propaganda da blaze no podcast flow
Apresentador do Flow Igor 3k (Foto: Reprodução/Youtube)

A casa de apostas Blaze, que não vem pagando os clientes e é considerada a 11º pior empresa do Brasil no ranking de queixas do Reclame Aqui, se tornou patrocinadora oficial do Flow, um dos podcasts mais ouvidos no país. A empresa também vem sendo divulgada por Felipe Neto.

Igor Coelho, o apresentador do show, tem começado os últimos episódios do Flow fazendo a propaganda logo no início dos vídeos. “Já conhece o site da Blaze, site de jogos online que você joga valendo dinheiro de verdade e tem a chance de lucrar ainda por cima!?”, questiona. 

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Igor então diz aos ouvintes que ao usar o cupom especial do podcast para abrir conta na Blaze, o usuário pode ganhar instantaneamente 30 rodadas em três jogos diferentes, além de bônus no qual a Blaze dobra o valor do depósito do usuário de até R$ 1 mil. 

Ao longo do programa, os anúncios da Blaze aparecem na tela que compõe o cenário do podcast, exibindo mensagens como “Você ganha R$ 500” e “Jogue Crash e ganhe até R$ 10 milhões”.

A parceria entre Blaze e Flow teve início em 30 de setembro, no episódio #115. Desde então, pelo menos oito episódios do podcast já foram patrocinados pelo cassino online.

Igor faz o seguinte alerta quando fala da Blaze: “É muito importante que você use só o dinheiro que vai gastar com entretenimento e seja maior de 18 anos”.

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Apresentador do Flow faz propaganda da Blaze (Foto: Reprodução/YouTube)
Apresentador do Flow faz propaganda da Blaze (Imagem: Reprodução/YouTube)

Essa é a mesma advertência que outros influenciadores brasileiros patrocinados pela Blaze, como Felipe Neto, fazem ao divulgar a empresa. Isso, no entanto, não impede que menores de idade — uma parte massiva do público de influencers como Neto — abram conta no cassino online. 

Como mostrou reportagem do Portal do Bitcoin, a Blaze só faz algum tipo de controle de idade na hora que o usuário tenta sacar fundos da plataforma, enquanto depositar e fazer apostas continua liberado para qualquer conta sem verificação.

Essa é apenas uma das diversas reclamações que brasileiros têm sobre a plataforma cuja presença no Brasil é cercada de mistério.

Embora patrocine os influenciadores citados, além do time de futebol do Botafogo, a Blaze não tem presença estabelecida no Brasil. Ou seja, não há sede no país ou executivos por aqui que respondam pela companhia registrada oficialmente na ilha caribenha de Curaçao, vista como um paraíso fiscal.

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Isso se torna problemático principalmente para os usuários que enfrentam problemas na plataforma — e não são poucos. 

Os problemas da Blaze 

No Reclame Aqui, a Blaze acumula mais de 17,7 mil reclamações, com apenas 36% dos usuários demonstrando interesse em voltar a usar a plataforma. Isso faz a Blaze ter uma reputação “ruim” no site, com uma nota 5.1/10.

Entre os problemas com o maior número de reclamações está o “estorno do valor pago”, usado geralmente por usuários com problemas no saque. Em segundo lugar, as queixas são de “propaganda enganosa”, seguido por “divergência de valores” e “instabilidade”.

A reclamação de um cliente de Goiânia (GO) da Blaze ilustra o que domina as reclamações no site de defesa do consumidor: o usuário deposita, faz as apostas mas não consegue sacar o dinheiro da plataforma.

“Fiz um depósito de R$ 4 mil na Blaze. Joguei o combinado e agora não consigo retirar meu dinheiro e nem abrir o chat para falar com um dos responsáveis”, escreveu o usuário que ameaça tomar medidas legais.

Enquanto alguns não recebem o dinheiro após pedir o saque, outros são punidos pela política da Blaze se não apostarem o suficiente na plataforma, como narra um cliente de João Pessoa (PB).

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“Fui jogar esse jogo de aposta online indicado por uma pessoa famosa chamada Mirela Janis. Cliquei no link, fiz o primeiro depósito de R$ 120, porém não gostei e pedi a devolução do valor. Me falaram que eu ia perder R$ 20 e sacaria os R$ 100, até aí ok. Porém me deram um prazo de 24 horas e até agora nada do meu dinheiro.”

A influencer que o usuário cita na sua reclamação tem mais de oito milhões de seguidores no Instagram e é conhecida como “Cremosa Milionária”. Nos posts mais recentes do perfil de Mirela Janis, ela aparece dançando funk com a camiseta da Blaze, e a legenda diz: “Iniciando a semana da melhor forma: dançando e jogando @blazebrasil”.

Influencer Mirela Janis faz propaganda da Blaze no Instagram (Imagem: Reprodução/Instagram)

Clientes também questionam o sumiço inesperado de dinheiro na Blaze, como descreve uma pessoa de São João de Meriti (RJ), atraída à plataforma com a recente promoção da empresa de dobrar o depósito do jogador:

“Depositei R$ 40 e ganhei o bônus de R$ 80. Perdi os R$ 40 mas fiquei com o bônus. Com esse bônus fiz R$ 2,2 mil nos jogos da Blaze, só que depois de um dia simplesmente desapareceu o valor que estava pendente e deu como cancelado. Queria uma explicação.”

As queixas trazidos acima são apenas algumas das dezenas feitas por clientes da Blaze no Reclame Aqui na última semana.

Blaze vira febre no Brasil

Uma busca na ferramenta SimilarWeb mostra que 98% dos acessos da Blaze vêm do Brasil, com 48,4 milhões de visitas só no mês de agosto. Mas a empresa não tem uma presença oficial aqui, tendo sede em Curaçao e os pagamentos processados por outra companhia no Chipre.

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Assim, quando um consumidor é lesado, não há para quem recorrer. Apesar disso, a Blaze tem dezenas de pessoas trabalhando em sua operação no Brasil. Um ex-funcionária que conversou com o Portal do Bitcoin em reportagem passada deu maiores detalhes dos processos do cassino.

Leia também: Quem pode responder na Justiça pelo sumiço de dinheiro na Blaze? Advogados explicam

Quando a Blaze fechou um contrato de patrocínio com o Botafogo em julho desse ano, o clube, quando questionado pela reportagem, se recusou a dizer quem assinou o contrato do lado do cassino, mas incluiu no comunicado para a imprensa uma declaração do executivo Santiago Alonso.

Essa parece ser a única face frente à Blaze. Identificado como vice-presidente de operações da empresa, Alonso é aparentemente estrangeiro: seu perfil no LinkedIn informa que estudou em uma universidade do Canadá e teve uma passagem de três anos no escritório da montadora Toyota em Toronto.

A ex-funcionária disse que não conheceu Santiago Alonso e que os gerentes com quem teve contato eram todos brasileiros.

O Portal do Bitcoin tentou contato a Blaze, bem como com a equipe do podcast Flow, mas até o fechamento desta matéria, não obteve resposta.

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