Imagem da matéria: Revolta no Cazaquistão afeta mineração e derruba preço do Bitcoin
Foto: Shutterstock

Segundo maior minerador de Bitcoin do mundo, o Cazaquistão está passando por uma convulsão social que faz lembrar movimentos vistos na chamada “Primavera Árabe”, que terminou com a derrubada de governos e mudanças geopolíticas.

No início da tarde desta quarta-feira (05), os principais pool de mineração já haviam sentido o golpe e registravam uma forte de queda no hashrate. Os mercados reagiram negativamente à incerteza e o Bitcoin registra uma queda de 4%, segundo o índice do Coindesk. O ativo abriu o dia próximo aos US$ 46 mil e chegou a registrar US$ 44.900. No momento é cotado a US$ 44.300.

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No Brasil, a criptomoeda é cotada a R$ 259 mil, uma queda é de quase 2%, conforme o índice do Portal do Bitcoin (IPB).

As informações são poucas, já que o país vive sob uma ditadura com forte censura aos meios de comunicação. Mas alguns fatos estão claros, conforme mostra a Folha de S. Paulo: milhares de pessoas estão ocupando as ruas e o premiê Kassim-Jomar Tokaiev renunciou junto com todo seu gabinete.

A turbulência irá afetar politicamente a Rússia, que no momento tinha sua atenção toda voltada para o front ocidental, em um cabo de guerra com a OTAN, e agora poderá ter que se movimentar para não deixar o Cazaquistão sair de sua zona de influência.

Queda global no hashrate

Mas para o mundo das criptomoedas as notícias são ainda mais preocupantes. Após a China banir as atividades cripto, o Cazaquistão passou a ser o segundo no mundo em produção de Bitcoin (atrás dos Estados Unidos), sendo responsável por 18,1% do hashrate global.

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Mesmo sendo cedo para medir o impacto, alguns sinais inequívocos já surgiram.

O vice-presidente de pesquisas do portal The Block, Larry Cermak, compartilhou em seu perfil no Twitter um quadro que mostra uma queda de 12% no hashrate após o Cazaquistão ter ficado sem internet por algumas horas.

Recorde de hashrate do Bitcoin

A notícia vem logo após o Bitcoin ter atingido um novo recorde histórico de hashrate: a rede registrou 203,5 exahashes por segundo (ou EH/s) no domingo (2), de acordo com dados do site Bitinfocharts.

Nos últimos 12 meses, a taxa de hashes do Bitcoin aumentou 49%, conforme 136,5 EH/s foram registrados em 2 de janeiro de 2021.

O crescimento é ainda mais impressionante (199,2%) quando comparado aos valores registrados em julho de 2021, quando a taxa de hashes despencou cerca de 58 EH/s após a grande repressão à indústria de mineração na China.

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A rede esteve se recuperando de forma estável desde então, conforme diversas grandes operadoras de mineração de bitcoin se realocaram a outras jurisdições, incluindo os EUA e o Cazaquistão.

Mais que 20 centavos

Os protestos começaram após um aumento no preço do combustível, mais especificamente do gás GLV, usado em automóveis.

Mas, assim como ocorreu no Brasil em 2013, as demandas da população já parecem ter ultrapassado a barreira de um ponto específico e agora são uma coleção difusa e heterogênea de pedidos e ressentimentos.

A renúncia de Tokaiev parece ter tido pouco efeito, já que ele é visto como uma marionete política de Nursultan Nazarbaiev, que comandou o Cazaquistão por quase 30 anos.

Nazarbaiev renunciou em 2019, mas se presenteou como chefe do Conselho de Segurança. Por enquanto, ele ainda não se manifestou.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, disse laconicamente que espera uma resolução rápida do conflito.

O Cazaquistão foi parte da União Soviética e refazer a zona de influência do período da Guerra Fria é um dos maiores objetivos de Putin.

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Cazaquistão e a mineração

A relação entre o Cazaquistão e a mineração de criptomoedas não tem sido das mais pacíficas.

A ex-república soviética possui alguns dos preços mais baixos do mundo (cerca de metade das taxas cobradas nos EUA) pelo consumo de energia elétrica para casas ou empresas – ideais para a mineração de bitcoin que consome muita energia.

Além disso, a mineração cripto continua sendo uma tarefa barata no Cazaquistão, mas não por ser um mercado puramente livre, e sim, de forma irônica, por ser regulamentada e depender de carvão para impulsionar uma economia de ótimo desempenho.

O governo estima que a mineração cripto compõe até 8% da capacidade de eletricidade do país, conforme 2/3 são consumidos por mineradores não regulados.

Em novembro do ano passado, Magzum Mirzagaliyev, ministro de Energia no Cazaquistão, garantiu que mineradores cripto não seriam removidos da rede nacional.

No entanto, os chamados mineradores sombrios (que não estão registrados no governo) podem ter de decidir se registrarem ou sair do país.

Em julho de 2021, foi anunciado que as empresas de mineração de bitcoin do Cazaquistão terão que pagar uma taxa extra de eletricidade a partir do ano que vem, quando entrarão em vigor novas leis sobre impostos federais aprovadas por parlamentares no início deste mês.

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decreto com as emendas ao Código Tributário do Cazaquistão foi assinado pelo então presidente Kassym-Jomart Tokayev, segundo informações no site do governo.

A taxa adicional de eletricidade foi de aproximadamente US$ 0,0023 (1 ₸; ‘tenge’, a moeda oficial do Cazaquistão) por quilowatt-hora (kWh) usado pelos mineradores de bitcoin e outras criptomoedas, disse Bitcoin.com citando o Forklog, site especializado em notícias do mercado cripto e que obteve acesso à informação impressa do jornal oficial do governo.

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