Ethereum ultrapassa US$ 300 e registra maior preço dos últimos 10 meses
(Foto: Shutterstock)

Do ETH 1.X a Beacon Chain, confira tudo que rolou no Ethereum em 2019 e o que esperar para 2020.

O Ethereum é hoje uma das criptomoedas mais significativas e rentáveis do mercado, atrás somente do Bitcoin. A cada ano, essa cripto vem se popularizando cada vez mais e atraindo a atenção dos investidores atentos à indústria.

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Porém, o Ethereum é muito mais do que uma simples criptomoeda. Na verdade, podemos dizer que existem duas “versões” dele: o Ethereum projeto e a criptomoeda Ethereum, ou Ether (ETH).

A primeira versão diz respeito a uma plataforma descentralizada capaz de executar contratos inteligentes e aplicações descentralizadas (dapps) através da tecnologia Blockchain que está revolucionando o mercado financeiro mundial.

A segunda versão é a criptomoeda usada por essa plataforma, para rodar os contratos inteligentes e serviços computacionais na rede e pagar os mineradores pelas validações das transações.

No ano passado, ambas ‘versões’ do Ethereum viveram bons momentos e garantiram ganhos e oportunidades para muitos investidores e organizações, apesar do momentos de queda na cotação.

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Para esse ano que está apenas começando, fica a dúvida para muitos investidores: o que esperar do Ethereum em 2020?

No artigo a seguir, trouxemos uma recapitulação de tudo que rolou em 2019 no projeto e tudo que você pode esperar dele para os próximos meses. 

Continue a leitura!

O que aconteceu com o Ethereum em 2019

2019 foi um ano de progresso substancial para o Ethereum, no qual foram introduzidas importantes atualizações para o protocolo.

Tanto a plataforma quanto o Ether cresceram em termos econômicos e grandes desenvolvimentos tecnológicos foram feitos, trazendo uma série de novas possibilidades e oportunidades para os usuários.

Grandes desafios enfrentados pela indústria de criptomoedas como um todo também foram abordados, primariamente pela comunidade Ethereum.

Isso resultou em avanços que elevaram o projeto a um outro patamar e estabeleceu as bases para um futuro promissor nessa década que se inicia.

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A volatilidade das criptos que dificulta sua utilização como meio de pagamento, por exemplo, foi amenizada na plataforma Ethereum com a criação de stablecoins, como a Dai, que transformaram o sonho do P2P (peer-to-peer) em realidade.

Abaixo, você confere tudo que rolou no Ethereum em 2019, incluindo este e outros avanços tecnológicos que estão transformando a indústria de criptomoedas como um todo.

A economia do Ethereum continuou a crescer

Apesar de 2019 não ter sido um ano de alta substancial na cotação do Ether, a economia do Ethereum cresceu, e cresceu muito, principalmente por conta do DeFi — maior ecossistema dentro da plataforma, que se propõe a ser um sistema financeiro mundial alternativo.

No ano passado, a quantidade de dinheiro armazenada nos contratos inteligentes que servem de infraestrutura para esse sistema alternativo mais do que dobrou, indo de US$ 300 milhões em 2018 para US$ 667 milhões no final de 2019.

O número de protocolos DeFi com fundos significativos também cresceu muito, diversificando este mercado e atraindo cada vez  mais usuários interessados em testar as novas possibilidades trazidas pelo financiamento descentralizado.

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Contudo, o DeFi não foi o único responsável pelo crescimento econômico vivenciado pelo Ethereum em 2019.

O aumento no volume e variedade de exchanges descentralizadas, que permitem fazer trade através da internet sem a interferência de intermediários centralizados, também trouxe mais investidores e dinheiro para o projeto.

O setor de games dentro da plataforma também cresceu muito, movimentando milhões de dólares, e a criação de stablecoins transformaram em realidade o sonho de pagamentos peer-to-peer. Isso tem atraído um número cada vez maior de usuário ditos “comuns” que estão injetando dinheiro no projeto.

Houve popularização acentuada

2019 foi o ano em que o Ethereum chegou ao mainstream e se popularizou substancialmente em todo o mundo.

Os avanços tecnológicos na plataforma que veremos melhor no próximo tópico, tornaram-a mais receptiva e interessante para os usuários, além de proporcionar mais segurança e oportunidades para os investidores.

Com isso, o número de usuários, empresas e organizações explorando o potencial do projeto cresceu em todo o globo. Teve até jogador famoso da NBA ‘tokenizando’ seu contrato de US$ 13,5 milhões, usando a plataforma Ethereum para inovação financeira.

Se alguém tivesse dito, em 2015, que isso aconteceria, ele jamais seria levado à sério. Em 2019, porém, isso aconteceu, juntamente com uma série de outras investidas em direção ao mainstream da indústria:

  • O time da NBA Sacramento Kings lançou uma recompensa para os fãs baseadas em tokens Ethereum;
  • A Samsung lançou uma plataforma desenvolvida para o Ethereum e anunciou um smartphone com wallet nativa para a criptomoeda;
  • A famosa série Star Trek anunciou diversas naves colecionáveis que serão lançadas como NFTs no Ethereum.

Enquanto isso, no mundo corporativo, os avanços tecnológicos tornaram o Ethereum mais receptivo para empresas, o que atraiu várias novas organizações para a plataforma e a popularizou ainda mais no universo empresarial.

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Diversos avanços tecnológicos aconteceram

Em 2019, o Ethereum passou por grandes evoluções tecnológicas que representaram os updates mais significantes desde o lançamento do Ethereum homestead, em 2016. 

Os desenvolvimentos abordaram questões importantes como tempo de sincronização de clientes, rendimento de transação e emissão, e I/O de discos de clientes.

Entre as muitas mudanças, também houve a chegada de diversos avanços no projeto ETH 1.X.

