Justiça nega prisão de médico investigado por golpe no Maranhão, mas obriga uso de tornozeleira

Segundo denúncias na época, Murad prometia de 12% a 15 % de rendimento ao mês nas aplicações

Justiça nega prisão de médico investigado por golpe no Maranhão, mas obriga uso de tornozeleira
Abdon Murad Júnior é suspeito de aplicar golpe de pirâmide em São Luís (Foto: Arquivo pessoal/Facebook)


A Justiça do Maranhão negou um pedido de prisão preventiva contra o médico Abdon Murad Júnior, suspeito de aplicar golpe financeiro em centenas de pessoas. No entanto, de acordo com despacho da 1ª Vara da Comarca de Araioses no último dia 17, o investigado deve ser monitorado eletronicamente com uso de tornozeleira por 100 dias.

Segundo o despacho, publicado nesta segunda-feira (22), o pedido de prisão é oriundo de um processo que corre em segredo de Justiça.

A petição, diz o documento, foi feita pelo delegado Janio José Aragão Pacheco com endosso do Ministério Público daquele estado. Ele acusa Murad de não estar cumprindo as medidas cautelares anteriormente determinadas.

Médico pode ter aplicado 171

Conforme a publicação, Murad é citado como suspeito de praticar crimes tipificados no art. 171 do Código Penal. Contudo, o juiz não viu necessidade de prendê-lo já que por meio de seu advogado, ele entregou o passaporte e se encontra no Brasil.

“Não vejo indícios de que o investigado tenha a intenção de dificultar o andamento das investigações ou fugir do distrito da culpa, pois a determinação de entrega dos passaportes foi regularmente cumprida”, diz o juiz.

Ressaltou, porém, que as medidas cautelares que foram determinadas anteriormente devem ser cumpridas. Murad está proibido de ausentar-se da comarca sem prévia autorização judicial e sem comunicação à autoridade do local onde será encontrado.

Segundo o juiz, sua permanência é conveniente e necessária para a continuidade da futura instrução criminal, devendo comparecer, prontamente e sem embaraço, a todos os atos do processo em que seja solicitada a sua presença.



“Entendo que a aplicação da medida cautelar consistente no monitoramento eletrônico será suficiente para evitar que o investigado volte a viajar sem requerer autorização judicial para tanto”.

O juiz também determinou que, em no máximo 24h, contados da ciência da decisão, a defesa de Murad informe o local onde poderá ser encontrado e contato telefônico, para fins de cumprimento dos atos necessários à investigação

Suspeito não foi encontrado

Segundo a publicação, na ocasião onde Murad tinha que entregar seu passaporte para a Justiça, ele não foi encontrado e seu paradeiro também era desconhecido.

“A intimação foi entregue para Maria Raimunda Braga, funcionária da família, que também não soube informar o paradeiro do representado”.

O passaporte, contudo, foi entregue depois por seu advogado, que mostrou para as autoridades as passagens aéreas para provar que Murad não se encontrava naquele local. Mas àquela altura o médico já não podia viajar sem avisar a Justiça.

Médico foi cobrado em público

Abdon Murad Júnior, conhecido cirurgião bariátrico, virou notícia em abril deste ano, quando uma suposta vítima o denunciou publicamente por meio de um carro de som. “Cadê o dinheiro do povo doutor?”.

O médico é dono da empresa de investimentos ‘Abdon Murad Junior Participacoes e Empreendimentos Imobiliários’.

Sobre o negócio, a Justiça foi informada de que Murad é suspeito de “receber investimentos de terceiros e que prometia remunerar o capital com lucros elevados e certos, sob o pretexto de que o capital aportado era investido na bolsa de valores, bem como em ativos no exterior”.

Segundo denúncias na época, Murad prometia de 12% a 15 % de rendimento ao mês nas aplicações.


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