Imagem da matéria: Por que a China está investindo tanto no Metaverso
Foto: Shutterstock

Na primeira semana de dezembro, a Universidade de Língua e Cultura de Pequim (ou BLCU, na sigla em inglês) apresentou sua lista das dez principais palavras mais usadas na internet em 2021 e o site Yaowen Jiaozi (em mandarim, significa “termos populares”) publicou seu próprio top dez.

O termo “metaverso” apareceu em ambas as listas e foi a única palavra em língua estrangeira da lista do Yaowen Jiaozi.

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De acordo com o site de dados comerciais Tianyancha, a China registrou mais de sete mil marcas registradas relacionadas ao metaverso. Agora, grandes participantes aplicaram capital, criando uma “corrida do ouro” no metaverso e trazendo fomento a ações de conceitos do metaverso.

No mercado primário, instituições chinesas de investimento como Hillhouse Capital, Zhen Fund, Wuyuan Capital, Evergreen, Morningside e Xinghan Capital começaram a desenvolver seus roteiros (ou “roadmaps”) do metaverso, incluindo investimentos de portfólio de plataformas de redes sociais e ídolos virtuais para empresas de jogos e projetos de realidade virtual/aumentada.

Até mesmo Luo Yonghao, empreendedor e celebridade na internet, afirmou que seu próximo empreendimento será no metaverso.

Uma quantidade absurda de dinheiro chinês está entrando no metaverso

O número de solicitações de marca registrada com o termo “metaverso” excedeu sete mil em 9 de dezembro. Mais de mil empresas registraram marcas relacionadas ao metaverso.

É importante mencionar que 99% dessas marcas registradas com metaverso foram enviadas em 2021 – e grande parte delas foi feita nos últimos dois meses. Antes de 22 de setembro, o número de empresas solicitantes era de apenas 130; em 22 de outubro, cerca de 400.

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Julgando pela distribuição de cidades registradas para marcas de metaverso, Pequim está classificada em primeiro lugar (810), seguida de Guangzhou (637) e Shenzhen (519) e Shanghai (419).

De setembro a novembro de 2021, houve 26 investimentos nacionais relacionados ao metaverso de mais de dez milhões de yuans, e 35 no exterior, contabilizando um total de mais de dez bilhões de yuans.

Compare ao financiamento da indústria de realidade virtual/aumentada da China, que totalizou 2,1 bilhões de yuan em 2020.

Em outras palavras, a quantidade total de investimentos no metaverso nesses três meses excedeu toda a quantia investida na indústria de realidade virtual/aumentada em 2020.

A corrida das gigantes empresas chinesas de tecnologia para garantir seu lugar

Em âmbito global, a gigante rede social Facebook foi renomeada para Meta. Microsoft lançou Mesh for Teams, que permite que grupos criem seus próprios metaversos; o Google também está apostando no metaverso com seu reformulado Google Labs.

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Grandes nomes do setor de vestuários, como Adidas e Nike estão aproveitando o hype do metaverso: a Adidas comprou um NFT Bored Ape e firmou uma colaboração com Yuga Labs enquanto a Nike adquiriu o estúdio de tênis NFT RTFKT.

Sequoia Capital sinalizou um novo foco após mudar sua bio no Twitter por um dia, repleta de gírias cripto: “Ajudamos os destemidos a desenvolverem lendárias DAOs, desde a ideia a distribuições de tokens”.

A empresa de capital de risco Sequoia brevemente mudou sua biografia para refletir seus investimentos em criptoativos (Imagem: captura de tela por Colin Wu)

Gigantes empresas chinesas de internet também não querem ficar para trás.

Tencent possui um grande número tecnologias e recursos para explorar e desenvolver o metaverso e solicitou registros de marca para “King Metaverse” e “Tianmei Metaverse”.

A empresa também está solicitando uma marca registrada de metaverso para seu aplicativo de mensagens QQ. Investiu em pelo menos 67 empresas de jogos este ano. Para a Tencent, o metaverso está sendo desenvolvido em uma abordagem “jogo + social”.

