“PicPay devolve meu dinheiro”: Clientes cobram empresa por atraso no auxílio emergencial

Criticas à empresa chegaram aos trending topics do Twitter; fintech diz que problema é de app da Caixa Econômica

Questionado por clientes, PicPay arrecada R$ 5 milhões com doações em lives
(Foto: Shutterstock)


Usuários do PicPay levantaram no Twitter nesta terça-feira (7) a hashtag #picpaydevolvemeudinheiro em protesto contra falhas identificadas na carteira digital, que tem 20 milhões de clientes.

Os problemas envolvem especialmente transações referentes ao auxílio emergencial. A fintech tem sido usada pelos beneficiários como forma de adiantar o uso do dinheiro.

Segundo os usuários, o problema tem ocorrido principalmente quando é solicitado o saque do saldo disponível na carteira digital do PicPay. O dinheiro é debitado da conta e há notificação da conclusão do saque, mas o valor não é transferido para o local de destino.

Além do movimento no Twitter, somente nas últimas 24 horas, a empresa teve 2500 registros do site de defesa do consumidor Reclame Aqui. Por comparação, nos primeiros 25 dias de abril, foram 6840.

Procurado pela reportagem, o PicPay informou via assessoria de imprensa que o problema está relacionado com instabilidades no sistema do Caixa TEM. Esse aplicativo, da Caixa Econômica Federal, é usado para movimentação da conta digital por meio da qual é pago o auxílio emergencial.

“Por instabilidade do sistema do Caixa TEM, um pequeno percentual das transações entre o aplicativos e o PicPay não é concluído. Nesses casos, o usuário deve fazer nova tentativa. Se a Caixa tiver debitado o valor utilizado para a transferência, o estorno deverá ser realizado pelo próprio banco”, disse a empresa em nota.

Ainda segundo a fintech, desde o início da distribuição do benefício federal, mais de 2,9 milhões de usuários concluíram a transferência do benefício para o PicPay com sucesso.



Não só em relação ao auxílio

Nas redes sociais as queixas relacionadas a transferências com auxílio emergencial se sobressaem. No entanto, a falha acusada pelos usuários do PicPay afeta também operações corriqueiras, como recarga de celular e pagamentos em geral.

“Não foi só dinheiro do auxílio, foi [de] pagamentos e recargas de celulares”, disse uma usuária no Twitter, identificada como Luciana.

Outros usuários relatam ter solicitado saque na última sexta-feira (3) e que até agora não conseguiram receber o dinheiro na conta de destino.

Alguns usuários chegam a usar o Twitter para acionar o Banco Original, controlador do PicPay, em busca de uma solução.

Em junho, a empresa foi notificada pelo Procon de São Paulo por problemas no repasse do dinheiro no projeto “Mães da Favela”, realizada em maio passado em favor da Cufa (Central Única das Favelas).

Situação de extremos

O problema acontece em um momento de extremos para o PicPay. Por um lado, a fintech cresce pelas ações sociais e pelo crescimento obtidos em meio à pandemia de coronavírus. Por outro, também vê explodir os índices de reclamações por falhas diversas em seus serviços.

O PicPay tem sido presença constante em lives beneficentes que visam arrecadar recursos a serem aplicados em associações diversas no esforço de combate ao coronavírus. A fintech até criou uma Central de Doações especialmente para recebimento e repasse dessas verbas.

Há também as parcerias da fintech com o governo de São Paulo e a Prefeitura de Duque de Caxias (RJ) para pagamento do auxílio merenda para estudantes de baixa renda matriculados na rede pública de ensino.

Embora o PicPay não retenha qualquer valor dessas transações, a necessidade do aplicativo para essas operações potencializa expansões da base de clientes. A fintech afirma ter 20 milhões de usuários, sendo 8 milhões deles ativos.