Moedas de bitcoin e ethereum entre dedos à frente de um gŕafico indicando alta
Foto: Shutterstock

As duas maiores criptomoedas vão em direções opostas nesta quarta-feira (10) quando a SEC, a CVM dos EUA, deve finalmente anunciar sua decisão sobre fundos com exposição direta ao Bitcoin no mercado americano, produto que já está disponível no Brasil e em outros países. 

A Valkrie está entre os possíveis emissores desse tipo de ETF nos EUA, e o diretor de investimentos da empresa, Steven McClurg, afirmou à Bloomberg que a probabilidade de que esses fundos comecem a ser negociados amanhã (11) é de 95%. Em entrevista à CNBC, o CEO da VanEck disse que também espera o lançamento dos ETFs nesta quinta-feira. 

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Bitcoin tem baixa de 2% em 24 horas, cotado a US$ 45.743,09, segundo dados do Coingecko.    

Em reais, o BTC cai 1%, negociado a R$ 225.538,50, de acordo com o Índice do Preço do Bitcoin (IPB).   

Com a expectativa da futura aprovação de ETFs à vista de Ethereum (ETH) no horizonte, a segunda maior criptomoeda vai na contramão, com alta de 5,2%, a US$ 2.417,62.  

Dogecoin opera com estabilidade (+0,4%) depois de também ser vítima de fake news sobre a suposta morte do cachorro que inspirou a memecoin. 

Outras altcoins são negociadas entre perdas e ganhos, com destaque para BNB (-1,2%), XRP (-0,1%), Solana (-3,2%), Cardano (-1,9%), TRON (+0,7%), Chainlink (+3,1%), Avalanche (-4,3%), Polkadot (-2,8%), Polygon (+4%) e Shiba Inu (+1,4%).  

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Bitcoin hoje 

O preço do Bitcoin enfrentou forte oscilação no fim da tarde da terça-feira (9), depois de um suposto tuíte da SEC de que o aguardado ETF de Bitcoin à vista havia sido aprovado. No entanto, o presidente da reguladora, Gary Gensler, explicou que a conta da agência no X (antigo Twitter) havia sido comprometida e que nenhum ETF de Bitcoin havia recebido luz verde. 

A maior criptomoeda, que chegou a saltar para US$ 47.900 em meio à euforia dos traders, caiu cerca de 6%, para US$ 45.100 após o desmentido, levando a liquidações de US$ 90 milhões em posições compradas e vendidas em Bitcoin. 

Investidores foram pegos de surpresa pelo comunicado falso. “Isso não estava na minha cartela de bingo hoje”, disse à Bloomberg Ophelia Snyder, cofundadora e presidente da 21Shares, que busca oferecer um ETF de Bitcoin à vista com a ARK Investments. “Não acho que isso afetará o processo ou o que vem a seguir. Não há como, depois de 10 anos de trabalho, isso terminar sem qualquer drama de última hora.” 

Alex Krüger, cofundador da Asgard Markets, observou ao CoinDesk que a reação do Bitcoin frente à informação falsa da SEC pode indicar que a criptomoeda talvez não suba como o esperado se a aprovação realmente sair. 

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Traders também estariam comprando mais opções de venda para se proteger contra surpresas negativas vindas do xerife de Wall Street, de acordo com dados compilados pela exchange de derivativos cripto Deribit. 

“Agora, com as altas expectativas do mercado em relação à aprovação do ETF, como visto com o rali para mais de 45 mil e máximas de seis meses, as pessoas estão fazendo hedge e reduzindo suas posições, comprando opções de venda, e vendendo opções de compra, uma reversão da tendência recente”, disse à Bloomberg Chris Bae, CEO da empresa de trading de derivativos Enhanced Digital Group. 

SEC é criticada após fake news sobre ETF 

Depois da euforia e do susto devido ao tuíte falso, a indústria cripto não poupou críticas à Comissão de Valores dos EUA. 

“Hoje, a @SECGov deu continuidade à sua busca para prejudicar investidores dos EUA. É hora de a SEC responsabilizar a SEC!”, disse no X Tyler Winklevoss, cofundador da corretora cripto Gemini, que está sendo processada pela agência. 

O CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, que foi alvo de um processo da SEC em 2020, afirmou que a reguladora deveria investigar a si mesma. 

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“Dias como este me lembram que 1) a SEC deveria estar se investigando por várias coisas 2) o Crypto Twitter permanece invicto em memes”, postou Garlinghouse no X. 

Também questionada por sua confiabilidade e segurança, a plataforma X, antigo Twitter, disse em comunicado após concluir uma “investigação preliminar” que a SEC não empregou medidas básicas de segurança em sua conta quando foi “comprometida”, o que permitiu a divulgação de um tuíte falso. 

Procurada pelo CoinDesk, a SEC, que ainda está investigando o ocorrido, não comentou. 

Binance, KuCoin e outras exchanges são retiradas da App Store 

A Apple removeu a Binance, KuCoin e outras exchanges offshore de criptomoedas de sua loja de aplicativos na Índia, depois de nove empresas terem recebido alertas de autoridades do país sobre o não cumprimento de regras, informou o CoinDesk

OKX, outra corretora cripto estrangeira, também foi retirada da App Store na Índia, embora não tenha sido notificada por reguladores. Além da Binance e KuCoin, Huobi, Kraken, Gate.io, Bittrex, Bitstamp, MEXC Global e Bitfinex formam o grupo de nove exchanges notificadas. 

No fim de dezembro, a Unidade de Inteligência Financeira (UIF) da Índia ordenou que os sites dessas corretoras fossem bloqueados, alegando que as empresas operam ilegalmente no país por não terem se registrado com a agência e não cumprirem os regulamentos nacionais contra a lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. 

Como o processo é lento, as URLs dessas exchanges ainda funcionam, disse uma pessoa ao CoinDesk. 

Outros destaques das criptomoedas  

Pela primeira vez, empresas de criptoativos e fintechs foram mais multadas porfalhas nos controles do que todo o sistema financeiro tradicional no ano passado, em meio à maior pressão de autoridades globais para frear fundos ilícitos.  

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Dados analisados pelo Financial Times mostram que plataformas cripto e de pagamentos digitais desembolsaram US$ 5,8 bilhões em multas em 2023 (o que inclui os US$ 4,3 bilhões cobrados da Binance) por irregularidades relacionadas à verificação de clientes e controles no combate à lavagem de dinheiro, bem como por não cumprirem sanções e outras regras associadas a crimes financeiros. 

Em parceria com a Polygon Labs, a Fox Corporation, dona dos canais Fox News e Fox Sports, desenvolveu uma plataforma baseada em blockchain chamada Verify, focada em negociar acordos de licenciamento de conteúdo com empresas de inteligência artificial sobre como a propriedade intelectual do conglomerado de mídia é usada, de acordo com comunicado.  

Na Verify, editoras podem registrar conteúdo para comprovar sua origem e trechos são assinados criptograficamente on-chain, permitindo que consumidores identifiquem conteúdo de fontes confiáveis por meio da ferramenta de verificação. 

E um produto da Sony apresentado na CES 2024 em Las Vegas pode abrir uma nova fronteira no mercado de tokens não fungíveis (NFTs), segundo o site TechCrunch. A gigante de produtos eletrônicos, jogos e entretenimento anunciou o desenvolvimento de uma tecnologia de assinatura digital na própria câmera, criando uma “certidão de nascimento” para imagens capturadas com seus aparelhos e possibilitando a verificação de conteúdo.  

Ajudar criadores a navegar pelas oportunidades e, ao mesmo, tempo proteger a autenticidade do seu trabalho é uma prioridade. Estamos colaborando com a Associated Press e outros líderes do setor para criar uma certidão de nascimento digital para imagens tiradas com nossas câmeras. Isto validará a origem do seu conteúdo e ajudará a salvaguardar os fatos e a combater a desinformação”, disse Neal Manowitz, presidente e diretor de operações da Sony Electronics, durante coletiva de imprensa da Sony. 

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