Manhã Cripto: Token da Uniswap despenca 17% após alerta de processo da SEC e Bitcoin recupera os US$ 70 mil

CEO da Uniswap, Hayden Adams, disse não estar surpreso, “apenas irritado, desapontado e pronto para lutar”
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As maiores criptomoedas voltam a subir nesta quinta-feira (11), puxadas pela recuperação do Bitcoin após dados que mostraram uma inflação ainda aquecida nos EUA. Investidores também acompanham mais uma investida de reguladores americanos, desta vez contra a exchange descentralizada Uniswap.

Traders de renda variável agora concentram as atenções na decisão de política monetária do Banco Central Europeu nesta manhã, que tende a manter os juros, mas sinalizar um corte das taxas em junho.

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Bitcoin avança 3% em 24 horas, para US$ 70.987,62, segundo dados do Coingecko.   

Em reais, o BTC sobe 2,7%, negociado a R$ 359.746,26, de acordo com o Índice do Preço do Bitcoin (IPB). 

No Brasil, traders aguardam o lançamento de um contrato futuro de Bitcoin pela B3, possivelmente na próxima quarta-feira (17), segundo o site E-Investidor.

Ethereum (ETH) ganha 2,7%, cotado a US$ 3.604,84. 

O token PUPS, a primeira memecoin da rede Bitcoin, registra alta de mais de 1.000% em sete dias e valorização de 33% em 24 horas, antes do halving do BTC e do lançamento do protocolo Runes.

Toncoin (TON) já avançou quase 50% em sete dias e sobe 9,6% nesta manhã, na esteira de uma oferta de US$ 5 milhões (R$ 25 milhões) em tokens para que usuários se inscrevam em um programa de prova de personalidade, com digitalização da palma da mão baseado em inteligência artificial.

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Outras altcoins operam entre perdas e ganhos, entre elas BNB (+2,8%), XRP (+0,9%), Solana (+1,6%), Cardano (+2,1%), Dogecoin (+7,6%), TRON (-1,7%), Chainlink (+0,8%), Avalanche (-0,5%), Polkadot (-0,0%), Polygon (+0,7%) e Shiba Inu (+2%).

Uniswap pode ser alvo de processo da SEC

UNI, token nativo da Uniswap, registra queda de 17% em 24 horas, em reação a um comunicado da SEC, a CVM dos EUA, sobre a abertura de um possível processo contra a exchange descentralizada.

O CEO da Uniswap, Hayden Adams, anunciou o recebimento do chamado “wells notice” no X, dizendo não estar surpreso, “apenas irritado, desapontado e pronto para lutar”.

Em entrevista coletiva na quarta-feira (10), a diretora operacional da Uniswap, Mary-Catherine Lader, e o diretor jurídico, Marvin Ammori, disseram a repórteres que o conteúdo do alerta tem como foco a atuação da Uniswap como corretora de valores mobiliários não registrada e bolsa de valores não registrada.

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Ammori afirmou que a Uniswap não atende à definição atual de exchange da SEC.

Enquanto isso, exchanges de criptomoedas centralizadas esperam que os acordos fechados com reguladores nos EUA possam ser aproveitados para aperfeiçoar programas de compliance, segundo reportagem do Wall Street Journal.

Uma delas é a Binance, que concordou em pagar uma multa de US$ 4,3 bilhões em novembro passado para arquivar acusações sobre a violação de regras de sanções e lavagem de dinheiro.

No entanto, a maior corretora de ativos digitais do mundo ainda enfrenta problemas regulatórios em outros países, como nas Filipinas e na Nigéria, onde um de seus executivos de compliance está detido.

Bitcoin hoje

Na quarta-feira (10), o Bitcoin mergulhou quase 4%, para US$ 67.500, depois da divulgação do relatório de inflação ao consumidor nos EUA (CPI), que mostrou preços acima do esperado por economistas.

Com o resultado, investidores agora esperam apenas duas reduções da taxa básica de juros dos EUA neste ano, com o primeiro corte em setembro em vez de junho, segundo consulta da Bloomberg. No começo do ano, a expectativa era de seis cortes de juros.

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Semir Gabeljic, diretor de formação de capital da Pythagoras Investments, concorda com a projeção, destacando a resiliência do Bitcoin diante da inflação ainda acelerada nos EUA.

“[Ainda assim], a queda de -2% em relação ao novo teste de US$ 73 mil da segunda-feira (8) mostra os ativos de risco, incluindo o BTC, precificando dois cortes de taxas em vez de três para o restante de 2024”, disse Gabeljic em nota ao CoinDesk.

Parte dessa resiliência, destacaram analistas da CryptoQuant, pode ser explicada pela demanda de grandes investidores, as chamadas baleias, e constante procura pelos fundos de índice (ETFs) de Bitcoin à vista nos EUA.

Ações da MicroStrategy

A MicroStrategy, maior investidora institucional de Bitcoin, já avisou que pretende continuar aumentando sua exposição à maior criptomoeda. A ação da empresa de software de inteligência tem acompanhado o rali do BTC, e traders que apostaram na queda do papel perderam quase US$ 2 bilhões desde março, de acordo com dados da S3 Partners compartilhados pela Reuters.

O cofundador e presidente do conselho da MicroStrategy, Michael Saylor, está no Brasil a convite do Itaú para participar de um evento privado no escritório do Itaú Private Bank, em São Paulo, nesta quinta-feira (11).

Outros destaques desta quinta

O ex-executivo da FTX Ryan Salame receberá sua sentença em 28 de maio, que será determinada pelo juiz Lewis Kaplan, do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York. Em setembro de 2023, Salame se declarou culpado de conspiração para contribuições políticas ilegais, bem como conspiração para operar um negócio de transmissão de dinheiro não licenciado. No mês passado, o fundador da FTX, Sam Bankman-Fried, foi condenado a 25 anos de prisão.

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A Blockaid, uma empresa de segurança de blockchain, disse que 50% das pré-vendas de tokens recentes na rede Solana eram golpes. Golpistas usaram técnicas de engenharia social em canais como Telegram, Twitter e Discord para induzir usuários a interagir com contratos inteligentes ou sites fraudulentos, “Estão focados tanto em memecoins quanto em projetos existentes (…)”, disse ao CoinDesk o CEO da Blockaid, Ben Natan.

A Geração Z é mais propensa a investir em criptomoedas do que ações, pois adota uma abordagem de planejamento financeiro diferente de gerações anteriores, revela uma pesquisa da Policygenius. Cerca de 18% desses jovens da Geração Z possuem ações e 20% investem em criptomoedas, de acordo com o levantamento de 2024 divulgado pelo The Block. Como referência, 33% dos “baby boomers”, os nascidos entre 1945 e 1964, aplicam ações e apenas 5% deles investem em cripto.