logo do bitcoin em cima de livro
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A tokenização de ativos é uma ponte entre o mercado tradicional e o setor de criptomoedas. Com esse processo de vender ativos digitais com registros em blockchain se tornando mais comum, a expectativa é que as tecnologias de vanguarda das finanças descentralizadas (DeFi) terão uma assimilação mais fácil.

Esta é a tese do empresário Gustavo Cunha expandida em seu novo livro “A Tokenização do Dinheiro: Como Blockchain, CBDC, Stablecoins e DREX mudaram o Futuro”, pré-lançado no formato digital nesta quinta-feira (5).

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O autor falou com o Portal do Bitcoin sobre como enxerga as intersecções entre o mercado tradicional e o setor cripto. Em especial, os impactos do surgimento do DREX, nome oficial do Real Digital, no dia a dia dos brasileiros.

Cunha também aborda como o mercado de câmbio está sofrendo pressão das stablecoins para se atualizar. Na visão do especialista, um mercado global de câmbio só com stablecoins, rodando em exchanges descentralizadas, já seria possível. “Os bancos centrais sabem disso e por isso que estão correndo com as suas CBDCs, para controlar esse ambiente”, explica.

Atualmente, Gustavo Cunha é CEO da FinTrender, uma plataforma dedicada a inovações, tecnologia, blockchain, criptoativos, stablecoins, web3, CBDC, inteligência artificial e transformações digitais. Já teve passagens como executivo sênior nos mercados de derivativos e risco financeiro.

O lançamento oficial de “A Tokenização do Dinheiro: Como Blockchain, CBDC, Stablecoins e DREX mudaram o Futuro” será no dia 10 de outubro, mas o livro digital já está disponível para pré-venda na Amazon. 

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Confira abaixo o bate-papo com Gustavo Cunha:

Recentemente, um executivo do JP Morgan disse que 99% das conversas que tem dentro do banco são sobre tokenização de ativos e não cripto. Você acha que o mercado tradicional está seguindo nesse caminho?

Gustavo Cunha: A tokenização é um pouco da ponte que está fazendo essa junção. No livro eu falo bastante de DeFi como sendo aquela coisa lá na frente, que é a inovação pura e crua, tem uma facilidade muito grande de inovar por estar em um mundo permissionário, não regulado, aberto e global. E o mercado tradicional vai olhando isso, tentando se ajustar e usando essas tecnologias. 

O Drex tem como objetivo facilitar a venda de produtos financeiros entre pessoas e empresas, diferente do PIX, que é um meio de pagamento massivo. qual é a sua expectativa para adoção do Drex? Ele fará parte da vida rotineira das pessoas?

O Drex nós vamos utilizar sem saber. Ninguém nunca soube como funciona o TED [sistema de transferência bancária] mas todo mundo utilizou. Mesmo paralelo com Web3, porque ninguém sabe como o TCP/IP [sistema de protocolos que é a base da internet] funciona, mas todo mundo usa a internet. O Drex vai ser uma coisa igual. Uma plataforma que vai estar aí para todo mundo utilizar, que vai facilitar muito a parte de liquidações atômicas e que as pessoas talvez nem saibam que vão estar usando.

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O mercado cripto brasileiro deixou de ter dominância do Bitcoin para um domínio absoluto de USDT. Nos bastidores, a conversa é que empresas usam a stablecoin para fazer remessas gigantes de capital ao exterior. O BC já começa a olhar para isso como uma possível evasão fiscal intensa. Como você analisa o uso das stablecoins no país e o cenário regulatório que pode se formar sobre essa questão?

Essas questões de transferências transfronteiriças são um caso de uso que está aí. No livro eu comento: se a gente tivesse moedas com stablecoins com liquidez, estando registradas dentro de uma DEX [corretoras de criptomoedas descentralizadas], isso seria o mercado global de câmbio. Obviamente ele não seria regulado, não estaria sob o controle dos governos, são várias diferenças no que temos hoje. Mas em termos de tecnologia isso já é possível.

Os bancos centrais sabem disso e por isso que estão correndo com as suas CBDCs, para controlar esse ambiente, para regular e deixar de uma forma que seja seguro para todo mundo utilizar. Uma das preocupações do BIS [Banco de Compensações Internacionais] é como facilitar o câmbio. Tokenização da moeda ajuda muito isso e as stablecoins são a linha que mostra isso para frente. 

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