Imagem da matéria: Manhã cripto: Bitcoin (BTC) opera em queda com mercado atento para relatório que mexe com inflação nos EUA
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Depois de operarem com estabilidade na sessão da Ásia, as maiores criptomoedas aceleram as perdas nesta sexta-feira (10), no aguardo de dados-chave sobre a inflação nos Estados Unidos. O Bitcoin (BTC) tem baixa de 1,9%, cotado a US$ 29.959 nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinGecko. O Ethereum (ETH) recua 2,6%, para US$ 1.770. 

No Brasil, o Bitcoin cai 1,6%, negociado a R$ 147.689, de acordo com o Índice do Portal do Bitcoin (IPB).   

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As altcoins acompanham o movimento negativo como Binance Coin (-1,5%), Cardano (-6,3%), XRP (-0,7%), Solana (-5,1%), Dogecoin (-1,9%), Polkadot (-1,5%), Avalanche (-4,5%) e Shiba Inu (-2,3%). 

Investidores do mercado acionário e de criptomoedas estão de olho no relatório de preços ao consumidor nos EUA, que pode confirmar a aceleração da inflação na maior economia do mundo e a continuidade do aperto monetário. 

Na quinta-feira (9), o Banco Central Europeu surpreendeu o mercado ao revelar que começará a elevar os juros a partir de julho. A perspectiva de menor liquidez derrubou os índices na Europa e no mercado americano. 

Terraform Labs na mira 

A crise do ecossistema Terra/Luna também concentra a atenção de investidores. A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA está investigando se a Terraform Labs, empresa por trás da stablecoin TerraUSD (UST), violou regras federais de proteção aos investidores, disse uma pessoa à Bloomberg, que pediu para não ser identificada.  

A investigação da SEC pode colocar mais pressão sobre o CEO da Terraform Labs, Do Kwon, que já enfrenta escrutínio da agência por outro projeto cripto, o Mirror Protocol, que permite a negociação de ativos digitais que seguem os preços de ações dos EUA.  

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A polícia da Coreia do Sul também investiga a Terraform Labs por uma carteira de criptomoedas “suspeita” que pode ter sido usada para desviar as reservas de Bitcoin acumuladas para manter a paridade da UST com o dólar, segundo informações do Financial Times e Bloomberg. A Terraform perdeu um recurso nos tribunais contra a SEC, o que obriga a empresa a responder quando for intimada pela agência e abre caminho para ações coletivas. 

Em meio a tantas investigações, os tokens do ecossistema Terra são negociados com volatilidade nas últimas 24 horas. Os preços da Luna e Luna Classic (LUNC) chegaram a subir 30%, mas perderam força na manhã desta sexta-feira, de acordo com dados do CoinGecko. Contratos futuros que acompanham os dois tokens registraram cerca de US$ 18 milhões em liquidações, aponta o CoinDesk

Aposta em futuro cripto 

A presidente do conselho e CEO da Fidelity Investments, Abigail Johnson, disse que sua confiança nos fundamentos de longo prazo das criptomoedas continua inabalada. “Este é meu terceiro inverno cripto. Houve muitos altos e baixos, mas vejo isso como uma oportunidade”, afirmou a executiva durante o evento Consensus 2022, organizado pelo CoinDesk em Austin, Texas. 

O cofundador do Nubank David Vélez também é otimista. Em entrevista ao Valor, o executivo disse que as criptomoedas e a tecnologia blockchain são o fenômeno mais “disruptivo” do setor financeiro global, com potencial para aumentar a inclusão e reduzir os custos de transferências.  

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Outros destaques 

A maioria das gestoras de investimentos especializadas em ativos digitais no Brasil registrou fortes perdas neste ano. Mas um fundo quantitativo da gestora Titanium conseguiu ganho acumulado de 6,95% de janeiro a maio, conforme o Valor, em contraste com a queda do Bitcoin no período. 

O TC anunciou a aquisição da Dibran DTVM com o objetivo de transformar sua operação numa plataforma de investimentos completa, com a oferta de fundos, ações, títulos públicos, de dívida e bancários. 

A volatilidade dos criptoativos não intimida a Bitwage, que se especializou em operacionalizar o pagamento de salários em criptomoedas como o Bitcoin. A stablecoin USDC, por exemplo, é sucesso entre usuários da plataforma, destaca o Valor

A presença de crianças e adolescentes no mercado financeiro brasileiro quase triplicou nos últimos dois anos, de cerca de 11 mil em março de 2020 para 30.732 atualmente, segundo dados da B3 divulgados pelo Estadão. Os jovens aplicam em ações, renda fixa e também em criptomoedas. 

O 4º Relatório Anual de Fundos de Hedge de Criptomoedas 2022 divulgado pela consultoria PwC e publicado pela Forbes apontou um aumento de 17 pontos percentuais na quantidade de fundos de hedge tradicionais que investem em moedas digitais, de 21% para 38%, no prazo de um ano 

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A Forbes confirmou o fim acordo pelo qual a corretora de criptomoedas Binance iria adquirir parte do controle acionário do grupo de mídia. Em fevereiro deste ano, a exchange havia anunciado um aporte de US$ 200 milhões na famosa revista. O diretor de relações públicas da Forbes, Bill Hankes, disse ao Portal do Bitcoin que a corretora tinha até o dia 1º de junho para formalizar o negócio, o que não foi feito.  

