G44 propõe pagar em 40 vezes a partir de 2021, e vítimas chamam proposta de “novo calote”

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Festa de gala promovida pela G44 Brasil, em Brasília. Empresa nega ser esquema de pirâmide financeira. Foto: Reprodução/G44 Brasil

As cerca de 10 mil pessoas que estão sem receber pelos investimentos feitos na G44 Brasil receberam na noite de sábado (20) uma proposta de acordo. De acordo com ela, os pagamentos começariam somente em fevereiro e se estenderiam por 40 parcelas, arrastando a questão pelo menos até maio de 2024.

O acordo também prevê a possibilidade de uso de bitcoin para o pagamento, mas sem compromisso com as oscilações da criptomoeda. Valeria, nesse caso, a cotação no momento da transferência para uma carteira digital designada pelo credor.

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Nos grupos de vítimas da G44, a nova proposta de acordo foi ironizada como “nova proposta de calote” e irritou ainda mais os credores.

“É um acordo absurdo onde eles propõem pagar apenas a diferença”, disse uma investidora que falou ao Portal do Bitcoin sob o nome fictício de Mariana* por temer represálias. Ela disse ter aportado R$ 11 mil e obtido cerca de R$ 1.000 em rendimentos.

A proposta feita a Mariana* pela G44, no entanto, prevê apenas o pagamento de R$ 9,4 mil, em 40 parcelas, de fevereiro de 2021 a maio de 2024. Para ela, a única possibilidade de tentar reaver ao menos uma parte desse dinheiro é a Justiça.

“Acreditei neles. Depois tive raiva. E agora mais uma vez eles não cumpriram com a palavra. Estava esperando [o acordo]. Agora com certeza vou entrar [na Justiça]”, completou.

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A via judicial já foi adotada por outro investidor, identificado aqui como Samuel* pelos mesmos motivos de Mariana. “Se for pra acreditar na terceira promessa deles e receber em 5 anos, prefiro aguardar na Justiça mesmo”, resumiu.

Live sobre novo acordo

Ao que parece a insatisfação chegou até a Saleem Ahmed Zaheer e Joselita Escobar, líderes da G44, que fizeram uma live no domingo (21) pelo canal da empresa no YouTube para falar do acordo.

Algumas falas da dupla ao longo do vídeo, no entanto, dão a entender que eles estão atualmente fora do Brasil, uma suspeita forte junto às vítimas da G44.

“Mesmo que eu tenha que voltar para o Brasil, essa ‘coisa’ eu pago. Essas coisas vão acontecer exatamente como estou a dizer”, disse Zaheer. Já Escobar em vários momentos usa a expressão “lá no Brasil” durante a transmissão.

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Sobre o acordo em si, Zaheer se queixou logo no começo da transmissão, que durou 40 minutos, que não dão a ele tempo para se explicar sobre as medidas tomadas.

“Vocês nem me dão tempo para explicar o que eu fiz nesse acordo. Até agora todo mundo entendeu tudo errado”.

Live com os presidentes Saleem Ahmed Zaheer e Josy Escobar

Segundo Zaheer, as parcelas de pagamento não necessariamente seriam quitadas mensalmente, conforme consta no acordo, mas poderiam ocorrer até diariamente. A dupla ainda ironizou as manifestações nos grupos de vítimas.

“Esses grupos as pessoas não têm o que fazer. Esses sim ficam no blá-blá-blá”, disse Zaheer. “Por que não falam algo positivo?”, acrescentou Escobar.

Tática conhecida?

Essa foi a terceira transmissão feita pela dupla desde maio. Nas falas anteriores, eles sugeriram prazo de cinco anos para concluir o pagamento do capital devido às vítimas e chegaram a condicionar esse ressarcimento à desistência de ações já em curso na Justiça.

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A oferta de um acordo em troca da retirada do processo é um procedimento que já foi adotado no passado recente por outras empresas acusadas de pirâmide financeira.

Unick Forex, BWA e Bitcoin Banco são casos conhecidos de empresas que propuseram acordos para pagamentos de dívidas.

No entanto, mesmo nos casos nos quais houve assinatura, os pagamentos não aconteceram e milhares de pessoas ficaram no prejuízo.

Problemas de liquidez e multa da CVM

A proposta de acordo é mais um capítulo na trajetória da empresa, que poucas semanas após celebrar dois anos de existência em uma luxuosa festa em Brasília admitiu problemas de liquidez. Nesse momento, sacramentou o calote, embora vítimas já relatassem atrasos datados de meses antes.

Sediada em Taguatinga (DF), a G44 opera no Brasil desde 2017. Ela se define como uma “holding empresarial que faz gestão de empresas do segmento de tecnologia em criptomoedas, mineração de pedras e metais preciosos e prestação de serviços”.

O crescimento do grupo, somado às estratégias binárias de captação de investidores, chamou a atenção das autoridades. Ainda em 2018 a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) emitiu um alerta ao público de que a empresa estava operando de forma irregular no Brasil.

A persistência da atividade levou a G44 a julgamento pelo colegiado da CVM. E no último dia 9 de junho, por unanimidade, a comissão condenou a empresa e seus sócios a pagarem multas que somam R$ 750 mil pela oferta de investimentos mobiliários sem autorização da autarquia.


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