O que está por trás do sequestro da família de um trader acusado de pirâmide financeira em Jundiaí

Casal prometia retornos de 50% no mercado financeiro, mas deu calote em centenas de pessoas

O que está por trás do sequestro de uma família em Jundiaí acusada pirâmide financeira
Foto: Divulgação/Polícia Militar


Um sequestro de quatro pessoas na quarta-feira (11) na cidade de Jundiaí, interior de São Paulo, tornou público um suposto caso de pirâmide financeira. As vítimas foram libertadas minutos depois da ação pela Polícia Militar; cinco suspeitos foram presos.

Após as prisões, descobriu-se que o crime foi uma tentativa de chegar até um familiar das vítimas — um trader que teria aplicado um golpe financeiro.

Com a repercussão do caso, várias pessoas que foram prejudicadas financeiramente em um negócio criado por ele registraram boletins de ocorrência.

Conforme apurou a reportagem do Portal do Bitcoin, o suposto negócio fraudulento era conduzido por Márcio Dener de Souza e Arine Gomes Ferraz. O casal fechava contratos de investimentos no mercado financeiro de “mini-índices”.

A promessa de retorno era de até 50% do valor investido. Entre setembro e outubro do ano passado, eles começaram a dar calote nos clientes.

Trading como fachada para pirâmide

No contrato que a reportagem teve acesso, Márcio diz deter todo ‘know how’, expertise e experiência para investimento e rentabilização do capital do cliente. A parte do cliente era apenas fazer o aporte e aguardar os rendimentos mensais.

De acordo com um cliente, que pediu para não ser identificado, Márcio fazia trades.



“Ele nos falava que investia na Modal e trabalhava lá. Tanto que ele tinha pessoas que trabalhavam com ele também, junto para render o dinheiro”, relatou. E acrescentou:

“Depois descobrimos que ele estava fazendo como pirâmide e não mais fazendo trading”.

Chamava alunos para pirâmide

A vítima relata que antigamente Márcio dava cursos de trading. No entanto, cada aluno que aparecia ele os chamava para um novo negócio.

“Fazia reuniões dos investidores, aonde íamos e ele falava como estava, como seria e também apresentar os cursos de lançamentos e também falava que quem fizesse investimento naquele dia iria ter 50% e em outras reuniões 35%”, relatou a vítima.

Não tinham autorização da CVM

Márcio Dener cobrava taxas de corretagem, própria de empresas reguladas de investimentos.

Um levantamento junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mostra que tanto o casal quanto a empresa de Márcio — Ferraz & Souza Servicos de Intermediacoes a Empresas Ltda” nome fantasia “Do Trader” —  não possuem registro para atuar no mercado financeiro.

Logo, nem a empresa nem Marcio Dener de Souza atuando como um agente autônomo poderiam oferecer tais investimentos. Mesmo sem autorização, ele fazia contratos cujos rendimentos eram de 20%, 45% e 50%.

Quando a pirâmide começou a ruir e o casal deixou de pagar os clientes, vieram as propostas de distratos. Eram feitos então novos contratos com porcentagem de redimento menor; 20% ao mês.

“Como ele não conseguiu arcar, ele falou que ia pagar só os juros”, disse o cliente, que acabou assinando um novo contrato.

No entanto, as reconciliações provavelmente serviam apenas para o casal ganhar tempo, pois os novos contratos não foram cumpridos e Márcio ‘sumiu do mapa’.

Paga no começo para enganar

Conforme relato do cliente, no começo eles pagavam os rendimentos certinho e depois os persuadia a reaplicar o dinheiro. Desta forma, eles iam passando credibilidade e assim ganhavam mais clientes.

De acordo com uma cópia de um extrato bancário enviado à reportagem, a empresa pagava os rendimentos dos clientes via TED com fundos oriundos de uma conta em nome de Arine Gomes Ferraz.

“Tivemos aí um valor de volta, porém nós reinvestimos de novo, que esse era o foco dele né, era enganar”, disse uma vítima que está preocupada de eles terem sumido com o dinheiro.

Sequestro em Jundiaí

Após o sequestro, descobriu-se que as vítimas eram familiares de um comerciante da cidade, líder de uma pirâmide financeira, segundo reportagem do Jornal da Região

Conforme o G1, depois das prisões várias pessoas procuraram a delegacia para denunciar que uma das vítimas era suspeita de estelionato.

Um dos policiais que efetuou as prisões também confirmou a informação.

“Segundo informações dos autores, eles fizeram isso por terem investido com um representante de uma pirâmide, ter investido dinheiro, e ele ter sumido com o dinheiro deles”, comentou o PM Alex de Lima.

No entanto, o nome da pessoa acusada de estelionato que estava entre os presos não foi revelado.

A reportagem do Portal do Bitcoin tentou contato com a Delegacia de Investigação Gerais de Jundiaí (DIG) na quinta e sexta-feira, mas por motivo de feriado e ponto facultativo não houve expediente.


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