Imagem da matéria: Criptomoedas não vão sobreviver por muito tempo, diz ex-presidente do Banco Central do Brasil
Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central do Brasil (BCB) (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central do Brasil (BCB), disse nesta quarta-feira (30) em um webinar promovido pelo escritório Mattos Filho Advogados que o bitcoin e as altcoins, por serem voláteis e inseguras, não vão resistir à chegada das moedas digitais governamentais (CBDCs, na sigla em inglês).

“Acho que as criptomoedas não sobrevivem muito tempo. E digo isso porque a busca por ativos seguros e de proteção é monumental. Então se você emite uma moeda governamental que é digital e que te dá segurança, não tenho dúvida que isso é ganhador e é detrimental às criptomoedas (privadas)”.

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Para Goldfajn, que em 2017 chamou o bitcoin de bolha e pirâmide financeira, as criptomoedas só podem sobreviver na sombra de estados que não fazem seu papel e não conseguem dar credibilidade ao seu próprio dinheiro.

“Nesse caso, as pessoas tentam fugir da moeda nacional. Mas isso (comportamento) não é algo moderno. Por muito tempo a hiperinflação fez as pessoas irem atrás de dólares físicos”.

Além de Goldfajn, participaram do evento o atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o vice-diretor geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Luiz Awazu Pereira.

BC aberto a inovações

Campos Neto falou sobre os projetos do Banco Central, como o Pix e o Open Banking, e das discussões do órgão a respeito da criação da moeda digital brasileira. Segundo ele, uma equipe técnica analisa projetos de outros países e discute como uma CBDC nacional poderia ser melhor implementada.

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Campo Neto não entrou muito em assuntos relacionados ao bitcoin e às altcoins. Ele falou, no entanto, que o mundo passa por uma grande revolução — em especial por causa do acúmulo de dados — e as tecnologias disruptivas como as criptomoedas fazem parte disso.

“No futuro breve teremos um grande arcabouço de comércio de dados onde pessoas terão suas carteiras de dados e elas vão negociar diretamente com as empresas. E a monetização desses dados é feita através de criptomoedas. Isso vai criar uma nova mudança na intermediação financeira. Algumas empresas já fazem isso”.

Neto também falou que as finanças descentralizadas (DeFi) estão no radar do órgão. De acordo com ele, boa parte dos projetos enviados para BC envolvem essa área e estão fora do ambiente regulado pela instituição.

“São projetos de apps e de segmentação de produtos financeiros que estão fora da nossa alçada. Então vemos esse mundo de finanças descentralizadas crescendo, e o que faz isso é crescer é o pagamento digital”.

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Perigo das criptomoedas, segundo diretor do BIS

Já Pereira, do BIS, deu um panorama sobre o desenvolvimento de moedas governamentais pelo mundo.

Ele aproveitou também para falar que a entidade vê as criptomoedas privadas como perigosas e prejudiciais à sociedade e ao meio ambiente.

“Há algum tempo o BIS é da opinião que de certa forma eles (criptoativos) são uma combinação perversa de em muitos casos bolha financeira e esquema ponzi”.

“E do ponto de vista ambiental, pelo custo de extração de computação em termos de energia consumida, eles representam um custo ambiental muito elevado”.

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