O ETH 1.X nasceu como uma proposta de melhorar o Ethereum, trazendo mais performance de IO de disco e tempo de sincronização, além de uma série de outros avanços na plataforma.

Em 2019, o projeto progrediu e algumas dessas metas começaram a ser atingidas.

Entre elas está o aumento na velocidade com que os nós do sistema conseguem replicar as transações. Ano passado, essa taxa cresceu de 25 para 38 transações por segundo.

Outro avanço foi a diminuição na emissão de Uncle Blocks, blocos de transações que acabam sendo rejeitados pela Blockchain devido ao funcionamento do sistema e prejudicam a plataforma.

Isso, juntamente com as mudanças trazidas pelo Hard Fork Constantinople, reduziram a emissão de Ether de 3 ETH para 2 ETH. Como resultado, Ethereum e Blockchain agora têm taxas de emissão parecidas.

E essa taxa cairá ainda mais no futuro Ethereum 2.0, quando a rede for completamente Proof-of-Stake. Não sabe do que estamos falando? Continue acompanhando e descubra! 

O que esperar do Ethereum para 2020

Apesar dos muitos avanços tecnológicos que o Ethereum passou até o momento, em seu estado atual, ele tem falhado em prover soluções viáveis para o mundo empresarial.

Tem enfrentado também uma concorrência ferrenha de outras blockchains, além da impaciência de desenvolvedores e investidores.

Para enfrentar essas e outras questões preocupantes, os desenvolvedores do Ethereum estão criando uma nova atualização gigantesca para a plataforma, conhecida como Serenity ou Ethereum 2.0.

Esse update será lançado em uma série de fases que chegarão nos próximos anos, sendo que pelo menos uma delas é esperada para 2020. 

Essa atualização, juntamente com os impactos que ele terá, compõem um cenário de oportunidades e desafios para o Ethereum este ano e abaixo você confere em detalhes tudo que é esperado para a plataforma.

A introdução da Beacon Chain

A primeira fase do Ethereum 2.0, conhecida como Beacon Chain, é esperada para ser lançada nos próximos meses com uma série de mudanças e trazendo uma nova blockchain baseada no protocolo Proof-of-Stake, o que vai revolucionar a plataforma.

A Blockchain atual funciona através do protocolo Proof-of-Work, que consiste em equações matemáticas extremamente complexas que só podem ser resolvidas por supercomputadores. 

Seu objetivo é barrar ações maliciosas, fazendo com que o processo de validação das transações ou mineração seja difícil e caro. Assim, apenas mineradores realmente bem intencionados se envolvem com a plataforma.

Apesar de bem sucedido nesse objetivo, o Proof-of-Work falha em muitos outros. Isso porque, além de exigir quantidades significativas de eletricidade, também tem um número limitado de transações que podem ser processadas simultaneamente.

Já a Beacon Chain, baseada no protocolo Proof-of-Stake, é muito mais eficiente e econômica, pois, ao invés de exigir alto poder computacional para validar as transações, a Beacon Chain apenas considera a quantidade de transações já validadas pelos mineradores para distribuir as novas validações. 

Assim, o sistema ganha mais performance e segurança e se torna mais justo e igualitário, trazendo transações mais escalonáveis e diminuindo a dependência de eletricidade.

Mas o Proof-of-Stake não é a única mudança que a Beacon Chain trará. Entre as diversas outras funcionalidades estão:

  • Atribuição e monitoramento de validadores;
  • Distribuição de recompensas pela manutenção da rede;
  • Imposição de sanções a validadores desonestos.

Todas essas mudanças terão consequências profundas no Ethereum projeto, trazendo impactos na cotação e na adoção da plataforma, como veremos a seguir.

Impacto na cotação

O impacto da introdução da Beacon Chain, juntamente com outros fatores, na cotação da criptomoeda Ethereum este ano ainda é duvidoso.

Enquanto alguns analistas apostam em altas acima de US$ 1 mil, outros acham que o preço vai cair substancialmente apesar das melhorias.

Depois de um ano difícil em 2019, o valor do Ethereum deve ser melhor em 2020.

Isso porque as diversas mudanças que a Beacon Chain e outros updates que podem sair ainda este ano tornarão a plataforma mais receptiva para investidores, empresas e organizações, o que deve aumentar a cotação.

Aumento na adoção 

Outra consequência da introdução da Beacon Chain este ano será o aumento na adoção da plataforma e do Ether por investidores, organizações e empresas em geral, que usarão a plataforma para desenvolver ainda mais soluções inovadoras.

Nos próximos meses veremos o Ethereum avançar ainda mais em direção ao mainstream da indústria de criptomoedas. As notícias de contratos milionários tokenizados na plataforma serão ainda mais comuns.

Com as evoluções tecnológicas que estão por vir, podemos esperar também um aumento substancial na utilização do Ethereum como meio de pagamento.

Com isso, a adoção também deve crescer entre as camadas mais populares da população, o que significa mais dinheiro e inovações para o projeto.

Conclusão

2019 foi um bom ano para o Ethereum projeto e o Ether, e 2020 não parece que será diferente.

Teremos grandes atualizações no protocolo que trarão mudanças radicais para a plataforma, tornando-a mais eficiente, segura e pronta para o futuro da indústria.

Os desafios, claro, também serão muitos, principalmente no que diz respeito a manutenção da segurança, escalabilidade e descentralização da rede.

Contudo, o Ethereum está mais do que preparado para esses e muitos outros obstáculos.

Sobre o autor

Lorenzo Frazzon atua no mercado financeiro desde 2007. É Economista, possui Mestrado em Engenharia, e é Analista de Investimentos Regulamentado (CNPI), além de ser Estrategista-Chefe e fundador da Investtor.

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