Imagem da matéria: Manhã cripto: mercado anda de lado e hacker da FTX começa a converter tokens roubados
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O mercado de criptomoedas anda de lado nesta terça-feira (15) à espera de mais detalhes sobre o fundo de recuperação anunciado pela Binance. Depois de alguns tuítes enigmáticos, o cofundador da FTX, Sam Bankman-Fried, disse ao New York Times que tem conseguido dormir, mas admitiu falhas. 

Depois de subir com mais força na madrugada, o Bitcoin (BTC) opera em leve alta de 0,2% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 16.805, segundo dados do CoinGecko. O Ethereum (ETH) também mostra pouca variação, com alta de 0,5% e negociado a US$ 1.262. 

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Em reais, o Bitcoin registra ganho de 0,9%, cotado a R$ 88.975, mostra o Índice do Portal do Bitcoin (IPB).  

As altcoins operam entre perdas e ganhos, entre elas Binance Coin (-3,5%), XRP (+8,6%), Dogecoin (-0,4%), Cardano (+1,3%), Polygon (+0,9%), Polkadot (+2,4%), Shiba Inu (+0,1%) e Avalanche (+0,1%).  

Solana (SOL) sobe 2,5% nas últimas 24 horas, mas mostra perdas de 50% em sete dias. A Fundação Solana disse em seu blog na segunda-feira (14) que tem dezenas de milhões de dólares em criptomoedas retidas na FTX – bem como 3,24 milhões de ações ordinárias na exchange de Bankman-Fried. 

O token, que no fim do ano passado estava entre os cinco maiores em valor de mercado, agora ocupa a 15ª posição no ranking do CoinGecko. Cópia do balanço da FTX obtida pelo Financial Times mostrou que a corretora tinha o equivalente a US$ 2,2 bilhões em SOL no início do mês. 

Bankman-Fried quebra silêncio 

Em menos de uma semana, Bankman-Fried perdeu a maior parte de sua fortuna, viu sua empresa de US$ 32 bilhões pedir recuperação judicial e se tornou alvo de investigações da SEC e do Departamento de Justiça nos EUA, como também da CVM e agência de investigação de crimes financeiros das Bahamas, segundo a Reuters

Mas em uma longa entrevista ao New York Times no domingo (13) publicada na tarde de segunda-feira (14), SBF, com é chamado nas redes, parecia surpreendentemente calmo, segundo o jornal. “Você poderia pensar que não tenho dormido nada, mas estou dormindo um pouco”, disse. “Poderia ser pior.” 

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Na entrevista, o ex-CEO da FTX afirmou que seu império cresceu muito rápido e que falhou ao não ver os sinais de alerta. Mas o fundador da exchange não deu detalhes sobre o uso de fundos de clientes. Bankman-Fried também se recusou a comentar sobre a possibilidade de ir para a prisão. Ele não quis revelar sua atual localização, citando razões de segurança.  

“As pessoas podem dizer todas as coisas ruins que quiserem sobre mim online”, afirmou. “No final, o que importa para mim é o que fiz e o que posso fazer.” 

Nos últimos dias, o então “Rei das Criptomoedas” tem passado tempo jogando o videogame Storybook Brawl, embora menos do que antes. “Ajuda a clarear minha mente.”  

Sobre os recentes tuítes misteriosos com a palavra “What” e depois a letra “H”, Bankman-Fried disse que sua intenção era escrever a letra “A” e depois “P”, mas não explicou o motivo. “Estou improvisando. Acho que é o momento.” 

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Apesar de seu futuro incerto, a trajetória de SBF já está sendo documentada por Michael Lewis, autor do livro “A Jogada do Século”, que inspirou o filme “A Grande Aposta”, vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado. Lewis passou os últimos seis meses com o fundador da FTX, segundo carta de uma agência que circula em Hollywood, informou o CoinDesk

Confira as últimas notícias sobre o colapso da FTX

A FTX indicou uma lista de novos diretores independentes para supervisionar o processo de recuperação judicial do grupo e conversa com a procuradoria dos EUA e “dezenas” de agências reguladoras americanas e internacionais, de acordo com novos documentos do tribunal de falências divulgados pela Bloomberg. Na documentação apresentada à Justiça, o grupo informou que pode ter mais de um milhão de credores. 

A Paxos, uma plataforma regulamentada de infraestrutura blockchain, congelou 11.184,38 tokens PAXG avaliados em aproximadamente US$ 19 milhões, a pedido de investigadores nos EUA. 

