Imagem de Glaidson Acácio dos Santos, mais conhecido como Faraó do Bitcoin
Glaidson Acácio dos Santos, mais conhecido como Faraó do Bitcoin (Foto: Reprodução)

O advogado Jeferson Brandão irá até Portugal denunciar às autoridades locais que o esquema de pirâmide da GAS Consultoria ainda continua funcionando no país, supostamente através de uma empresa chamada Kastelokódigo Unipessoal Ltda. As informações são do jornal O Globo em edição desta quinta-feira (04).

De acordo com a publicação, assim como milhares de brasileiros, Brandão alega ser uma das vítimas de Glaidson Acácio dos Santos, o ‘Faraó do Bitcoin’, que está preso em uma penitenciária no Paraná.  Além de ter perdido dinheiro no negócio, o advogado representa clientes lesados pela GAS, cujo golpe que usou as criptomoedas como isca pode ter movimentado R$ 38 bilhões.

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Conforme relatou à coluna, o advogado vem reunindo indícios de que Glaidson e sua mulher, Mirelis Zerpa, ainda poderiam operar no país com a ajuda de “discípulos do Faraó”, supostamente através da Kastelokódigo, empresa com sede em Lisboa. Portanto, ele acredita que vários portugueses ainda continuam caindo no golpe.

“A minha suspeita é que o casal, conforme contratos que me foram enviados, já tinha uma filial da empresa em Portugal, e que, supostamente, junto com ex-consultores e sócios da GAS, ainda poderiam estar operando na mesma atividade em solo português”, disse Brandão.

Com viagem marcada para julho, Brandão afirmou que a estratégia é apurar se o dinheiro que pode estar sendo movimentado agora pela Kastelokódigo pode ser usado para ressarcir as vítimas da GAS no Brasil.

“Supostamente, estão sendo ‘trabalhados’ os valores”, disse ao jornal, acrescentando: “E sendo captados novos valores em prejuízo dos clientes que esperam os seus pagamentos há cerca de 21 meses”.

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A reportagem publicou um print do contrato.

Reprodução

“Turnê do Golpe” da Gas Consultoria

Outro ponto citado por Brandão é que Glaidson teria enviado um pastor evangélico a Portugal, antes de ser pego na operação Kryptos, da Polícia Federal — em agosto de 2021, para captar novos clientes, que ele teria chamado de “turnê do golpe”. Segundo ele, a estratégia era montar escritórios e conseguir contratos.

Ele disse que conseguiu comprovar pelo menos um dos contratos feitos em Portugal, com uma investidora que pediu para não ser identificada. Ela teria investido 5 mil euros (cerca de R$ 28 mil) naquela jurisdição, com promessa de rendimento de 5% ao mês. Ela também teria investido R$ 40 mil na GAS no Brasil, com promessa de 10%.

“Quando soube que atuavam em Portugal, quis saber como viabilizar, porque tenho família no país, herança… Então, se continuam operando, têm que me pagar o rendimento ou devolver o meu dinheiro, disse a vítima ao jornal.

Empresas de fachada no exterior

No mês passado, O Globo também revelou que a família da venezuelana Mirelis Zerpa, esposa de Glaidson, manteve uma rede de empresas no exterior para lavar dinheiro da GAS Consultoria. As informações na época decorreram de clientes lesados que foram ouvidos por especialistas da Colômbia.

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Uma dessas companhias funcionou por cerca de três anos no país para injetar dinheiro de origem desconhecida no mercado de câmbio local. A empresa, identificada como Consultoria Y Tecnologia Avanzada S.A.S, esteve operacional entre março de 2020 e dezembro de 2022 na cidade de Medellín.

O objetivo, segundo as testemunhas, seria lavar dinheiro para ocultar os ganhos oriundos de golpes em vários países do esquema transnacional de pirâmide financeira criado pela GAS Consultoria.

Foi nesta reportagem que veio à tona o nome da “KasteloKódigo Unipessoal Ltda”, e outra nos EUA, “EYD Investment”, cuja sede era em Miami.

GAS Consultoria, Glaidson e Mirelis

No que tange à esposa de Glaidson, apesar de ter recebido um habeas corpus no ano passado — após ter gravado uma série de vídeos se defendendo das acusações contra a GAS Consultoria, Mirelis está foragida do Brasil desde que Glaidson foi preso na Operação Kryptos da Polícia Federal, em agosto de 2021. 

Ela é acusada de formar junto com o marido uma organização criminosa suspeita de prática de pirâmide financeira, cuja isca era investimentos em criptomoedas.

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Glaidson, que antes trabalhava como garçom, criou os negócios fraudulentos a partir da cidade de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, onde prometia até 10% de rendimentos ao mês para as pessoas que aportavam dinheiro na empresa.

Quando foi alvo da PF e MPF, as autoridades encontraram na casa de Glaidson várias malas de dinheiro, contendo pelo menos R$ 13 milhões, carros de luxo, joias e 591 bitcoins. 

Em dezembro do ano passado, a Justiça do Rio de Janeiro decidiu que Glaidson vai a júri popular por acusação de homicídio agravado pela prática de extermínio de seres humanos.

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