Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó do Bitcoin"
(Foto: Reprodução)

A Justiça do Rio de Janeiro determinou que a GAS Consultoria, cujo dono é Glaidson do Santos, o “Faraó do Bitcoin”, tem até o dia 30 de junho para informar sua lista de clientes, o valor devido e os recursos disponíveis para ressarcimento de cerca de 200 mil credores, segundo matéria publicada pelo jornal O Globo no domingo (05). Glaidson está preso há oito meses no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, sob várias acusações, como crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro.

Segundo o jornal, a expectativa do administrador da recuperação judicial, Sergio Zveiter, do Escritório de Advocacia Zveiter —  designado pela 5ª Vara Empresarial da capital para administrar a recuperação —  é de que a GAS forneça capital suficiente para ressarcir todos os investidores.

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No momento, encontram-se bloqueados pela pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio cerca de R$ 400 milhões em criptomoedas e bens sequestrados de Glaidson e sócios. No final de maio, o escritório começou a cadastrar em seu site os credores da GAS Consultoria. Até sexta-feira passada, afirma O Globo, o administrador judicial registrou cerca de 10 mil credores da GAS.

O destino dos valores apreendidos divide a equipe do Ministério Público Federal no Rio (MPF-RJ) responsável pela investigação contra Glaidson. Enquanto um grupo entende que a juíza Rosália Monteiro Figueira, titular da 3ª Vara Federal Criminal, deve dar perdimento nos valores, transferindo-os para a União, outro grupo defende que devem ser repassados para a Justiça Estadual e entregues aos investidores lesados.

O escritório Zveiter já expediu ofícios à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Banco Central (Bacen) para que possam indicar as instituições financeiras que irão administrar os recursos. No entanto, o destino do montante apreendido ainda é incerto: pode ir tanto para a União quanto para o Estado do Rio. Contudo, o processo de recuperação só pode começar depois que a empresa cumprir as exigências legais, ressalta a publicação.

Novo mandado de prisão

Há cerca de duas semanas, a Justiça do Rio emitiu um novo mandado de prisão preventiva para Glaidson. A deliberação partiu da juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine, da 4ª Vara Criminal de Niterói, após analisar uma denúncia do Ministério Público embasada em um inquérito de estelionato da 76ª Delegacia de Polícia — uma mulher teria investido R$ 30 mil na GAS, cuja promessa era de um retorno de 10% ao mês.

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Na terça-feira, o advogado Carlos Daniel Dias André, que atuava na defesa de Daniel Aleixo Guimarães, braço direito de Glaidson, foi assassinado em Niterói (RJ). Aleixo e Glaidson são apontados como principais suspeitos do homicídio de um dos concorrentes de Glaidson, chamado Wesley Pessano.

Glaidson também é réu por tentativa de homicídio em um crime que ocorreu em março do ano passado contra um suposto concorrente seu, Nilson Alves da Silva, conhecido como ‘Nilsinho’, que ficou gravemente ferido, mas sobreviveu.

Operação Kriptos

Em agosto de 2021, a Polícia Federal deflagrou a Operação Kryptos, para investigar a fraude milionária aplicada por Glaidson Acácio dos Santos através da GAS Consultoria. A empresa de investimentos prometia rendimentos que supostamente viriam de trading com criptomoedas.

Na ocasião da prisão de Glaidson, outros suspeitos foram detidos ou conseguiram fugir a tempo, como a esposa do ex-garçom, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa.

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A defesa de Glaidson já teve vários pedidos de habeas corpus negado pela Justiça por conta do potencial risco de fuga que, segundo magistrados, pode culminar em lesão irreversível aos investidores.

Durante a operação, as autoridades apreenderam 591 bitcoins que estavam em posse de Glaidson, dezenas de carros de luxo e mais de R$ 13 milhões em espécie.

Desde que foi Glaidson preso, sua defesa já enviou diversos pedidos de Habeas Corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Todas as decisões, até o momento, negaram as solicitações, argumentando não haver ilegalidade na sua prisão preventiva da Glaidson.

As investigações comprovaram que ele planejava fugir do Brasil antes da prisão e que, mesmo após estar preso, continuou operando o sistema criminoso.

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