Imagem da matéria: "Bitcoin não vale esse preço", diz André Esteves, do BTG, em áudio vazado de reunião com clientes
Empresário André Esteves, do BTG (Foto: Luiz Prado/LUZ/Flickr)

O sócio e ex-presidente da BTG Pactual, André Esteves, revelou a sua opinião sobre Bitcoin e o mercado das criptomoedas em um áudio vazado de uma reunião fechada para clientes que ocorreu no último dia 21.

A gravação foi obtida pelo portal de esquerda Brasil 247 e mostra como Esteves é frequentemente consultado pelos principais atores de Brasília. A conferência começou com banqueiro se desculpando pelo atraso: o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) havia ligado para perguntar a opinião dele sobre a renúncia do secretário do Tesouro. 

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Mais para o final da conversa, que vai do cenário eleitoral de 2022 à crise chinesa, o banqueiro foi questionado sobre o Bitcoin. A resposta começa maneira irônica: “Bitcoin!? Ah tá barato aí, US$ 66 mil… eu acho um espetáculo, uma coisa sensacional”, disse, provocando uma onda de risadas entre os participantes da reunião.

A seguir, voltou a falar sério:

“Esse tema a gente discute muito, amanhã até tenho uma reunião sobre cripto no Brasil. Me atrai muito o ecossistema que vai vir junto com as criptomoedas, esse mundo de blockchain e finanças descentralizadas (DeFi). Na próxima década, a maneira como a gente vai interagir, financeiramente falando, vai mudar totalmente, muito em linha com essas tecnologias”.

Ele disse acreditar no poder das criptomoedas funcionais e que em breve bancos centrais do mundo devem criar suas próprias moedas digitais, mas se manteve cauteloso com relação ao investimento em bitcoin.

“O bitcoin tem valor nesse preço!? Eu não sou um entusiasta. Se alguém quiser fazer alguma coisa aqui, eu recomendaria uma parcela pequena do patrimônio para poder testar, entender e aprender, e não usar alavancagem”, recomendou.

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Bitcoin vs Ouro

Esteves compartilhou uma conversa que teve com um executivo do SoftBank, em que foi incentivado a investir em bitcoin. “Ele tava falando comigo ‘André, isso aqui é digital gold, vai valer US$ 200 mil’, e eu até acho que é possível, eventualmente porque tem uma bolha atômica rolando por aí. O problema é que eu já não gosto do ouro, então o digital gold também não me atrai”, explicou.

Ele seguiu criticando o metal precioso: “Ouro não paga copom, não tem dividendo, não tem juros, é uma coisa horrorosa… mas dá pra fazer um colar legal”.

Nesta linha de visão do banqueiro, o bitcoin seguiria a mesma lógica. No entanto, ele reconheceu que a demanda pela criptomoeda como forma de proteção está crescendo, principalmente em países cuja economia não está muito consolidada, como a Turquia, Argentina e Venezuela.

“É como se tivesse aparecido um doleiro global”, explica. “Os doleiros nos anos 80 e 90 tinham uma função institucional. O cara da classe média chegava no final do mês e queria comprar US$ 100 para se proteger da hiperinflação, do calote da vez do governo da vez”.

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Ele continua a explicação usando a adoção das criptomoedas na Turquia como exemplo. “O Banco Central turco fez uma pesquisa e descobriu que US$ 7 bilhões saiu da Turquia para comprar bitcoin porque o presidente demite um presidente do Banco Central a cada trimestre e o cara turco fala ‘vou comprar esse bitcoin aqui, é mais fácil que o ouro’. Então está tendo uma utilidade funcional institucional”.

Esteves afirma estar vendo claramente um fluxo das criptomoedas e por essa razão, se diz bastante “intrigado intelectualmente” com a moeda, mas volta a reiterar: “Como eu não gosto muito do ouro, não gosto muito disso”. 

“Eu não vejo isso como moeda global, é muito volátil, muito insegura, uma história que ninguém sabe quem criou, um cara que tem 20% do estoque, há de convir que é uma história muito doida”.

Bancos Centrais e as criptomoedas

No final da reunião, um dos participantes questionou André Esteves sobre a visão do Banco Central em relação às criptomoedas:

“Os bancos centrais não vão abrir mão de um arcabouço que eles criaram nos últimos 20 anos de prevenção à lavagem de dinheiro [..] Vão deixar a inovação fluir desde que ela não passe esse sistema que custou tanto para ser montado com legitimidade”.

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Ele citou como exemplo a própria plataforma de criptomoedas do BTG Pactual, a Mynt. “Vamos desenvolvendo junto com o BC. Hoje a gente permite compra e vende criptomoeda dentro do nosso sistema e o Banco Central tá achando legal”, contou.

“Eles [reguladores] vão deixar as criptomoedas andarem, porque a inovação faz parte da evolução, mas vai ser muito resistente a qualquer ameaça a esse sistema de controles de capitais”, concluiu o banqueiro. “Primeiro vem o faroeste e depois vem o xerife, é sempre assim”.

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