Banco Central dos EUA anuncia injeção de US$ 500 bilhões até final do ano

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O Federal Reserve (FED) dos EUA, equivalente ao nosso Banco Central, anunciou que irá recomprar US$ 500 bilhões de títulos da dívida no final do ano, até US$ 75 bilhões diários chegando a duplicar tal valor nos dias 31/Dez e 2/Jan.

Afinal, o que é este “Repo”?

Trata-se de um mercado onde os bancos realizam entre sí empréstimos de curto prazo, dando títulos públicos como garantia. No Brasil é conhecido como overnight ou mercado de open. Este leilão pode eventualmente contar com a participação do Banco Central.

Os bancos não tem como estimar quantos saques e resgates vão ocorrer no dia, e ao mesmo tempo deixar muito dinheiro parado em caixa é prejuízo já que não estaria rendendo nada. Por este motivo optam por manter títulos da dívida no balanço, que ao menos remuneram alguma coisa.

Os bancos tomadores estão “quebrados”?

Não. O fato do banco ter uma quantidade de caixa em espécie insuficiente pra cobrir as operações do dia não possui relação com solvência (risco de falência). Significa apenas que o banco está com títulos públicos em excesso e dinheiro em espécie faltando, portanto é um problema de liquidez.

Tenha em mente que o emissor destes títulos é o Tesouro Nacional, ou seja, na teoria devem valer praticamente o mesmo que dinheiro. Afinal de contas, se o país quebrar tanto faz você ter em mãos um título da dívida pública ou uma nota de dinheiro.



Por que isto virou assunto?

Usualmente esta taxa de empréstimo “Repo” caminha próximo da taxa básica de juros: FED rates nos EUA, Selic no Brasil. No entanto, cerca de 3 meses atrás houve um aumento drástico da taxa nos EUA, saindo de 2,5% para 10%. Isto levou o FED a intervir de forma mais agressiva, coisa que não ocorria desde a crise de 2008/9.

Os economistas divergem sobre as causas deste acontecimento porém concordam que as baixas taxas de juros tiram o estímulo dos bancos emprestarem uns aos outros.

Há um limite pra intervenção do FED?

Com certeza. Quanto maior o volume destes empréstimos de curto prazo por parte do FED, mais capital está circulando no sistema financeiro. Apesar do valor contábil ser igual entre títulos da dívida e dinheiro em espécie, só este último pode circular livremente entre empresas e pessoas físicas, e desta forma fazer a economia girar.

Conclusão

Quanto mais liquidez no mercado, maior o potencial de alavancagem dos bancos e consequentemente mais estímulo há pra economia avançar. O lado ruim desta brincadeira? Quando a economia deixa de crescer e os empréstimos não são pagos pelas empresas e pessoas físicas. Aí é cada um por si!


Sobre o autor

Marcel Pechman atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Desde maio de 2017, faz arbitragem e trading de criptomoedas, além de ser cofundador do site de análise de criptos RadarBTC.