidade, são crenças e cruzadas estranhas que estão alinhadas, mesmo que não diretamente, à missão principal.

Num mundo ideal, essas cruzadas devem estar parcialmente corretas, sondando um genuíno ponto cego ou uma inconsistência de valores convencionais.

A comunidade Bitcoin é boa nisso. Sua cruzada mais recente é uma guerra contra óleos de sementes – óleos derivados de sementes de hortaliças com alta concentração de ácidos graxos de ômega-6 que são prejudiciais à saúde humana.

Teor de ácido graxo normalizado para 100% (Imagem: POS Pilot Plant Corporation)

Essa cruzada do Bitcoin é tratada com ceticismo quando coberta pela imprensa, mas a imprensa trata o assunto de uma forma bem mais favorável do que as “respeitáveis” empresas de tecnologia que estão lindando com o setor.

A cruzada ajuda bitcoiners a lembrarem que a imprensa convencional é bastante tribal e hipócrita, bem como suas tentativas estridentes de difamar criptomoedas como algo utilizado principalmente na lavagem de dinheiro e terrorismo, deve ser tratada com o mesmo nível de escárnio.

Seja maximalista

Geralmente, o maximalismo é ridicularizado pela imprensa tanto como um culto de direita tóxico e perigoso como um tigre de papel que vai sumir logo quando outra criptomoeda surgir e dominar o supremo efeito de rede do Bitcoin.

Mas a realidade é que nenhum dos argumentos a favor do maximalismo que eu descrevi acima dependem de efeitos de rede.

Efeitos de rede são logarítmicos, e não quadráticos: quando uma criptomoeda é “grande o suficiente”, possui liquidez suficiente para funcionar e processadores de pagamentos com diversas moedas que apenas precisam de um empurrãozinho para entrarem em colapso, também é uma hipótese que está completamente errada.

Criptoativos, como o bitcoin, têm vantagens culturais e estruturais que os tornam em ativos poderosos e passíveis de armazenamento e utilização.

O bitcoin é um exemplo excelente da categoria apesar de, sem dúvidas, não ser o único; existem outras criptomoedas respeitáveis e maximalistas estão dispostos a apoiá-las e utilizá-las.

O maximalismo não é apenas “o bitcoin pelo bem do bitcoin”, e sim uma percepção muito genuína de que grande parte dos outros criptoativos são esquemas e uma cultura de intolerância é inevitável e necessária para proteger novatos e garantir que pelo menos uma parte do setor continue sendo um lugar que valha a pena frequentar.

É melhor induzir dez novatos a evitarem um investimento que vai dar certo do que permitir que um único novato vá à falência por conta de um golpista.

É melhor deixar seu protocolo simples demais e falhar em atender dez aplicações de apostas de baixo valor e de curto período de atenção do que torná-lo complexo demais e falhar em atender o caso de uso central de dinheiro sonante que serve de alicerce para todo o resto.

É melhor ofender milhões ao lutar agressivamente pelo que você acredita do que tentar deixar todo mundo feliz e acabar não lutando por nada.

Seja corajoso. Lute pelos seus ideais. Seja um maximalista.

*Traduzido por Daniela Pereira do Nascimento.

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