Binance responde críticas sobre novo ranking do CoinMarketCap

"A questão não é 'você é independente ou não é independente'. É 'que grau de independência você tem', diz o CEO da Binance

Binance responde críticas sobre novo ranqueamento do CoinMarketCap
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A polêmica envolvendo a nova configuração do ranking de exchanges do CoinMarketCap e o destaque obtido pela Binance levou Changpeng Zao (CZ), CEO da companhia, a se pronunciar.

Isso porque a plataforma desde o começo de abril é parte do conglomerado da gigante do mercado cripto. A transação girou em torno de US$ 400 (R$ 2 bilhões), segundo o portal The Block —as partes não confirmaram os valores.

‘Visões binárias’

Em artigo publicado no site da empresa, CZ disse que “muitas pessoas têm uma interpretação binária de palavras como descentralização e independência (somos descentralizados ou não; somos independentes ou não)”.

Para CZ, tais termos são vistos por ele em uma escala gradual, e isso se aplica às companhias que fazem parte do que chamou de “ecossistema Binance”. “A questão não é ‘você é independente ou não é independente’. É ‘que grau de independência você tem’. Na Binance, você tem muito”.

Sobre o fato do CoinMarketCap ser da Binance atualmente, CZ afirma que isso implica em certa influência. “Tenho reuniões regulares com todas as nossas unidades de negócios, incluindo a CMC [CoinMarketCap], e forneço minhas sugestões com base na minha experiência na administração de negócios.

Por outro lado, citou a própria mudança no ranking da plataforma como exemplo do grau de liberdade que as empresas ligadas à Binance possuem. “Acredito que dou grandes graus de liberdade a todas as nossas equipes. Usarei a recente atualização da classificação de câmbio da CMC como exemplo e compartilharei algumas ideias sobre como lidero”.

Binance e CMC

O CEO da Binance defendeu a mudança feita pela plataforma como uma forma de oferecer uma métrica de liquidez atualizada e mais precisa.



“É apenas um estágio intermediário na implementação iterativa de melhorias para combater a inflação por volume”.

No Twitter, diversos usuários criticaram a explicação dada por CZ.

“Enquanto a CMC pertencer à Binance, enquanto a Binance estiver em primeiro lugar, seus concorrentes não acharão justo e transparente!”, escreveu um deles.

Por outro lado, outros usuários se mostraram satisfeitos com a mudança. “Os rankings de câmbio da CMC são mais razoáveis ​​do que antes. Ninguém pode negar isso”, disse outro.

Entenda o caso

O CoinMarketCap não mudou apenas sua posição sobre usar o tráfego da web, mas também removeu um indicador criado em julho de 2019, projetado para fornecer dados mais precisos e eliminar o wash trading — uma técnica usada por exchanges para aumentar artificialmente o volume de negociação.

As mudanças beneficiam a Binance, agora proprietária do CoinMarketCap, que lidera nos novos critérios de classificação da plataforma de mercado.

Em 3 de abril, um dia após a Binance adquirir o CoinMarketCap, a bolsa foi classificada em 15º no site. O provedor de dados listou o volume reivindicado pela Binance como US$ 6,7 bilhões. Mas colocou seu volume ajustado, uma métrica projetada para remover qualquer atividade suspeita, em US$ 2,1 bilhões.

As alterações no ranking mexeram com a posição das exchanges brasileiras. A Mercado Bitcoin, considerada a maior em operação no país, foi uma das grandes beneficiadas e deu um salto — antes figurava entre as 200 corretoras mais representativas e agora ocupa a 14ª posição.

Outras exchanges brasileiras que aparecem entre as cem de maiores volume de tráfego no novo ranking são a BitcoinTrade (61º), NovaDAX (66º), Braziliex (83º) e BitcoinToYou (90º).