O misterioso hacker que roubou criptos de carteiras da FTX ainda detém US$ 339 milhões em ativos digitais drenados na sexta-feira (11), de acordo com dados da plataforma de inteligência cripto Arkham Intelligence.  

Dyma Budorin, cofundador e CEO da Hacken, empresa de auditoria de segurança blockchain, disse ao CoinDesk que o hacker pode ser um “Insider”, isto é, alguém com acesso a todas as carteiras frias da FTX. Durante a madrugada, o hacker começou a converter os tokens roubados em stablecoins DAI e transferi-las para a rede Ethereum. 

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Detalhes sobre a invasão levaram a rumores no Twitter de que Bankman-Fried ou alguém de seu círculo estaria por trás do hack. Perguntado sobre essa possibilidade, Budorin disse que “esta é uma informação confidencial”, mas que o dono da carteira comprometida é um cidadão dos EUA.  

A Binance informou nesta terça-feira (15) que vai apresentar evidências a parlamentares do Reino Unido sobre as conversas com a FTX.com quando as duas empresas estavam em negociações, bem como sobre a decisão de vender FTT, o token nativo da FTX, conforme a Bloomberg. A medida faz parte da investigação conduzida pelo Parlamento britânico sobre o colapso da exchange de Bankman-Fried. 

A Binance registrou saques de 81.712 bitcoins líquidos (US$ 1,35 bilhão), ou mais de 15% dos cerca de 500 mil bitcoins em sua exchange, nos seis dias até a segunda-feira (14), de acordo com dados da CryptoQuant citados pelo CoinDesk. No Twitter, o CEO da Binance, Changpeng ‘CZ’ Zhao, pediu calma e disse que um “leve” aumento dos saques é normal quando os preços dos tokens caem. 

Além do anúncio de um fundo de recuperação para injetar liquidez em projetos do setor, CZ também propôs uma nova associação global da indústria para trabalhar com reguladores, de acordo com a Bloomberg. “Isso me foi solicitado por vários reguladores. Mas esta associação não será administrada pela Binance, não será controlada pela Binance.” 

O pedido de recuperação judicial da FTX abalou a confiança de investidores nos criptoativos, até porque Sam Bankman-Fried circulava entre reguladores e grandes nomes em Washington defendendo regras para a indústria. Mas, na opinião de Fabricio Tota, diretor do MB, “ruídos sobre a credibilidade sempre fizeram parte da história de qualquer setor”. 

“Para nós, da indústria cripto brasileira, o episódio com a FTX reforça a necessidade de uma regulação para o ecossistema. Em solo nacional, apoiamos a aprovação com urgência do PL 4401/21 que, na nossa visão, precisa prever, entre outras soluções, a obrigatoriedade de segregação patrimonial no modelo de operação dos prestadores de serviços de ativos virtuais, como as exchanges de criptoativos”, destacou em artigo no E-Investidor

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A quebra da FTX reduz as expectativas de aprovação no curto prazo de uma legislação favorável no Congresso dos EUA, de acordo com o Wall Street Journal. Na quinta-feira (10), o Comitê de Agricultura do Senado descartou um plano provisório para pautar seu projeto bipartidário cripto nesta semana, segundo pessoas a par do assunto.  

Ainda assim, análise do CoinDesk aponta que o colapso da empresa deve resultar em mudanças regulatórias e uma série de processos civis e criminais contra a exchange e seus executivos, incluindo o ex-CEO Sam Bankman-Fried.  

No radar vão entrar os tuítes de SBF antes da derrocada, como os posts que diziam que os ativos da corretora “estavam bem”, afirmou Ken White, ex-procurador federal e sócio do escritório de advocacia Brown White & Osborn.  

Para o presidente da BaFin, Mark Branson, agência que regula o setor financeiro na Alemanha, os criptoativos precisam seguir regras globais para serem incorporados às finanças tradicionais, também levando em conta a exposição de um grupo maior de investidores e bancos ao risco.   

Empresas de mineração de Bitcoin listadas em Toronto esperam mais turbulência em meio à crise de confiança no setor, disse à Bloomberg Frank Holmes, presidente executivo do conselho da Hive Blockchain Technologies, que prevê mais pedidos de recuperação judicial de mineradores. 

A empresa de empréstimo de criptomoedas BlockFi informou que as atividades da plataforma continuarão suspensas “por enquanto”, na esteira do pedido de recuperação judicial da FTX. “Os rumores de que a maioria dos ativos BlockFi é custodiada na FTX são falsos”, disse a empresa em blog, mas acrescentou que tem “exposição significativa à FTX e entidades corporativas associadas”. 