Reportagem do New York Times no fim de maio revelou que a Forbes havia desistido do plano de abrir o capital por meio de uma fusão com a Magnum Opus Acquisition, uma empresa de cheque em branco, ou SPAC, que contaria com a participação da Binance. 

A empresa de custódia de criptomoedas Anchorage Digital e outras companhias globais cripto criaram uma rede de exchanges de custódia para melhorar as negociações e liquidez para investidores institucionais, informou o CoinDesk. A exchange Binance.US faz parte da nova rede, enquanto CoinList, Blockchain.com, Strix Leviathan e Wintermute também planejam fazer parte do grupo, de acordo com comunicado. 

Para alguns, migrar de Wall Street para o mundo das finanças descentralizadas (DeFi) pode parecer assustador. Mas não para Mary-Catherine Lader, que deixou uma carreira brilhante na BlackRock para comandar as operações da Uniswap Labs, criadora do maior protocolo de exchange descentralizada do mundo. “As consequências trágicas de Terra e Luna demonstram que precisamos de regras, sejam elas provenientes de reguladores ou da comunidade de investimentos, para que os investidores saibam os riscos que estão correndo”, disse Lader à Bloomberg. 

Outra exchange descentralizada fará companhia à Uniswap em meados deste ano. A formadora de mercado de criptomoedas Wintermute prepara o lançamento da Bebop, uma “DEX” que também funcionará na rede Ethereum. Exchanges descentralizadas permitem que usuários negociem tokens sem verificações de identidade (conheça seu cliente), ao contrário de corretoras centralizadas. 

A Coinbase Global, que é uma exchange centralizada, decidiu fazer um investimento estratégico na corretora de criptomoedas Zipmex, com sede em Singapura, informou o The Block. A Zipmex, que chegou a negociar uma fusão com a Coinbase, teria planos de captar US$ 40 milhões em uma Série B+, o que elevaria sua avaliação para US$ 400 milhões. 

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O rapper Shawn Corey Carter, o famoso Jay-Z, e Jack Dorsey, cofundador do Twitter e CEO da Block, lançaram a Bitcoin Academy, um programa de educação financeira para ajudar a comunidade onde o cantor cresceu, no Brooklyn. A Bitcoin Academy irá oferecer uma série de aulas online e presenciais que terão início neste mês, com temas como “O que é dinheiro?” e “O que é blockchain?” 

Regulação, Cibersegurança e CBDCs 

O Banco Central descarta um controle excessivo do real digital e garante que não haverá congelamento de saques, e sim um mecanismo semelhante aos “circuit breakers” nas bolsas de valores. “Não será possível congelar CBDC nenhuma. O que o sistema pode fazer é congelar uma stablecoin em crise”, disse Fabio Araújo, coordenador do projeto da moeda digital do BC, em entrevista à Exame. 

Bancos poderão se alavancar nos depósitos que receberem de clientes do real digital em desenvolvimento pelo Banco Central, de acordo com artigo do Valor, seguindo os mesmos princípios aplicados atualmente às captações feitas em reais convencionais. Na prática, as instituições financeiras poderão emitir um maior volume de stablecoins do que captam de clientes. 

O dólar digital foi tema de um debate acalorado no evento Consensus 2022. Dante Disparte, diretor de política da Circle Internet Financial, emissora da stablecoin USD Coin, disse que as moedas digitais de bancos centrais (CBDC) são uma “ideia absurda”. No entanto, Rohan Gray, professor de Direito da Universidade Willamette, alertou que os esforços do setor privado para criar uma forma de dinheiro de ampla circulação colocariam o contribuinte em risco se essas iniciativas fracassassem.

Empresas de criptomoedas licenciadas nas Bermudas se uniram para formar a primeira associação da indústria de ativos digitais da jurisdição, segundo anúncio do primeiro-ministro David Burt, durante a mesma conferência. Chamada “Next”, a associação nasce com 14 empresas de ativos digitais, entre elas, Apex Group, Bittrex, BlockFi e Circle. 

Depois da invasão que resultou no roubo de 20 milhões de tokens OP da Optimism, o hacker enviou 1 milhão deles para carteira de criptomoedas de Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum. 

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellendisse em evento organizado pelo New York Times que os criptoativos são “muito arriscados” para serem incluídos em planos de aposentadoria e defendeu que o Congresso aborde esse tema. 

Metaverso, Games e NFTs 

A Mastercard anunciou planos para ampliar o acesso ao mercado de tokens não fungíveis (NFTs) por meio de pagamentos com cartões de crédito, conforme o The Block. Em publicação em um blog na quinta-feira (9), Raj Dhamodharan, vice-presidente executivo da empresa, disse que a empresa fechou um acordo com empresas como Immutable X, The Sandbox e MoonPay para permitir o comércio NFT. 

Aplicativos descentralizados, como NFTs e games, não saíram ilesos da recente turbulência, mas o ecossistema já parece ensaiar uma recuperação, mostra novo relatório do DappRadar. O número de carteiras únicas diárias e ativas que interagiram com esses aplicativos somou 2,2 milhões em maio, queda de 5% em relação a abril, mas o volume é 32% maior na comparação anual. 

A organização de Artes Marciais Mistas UFC e a plataforma de blockchain VeChain firmaram uma parceria de vários anos por meio da integração com eventos ao vivo e produção de conteúdo original para canais digitais e redes sociais, segundo comunicado. Com o acordo, a VeChain, especializada em ferramentas blockchain para o mundo real, terá visibilidade em cerca de 900 milhões de lares em 175 países que recebem as transmissões da UFC. 

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