Imagem da matéria: Chefes da Unick Leidimar Lopes e Danter Silva foram presos pela PF; Fernando Lusvarghi está foragido
Fernando Lusvarghi, à direita, Danter Silva, no centro e Leidimar Lopes, à esquerda (Foto: Reprodução/Youtube)

*Erramos: Ao contrário do que foi afirmado no título e no texto, Fernando Lusvarghi não foi preso. Na verdade, ele está foragido. A informação foi corrigida.

Os principais nomes da Unick estão entre os presos da operação Lamanai, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (17), para cumprir 10 mandados de prisão e 65 ordens de busca e apreensão.

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Durante a coletiva de imprensa da Polícia Federal, o delegado Aldronei Rodrigues confirmou a prisão dos envolvidos no esquema. Ele não mencionou nomes, mas entre eles estão Leidimar Lopes, o presidente da Unick e Danter Silva, o diretor de marketing. A polícia chegou a ir até a casa de Fernando Lusvarghi, que era responsável pelo jurídico e dono da S.A. Capital, mas ele não foi encontrado. Lusvarghi está foragido.

Segundo o delegado, todos foram presos em casa, às 6h30, antes de começarem a trabalhar.

Leidimar Lopes e a Phoner

Leidimar Bernardo Lopes nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, e se mudou para Caxias do Sul, na Serra, quando completou 12 anos.

Antes da Unick, Leidimar era responsável por uma outra pirâmide financeira, a Phoner, que possui o mesmo CNPJ da Unick.

Lopes atua desde 2013 com esquemas pirâmide financeira travestido de marketing multinível. A extinta Phoner, sua empresa anterior, ficou ficou famosa pelo chamado “golpe da mangueira”.

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Eles vendiam a ideia de que as pessoas iriam ficar ricas poupando combustível com uma espécie de mangueira mágica e um cartão de PVC, mas na verdade eles vendiam cotas de investimento.

A antiga Phoner passou a se chamar Fantasy Brasil Ltda-EPP. Essa empresa estava no nome de Gislaine Gonçalves de Oliveira e de Alberi Pinheiro Lopes. A esposa e o pai de Leidimar Lopes eram sócios-administradores da empresa.

Antes de a Unick se tornar a razão social, ela era apenas um nome fantasia da empresa de pequeno porte do pai de Leidimar Lopes.

O domínio “phoner.com.br” foi registado no nome de Israel Nogueira e Souza, atual responsável pela elaboração do planejamento estratégico mercadológico da Unick. Nogueira também foi preso na operação.

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Danter, operador da D9

Danter Silva era o diretor de marketing da Unick e o principal rosto da empresa. Com diversos vídeos no canal oficial no youtube, Danter era responsável por comunicar aos clientes a atual situação da Unick além de comandar diversos eventos pelo Brasil em busca de dinheiro de novos investidores.

O seu passado, no entanto, também é ligado a outras pirâmides financeiras.

Em abril deste ano, Fernando Pires Branco, delegado da Polícia Civil de Sapiranga, no Rio Grande do Sul, disse ao Portal do Bitcoin que Danter Silva era responsável pela captação de clientes da D9 Clube de Empreendedores, uma empresa que atuava no modelo de pirâmide financeira e foi desmantelada por ele.

“As funções na D9 copiavam aqueles tidas no esporte como treinador, capitão, etc. O Danter (Silva) era um capitão. Ele apenas participava da empresa captando clientes. Não era um de seus diretores. Mas tem um processo contra ele. Não podemos dizer que ele está sendo indiciado ou investigado. Ele é réu mesmo. O processo ainda está tramitando”.

A D9 trouxe um prejuízo de R$ 200 milhões aos investidores tanto no Brasil quanto no exterior. De acordo com o delegado, a D9 empreendimentos depositava o valor arrecadado pelos investidores e prometia a eles pagamento em criptomoeda. “Isso servia para dificultar a rastreabilidade do dinheiro que entrava servindo de elemento fundamental para se lavar esse dinheiro”.

Fernando Marques Lusvarghi e a S.A. Capital

Entre os principais nomes da Unick, Fernando Lusvarghi era o único sem passagem anterior por outros golpes. Ainda assim, tinha um papel fundamental na empresa de dar um embasamento jurídico durante conversa com investidores.

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Formado em direito em 2008 no Centro Universitário Padre Anchieta, Jundiaí, SP, Lusvarghi era diretor jurídico da Unick e dono da S.A. Capital, uma empresa que supostamente servia para garantir todos os investimentos dos clientes da Unick.

A garantia, no entanto, não passava de fachada. A empresa dizia ter um terreno em GO avaliado em R$ 750 milhões mas que na realidade é o “Loteamento Eldorado de Brasília” de mais de 2 mil hectares, que fica no pequeno município de Cristalina.

Segundo levantamento do Portal do Bitcoin, esse terreno pertenceria a uma empresa chamada Imobiliária Goiás, a qual teria como dono Didino de Melo e esposa.

Além dessa contradição, há um comprovante de pagamento de IPTU veiculado pela própria Unick em que se mostra que o suposto terreno pertencente à Pacífico Sul empreendimentos imobiliários era de apenas 360 m², o que não chega a nem 1 hectare de terra.

Nenhuma dessas duas empresas, entretanto, compõe o grupo econômico representado pela SA Capital, na qual a única companhia do setor imobiliário é a Quadra empreendimentos imobiliários.

A empresa Pacífico Sul empreendimentos imobiliários que seria a anuente do contrato de fiança entre a SA Capital e os investidores da Unick possui como único sócio José Alexandre Noronha. Noronha é também o detentor do domínio do site da SA Capital.

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