celular com logo da binance e bandeira dos EUA ao fundo
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Quando a FTX  entrou em colapso e Sam Bankman-Fried foi preso nas Bahamas, o seu principal concorrente, Changpeng “CZ” Zhao, chefão da Binance, apareceu em cena para ocupar o espaço deixado vago de “salvador” das empresas cripto em desespero.

No dia 19 de dezembro, a filial dos EUA da corretora, a Binance.US, disse que iria adquirir mais de US$ 1 bilhão dos ativos da quebrada Voyager Digital, empresa de empréstimos de criptomoedas que faliu após levar um calote de US$ 670 milhões do fundo de hedge Three Arrows Capital (3AC). 

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A equipe da Voyager disse na ocasião que havia selecionado a Binance porque, após uma revisão das opções estratégicas, a corretora fez a melhor e mais alta oferta por seus ativos. 

Mas, para que a Binance feche esse negócio, precisa antes de autorização dos reguladores dos Estados Unidos, grupo onde enfrenta forte resistência por conta de suas operações pouco transparentes.

Binance vs EUA

O caso ganhou um novo desdobramento na quarta-feira (4), quando a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) publicou uma “objeção limitada” à compra dos ativos da Voyager pela Binance.

No documento apresentado como parte do processo de recuperação judicial da Voyager, a SEC questionou a veracidade das informações divulgadas pela Binance.US em suas declarações, principalmente no que se trata da capacidade da empresa de fechar um negócio dessa magnitude — da casa de bilhões de dólares.

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Segundo a SEC, não haviam detalhes suficientes sobre a situação financeira da Binance que dessem o respaldo necessário para a execução desse negócio em questão.

Entre as preocupações dos reguladores dos EUA listadas no documento também estão dúvidas sobre a forma como a Binance pretende proteger os ativos dos clientes da Voyager e como ela iria equilibrar o portfólio de criptomoedas da empresa.

Se somando à resistência da SEC, os reguladores estaduais dos estados americanos de Nova Jersey, Vermont, Nova York e Texas também apresentaram objeção ao negócio entre Voyager e Binance. No Texas, por exemplo, os oficiais alegam que ambas as empresas não estavam em conformidade com a lei do Texas, nem tinham autorização de conduzir negócios no estado americano, conforme noticiou o Coindesk.

Já os reguladores de Nova Jersey se mostraram particularmente preocupados com a relação misteriosa entre a Binance.US e a exchange global.

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Eles apontaram, segundo o The Block, que “após a transferência de moedas [da Voyager] para Binance.US, a Binance.US terá a liberdade de direcioná-las como desejar, de modo que, sem o conhecimento do cliente, as criptomoedas podem acabar em um offshore, fora do alcance das autoridades reguladoras e de execução dos EUA”.

Até mesmo a falida empresa fundada por Sam Bankman-Fried, a Alameda Research, se mostrou contrária ao possível acordo entre Voyager e Binance. Em documento protocolado na quarta-feira no Tribunal de falências de Nova York, os advogados que representam a Alameda afirmam que a empresa é uma “acionista substancial” da Voyager e por isso, pode opinar sobre o negócio.

Em meio a tantas correntes contrárias, a equipe da Binance.US vai ter que correr contra o tempo para melhorar sua transparência se quiser agradar os reguladores americanos e continuar com as negociações com a Voyager.

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