A Ikigai Asset Management, uma startup de gestão de criptoativos com sede em Porto Rico, comunicou que tinha a “grande maioria” de seus ativos na FTX e não conseguiu sacar muitos deles depois que a exchange pediu proteção contra credores na sexta-feira (11). 

A corretora Crypto.com admitiu na segunda-feira (14) o atraso nos saques dos clientes. No dia anterior, a empresa já havia bloqueado a negociação de três ativos: GALA, Serum (SRM) e Raydium (RAY). 

Mas o CEO da corretora, Kris Marszalek, disse durante entrevista em seu canal no YouTube que o balanço da empresa é forte e que a exposição à FTX é mínima, de US$ 10 milhões. Em meio aos rumores sobre problemas financeiros, CRO, token nativo da Crypto.com, acumula queda de 39% em sete dias, embora mostre recuperação nesta terça-feira (15), com ganho de 5,4%. 

Bitcoin hoje 

Os índices futuros das bolsas americanas indicam uma abertura com ganhos em meio ao otimismo de que o Federal Reserve pode desacelerar os aumentos de juros e devido ao alívio das tensões entre EUA e China. 

No mercado futuro de criptomoedas, os preços do Bitcoin foram negociados abaixo do preço à vista na segunda-feira (14), um sinal de cautela dos investidores e a necessidade de hedge para períodos de baixa, destaca artigo do Valor. 

Apesar da volatilidade, alguns segmentos da indústria cripto, como o de finanças descentralizadas (DeFi), mostram melhora dos números. Os volumes de negociação em exchanges descentralizadas (DEXs) atingiram US$ 32 bilhões nos últimos sete dias, de acordo com dados da Dune Analytics. A Uniswap respondeu pela maior parte, com US$ 20,9 bilhões das negociações no mesmo período. 

E por falar em Uniswap, a corretora registrou uma venda de 3 mil ETH no sábado (12) realizada por Vitalik Buterin, cofundador da blockchain Ethereum. A transação foi avaliada em US$ 4 milhões de acordo com a cotação do dia e divulgada pela MistTrack. A empresa de análise perguntou aos seguidores se Buterin teria sido alvo do chamado FUD cripto (sigla em inglês de medo, incerteza e dúvida). 

Edward Snowden, famoso delatorda Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), sugeriu em um post no Twitter na segunda-feira (14) que já sente as mãos coçando para comprar Bitcoin por conta da queda no preço. “Ainda há muitos problemas pela frente, mas, pela primeira vez em algum tempo, estou começando a sentir comichão para voltar”, escreveu, ressaltando que seu comentário não é um conselho de investimento. 

De qualquer forma, a desvalorização do Bitcoin atinge em cheio o Grayscale Bitcoin Trust (GBTC), maior fundo cripto do mundo. Com ativos de US$ 11,4 bilhões, o fundo mostra perdas de 74% desde janeiro, bem acima da queda de 64% do BTC no ano. Isso indica um desconto de 42% em relação ao valor dos bitcoins em carteira, segundo cálculos da Bloomberg. 

Outra empresa de investimentos em ativos digitais atingida pelo inverno cripto é a Valkyrie Investments, mais conhecida por seu ETF de futuros de Bitcoin, que demitiu cerca de 30% da força de trabalho nas últimas semanas, de acordo com a agência de notícias. A empresa tinha 23 empregados. 

Outros destaques  

O Mercado Bitcoin (MB) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) firmaram uma parceria para ministrar um workshop sobre tokenização de ativos e regulação da criptoeconomia. O evento acontece no dia 17 de novembro, a partir das 14h, e terá transmissão ao vivo e gratuita via noomis, plataforma de conteúdo da Febraban Tech. 

O evento conta com a participação de Reinaldo Rabelo, CEO do MB, Leandro Vilain, diretor executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban, André Portilho, sócio e head de Digital Assets do BTG Pactual, entre outros. Clique aqui para mais detalhes. 

A corretora Elite International Realty, de Miami, avança no terreno dos criptoativos. Depois de começar a aceitar moedas digitais em suas transações, a corretora fundada por brasileiros lançou uma divisão de “hipoteca cripto”: financiamento de imóveis que tem o Bitcoin como garantia, segundo o jornal O Globo

A Nike já é uma das marcas de maior sucesso na web3. Agora, vai promover calçados virtuais e outros itens em sua própria plataforma, conforme o The Block. Atualmente em beta, mas com previsão de lançamento da primeira coleção digital no ano que vem, a plataforma. Swoosh permitirá que os fãs da Nike colecionem e até participem da criação de itens virtuais com a empresa.

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