Imagem da matéria: Mining Express foi fundada por brasileiro envolvido em golpe de R$ 200 milhões
Kaze Fuziyama. Foto: Divulgação/Facebook

A Mining Express é uma mineradora de ethereum que foi fundada em 2018 na Ucrânia pelo brasileiro Kaze Fuziyama. Em um vídeo publicado no YouTube no final de 2020, Fuziyama contou que montou a empresa, que promete lucros diários, depois de supostamente ganhar US$ 50 milhões investindo em dogecoin e trabalhando com marketing multinível. Ele só esqueceu de falar de seu passado como líder de duas pirâmides financeiras que prejudicaram milhares de brasileiros.

Fuziyama era promotor da One Thor Brasil, empresa que oferecia prêmios para pessoas formarem redes e vender supostos produtos, como colchões, travesseiros magnetizados, celulares e emagrecedores. Em 2015, o Ministério Público do Mato Grosso apontou que o negócio tinha indícios de ser uma pirâmide financeira. No Reclame Aqui e em redes sociais, há diversos relatos sobre a falta de pagamento para revendedores.

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Em um vídeo publicado por Fuziyama na suposta sede do negócio em Hong Kong, na China, ele faz diversos elegios à suposta pirâmide. “O produto da One Thor é maravilho e sensacional”, disse ele.

Depois que a One Thor ruiu, Fuziyama começou a promover a D9 Club, pirâmide financeira fundada por Danilo Santana. O esquema deixou um prejuízo de R$ 200 milhões para milhares de brasileiros. Fuziyama aparece em um vídeo de 2016, ao lado do ex-jogador Marcelinho Carioca e de outros líderes, fazendo propaganda para o golpe.

Kaze não dá entrevista para qualquer um

A reportagem tentou agendar uma entrevista com Fuziyama por meio do telefone disponibilizado no site da Mining Express. Em resposta, a equipe do brasileiro disse que “ele não faz entrevista assim não”. Disse também que o dono da Mining Express “deve sair na Forbes (revista) de fora agora”.

Além da Forbes, Fuziyama investe bastante em outras mídias. Uma breve pesquisa pelo seu nome leva para matérias em sites como MSN, IG e Na Telinha. Nos textos, ele se vende como ‘influenciador’, ‘rico’ e ‘formador de milionários’.

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“Antigamente eu trabalhava 12 horas por dia na empresa que tinha me contratado. Era algo pouco rentável, que me requeria bastante, o que acabava não sendo muito benéfico para mim. Hoje em dia, estou fazendo milhões por mês, apenas com o meu trabalho, mais independente possível e com o retorno financeiro sendo apenas meu”, disse ele para o MSN.

No Instagram, Fuziyama costuma publicar frases de impacto para seus 807 mil seguidores. “Motivação é a impulsão para realizações de sonhos”, escreveu no último final de semana.

Promessas da Mining Express

A Mining Express está localizada em Kirovorad, na Ucrânia. A cidade fica a cerca de 300 km da capital Kiev. Seu nome aparece na 24ª posição do Etherscan, um explorador de blockchain que mostra o ranking dos maiores mineradores de ETH.

Em 2018, a empresa foi inaugurada em um evento grandioso, que chamou atenção da mídia local. Jornalistas, no entanto, não puderem entrar no espaço. Desconfiados, os editores do site ucraniano Tech.liga entraram em contato com representantes da indústria de criptomoedas do país e perguntaram sobre o novo empreendimento e seu dono.

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“Tenha muito cuidado com todos os eventos de alto nível. Se fosse uma pessoa séria, eu ou o meu meio saberíamos disso”, disse um dos especialistas consultados pelo jornal.

Como as outras duas pirâmides financeiras promovidas no passado por Fuziyama, sua mineradora promete ganhos fixos para clientes, conforme apresentação encaminhada para a reportagem do Portal do Bitcoin. Os pacotes vão de US$ 100 a US$ 35 mil.

A mineradora também oferece aos investidores a possibilidade ganhar comissão ao indicar outras pessoas para participar da rede.

Ainda de acordo com o plano de negócio, a Mining Express promete prêmios – como bitcoin, Lamborghini e Rolls-Royce – para aqueles participantes que atraem mais pessoas para investir no esquema.

CVM abriu processo para investigar a empresa

A empresa não tem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para captar clientes no Brasil e oferecer contratos de investimento coletivo. Em dezembro de 2020, o regulador abriu um processo administrativo para apurar possíveis irregularidades.

Cabe lembrar que não é competência da autarquia regular a compra e a venda de criptomoedas. Entretanto, a CVM pode intervir se entender que os criptoativos estão caracterizados como valores mobiliários, como em contratos de investimento coletivo ou derivativos, por exemplo. Isso ocorreu com Grupo Bitcoin Banco, Atlas Quantum e tantos outros.

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O fato de a empresa estar na Ucrânia também não impede a atuação do regulador. Isso porque a Mining Express faz publicidade no Brasil – com site em português – e capta clientes no país.

D9, escola de novos ’empresários’

Diversos líderes e promotores da antiga D9 se deram bem na vida. Os agora empresários Antonio Neto Ais e Fabricia Ais são um exemplo.

Apesar de terem participado no esquema e responderem a pelo menos 20 processos judiciais, eles fundaram a Braiscompany, uma empresa de criptomoedas que garante lucros fixos mensais no mercado de criptomoedas.

Em dezembro, o criador da casa de análises Suno Research, Tiago Reis, acusou a empresa de ser uma pirâmide financeira. CVM e Ministério Público investigam o caso.

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