Alibaba investiu no centro de experiência de realidade virtual off-line Sandbox VR e a Alibaba DAMO Academy criou um laboratório, anunciando que irá explorar as “quatro camadas” do metaverso: construção holográfica, simulação holográfica, fusão do virtual e real, bem como a união entre virtual e real.

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No fim de agosto, a ByteDance, empresa-mãe do TikTok, deu outro passo no metaverso, gastando nove bilhões de yuans para adquirir a fabricante de headsets de realidade virtual Pico; foi a maior aquisição nacional na indústria de realidade virtual deste ano.

Em seguida, investiu na Guangzhou Semiconductor e em outras empresas relacionadas ao conceito de metaverso.

Xiaomi investiu na empresa de metaverso fomentada por realidade virtual Sky Limit Entertainment, fundada pelo cineasta Zhang Yimou.

A gigante empresa chinesa de pesquisas na internet Baidu entrou no bonde do metaverso com Xi Rang (mandarim para “terra da esperança”), um aplicativo para mostrar o metaverso na própria conferência de inteligência artificial da gigante empresa de tecnologia.

Apesar de grandes empresas chinesas estarem se envolvendo no metaverso, o fechado ecossistema chinês de tecnologia dificulta a satisfação de demandas básicas de abertura e criação livre que o metaverso deveria prometer

A educação sobre o metaverso é criticada pela capitalização do hype

A demanda de mercado também gerou diversos cursos de treinamento sobre o metaverso.

No aplicativo educacional Dedao (得到), o preço do curso on-line “6 Aulas sobre o Metaverso” custava 29,9 yuans e, em 10 de novembro, mais de 26 mil pessoas haviam feito o curso. O curso rapidamente gerou uma receita de mais de um milhão de yuans.

Outro curso no mesmo aplicativo, chamado “Metaverso: Primeira Aula”, possui milhares de usuários diários ativos e sua receita diária excede 90 mil yuans.

Alguns internautas questionam a grande quantia de receita que essas aulas geraram em um curto período de tempo – todas baseadas em um conceito ainda sob desenvolvimento.

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“Enquanto o conceito não estiver claro, qual é o sentido de vender esse tipo de aula?”, questionou um comentador.

Imprensa chinesa alerta sobre riscos relacionados ao metaverso

Não é surpresa que todo esse investimento e hype já chamaram a atenção do governo chinês.

O jornal estatal People’s Daily emitiu um alerta sobre o metaverso, conforme especuladores interagem em vendas de imóveis virtuais. O jornal destacou os riscos de lavagem de dinheiro, volatilidade, fraude e financiamento ilegal na terra sem lei do metaverso.

O alerta concluiu que, por conta de o metaverso ainda estar nos estágios iniciais, pessoas devem esperar por seu desenvolvimento para evitar “se queimarem”.

Apesar de empresas chinesas de capital de risco estarem alocando dinheiro no mercado, a atual definição do metaverso ainda está indefinida e o mercado, como um todo, parece superaquecido.

Após essa onda de entusiasmo se esvair, um grupo de empresas provavelmente sumirá do mercado e a indústria passará pelo processo de voltar à racionalização, mas não irá impedir o desenvolvimento geral do metaverso em uma tendência geral.

Apesar de tradicionais empresas chinesas de capital de risco estarem apostando no metaverso, sua ideia de conceito está longe do metaverso do mundo cripto.

O metaverso que empresas de capital de risco estão interessadas é uma forma de próxima geração da internet que combina o mundo virtual com o mundo real.

Em sua opinião, realidade virtual/aumentada pode ser usada como um portal de conexão entre o mundo virtual e o mundo físico, então muitas pessoas a consideram como um “ingresso de entrada” ao metaverso.

Ao mesmo tempo, mesmo se o metaverso estiver em sua etapa inicial, as mudanças que irá trazer são socialmente significativas e promoverá um avanço maior de nossos padrões e vidas cotidianas, além de trazer um enorme efeito de conexão ao mercado.

Acredita-se que o metaverso será uma nova comunidade e cultura para a geração Z e cripto.

O futuro desenvolvimento do metaverso irá prestar mais atenção à interação inteligente entre pessoas e computadores, experiências definidas por usuários e quebra de barreiras entre virtual e real.

*Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.

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