Imagem da matéria: As cinco métricas que vão influenciar o Ethereum | Opinião
(Foto: Shutterstock)

A Rede Ethereum é o segundo maior projeto de cripto em valor de mercado, atrás apenas do Bitcoin. Desenvolvido em 2013 pelo programador Vitalik Buterin, a Rede Ethereum surgiu como uma plataforma com funcionalidades de contratos inteligentes que possibilitam o desenvolvimento de aplicativos descentralizados e a transferência de ativos digitais.

Só nos últimos 12 meses, a rede movimentou US$ 4 trilhões. Além disso, a Rede Ethereum tem todo um roadmap de desenvolvimento, com atualizações que aumentam a eficiência da rede e fomentam o surgimento de novas tecnologias.

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O estado atual do projeto da Rede Ethereum pode ser abordado em 5 métricas, listadas a seguir. Também serão abordadas tendências que devem influenciar positivamente o preço do token da rede (chamado ETH) nos próximos meses e anos.

A dinâmica de oferta e demanda do Ethereum

Com as últimas atualizações da Rede Ethereum, o London Upgrade (ago/2021), o Merge(set/2022) e o Shanghai Upgrade (abr/2023), o token ETH adquiriu características que o tornaram um ativo potencialmente deflacionário e gerador de renda. A inflação do Ethereum nos últimos 12 meses foi de 0,44% e no ano de 2023 de -0,48%.

De outro lado, a remuneração estimada dos stakers, isto é, aqueles que depositam ETH para que os validadores façam seu trabalho, é de 5% ao ano. Hoje cerca de 20% de todos os ETH em existência estão em stake, o maior percentual histórico.

A inflação de ETH

A inflação de ETH é fortemente influenciada pelas taxas pagas pelos usuários da rede. As taxas variam de acordo com o esforço computacional necessário para executar as transações demandadas pelos usuários e a quantidade de validadores.

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As taxas de rede têm duas componentes, a base fee e a priority fee. A base fee é totalmente queimada, removida de circulação, gerando um efeito deflacionário na oferta de ETH. 

De outro lado, diariamente são emitidos novos ETH com a finalidade de remunerar o esforço dos stakers. Essa é a componente inflacionária de ETH. Assim, o ETH será deflacionário se a quantidade de base fee paga pelos usuários superar a emissão de novos tokens destinados aos stakers.

O ETH em stake

A rentabilidade dos stakers tem um efeito sobre a oferta de ETH uma vez que retornos maiores tendem a aumentar a quantidade de ETH staked e, portanto, restringem em certa medida a quantidade disponível de ETH para serem vendidos. Esse é um efeito de segunda ordem uma vez que o chamado liquid staking, isto é, tokens que representam os ativos em stake que podem ser livremente negociados, foi viabilizado por projetos como Lido Finance e Rocket Pool.

A priority fee mencionada anteriormente é distribuída para os stakers, contribuindo para o aumento da sua rentabilidade. Historicamente, a priority fee tem representado 20% da remuneração total dos stakers.

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Ou seja, dos 5% de retorno anual que eles obtêm, 1% vem da priority fee e 4% vêm da emissão de novos ETH. Dessa forma, a demanda por transações na rede aumenta a rentabilidade dos stakers e restringe, em alguma medida, a oferta de ETH.

A Demanda por ETH

Diante do exposto, fica claro que a demanda por transações na Rede Ethereum é o fator preponderante para definir os rumos da oferta de ETH. Ela afeta tanto a queima de ETH quanto a remuneração dos stakers e, portanto, a quantidade de ETH em stake.

Essencialmente os fatores que influenciam a demanda por transações na Rede Ethereum são os possíveis usos que a rede proporciona.

A última grande onda de aumento de demanda pela rede aconteceu na virada de 2019 para 2020 quando o ecossistema de finanças descentralizadas começou a ser desenvolvido.

A possibilidade de emprestar e tomar tokens com a contrapartida de pagamentos de juros, a possibilidade de se trocar tokens por outros por meio de corretoras descentralizadas, o surgimento de marketplaces de colecionáveis digitais em forma de NFTs, a acelerada adoção de stablecoins e mesmo o surgimento de jogos baseados em blockchain aumentaram drasticamente a atividade na Rede Ethereum. 

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Como consequência do aumento de atividade, o pagamento de taxas subiu mais de 20 vezes entre o início de 2020 e maio de 2021, saindo de uma média diária de 500 ETH para mais de 10.000 ETH.

Atualmente, a média diária está em 4000 ETH. Note que, apesar da redução de 2021 para cá, o ETH logrou alcançar uma situação de deflação, o que nos faz imaginar o que acontecerá se a rede retomar os níveis de atividade do ano de 2021.

O crescimento de inovações de segunda camada

As inovações de 2020 não foram capazes de sustentar a atividade por um período prolongado, de modo que novas soluções e aplicações, especialmente ligadas à economia real, poderão renovar o interesse pelo uso da rede. 

As soluções de escalabilidade da rede, notadamente as soluções de segunda camada, estão viabilizando transações mais velozes e baratas com uma segurança equiparável à da Rede Ethereum.

Inovações de segunda camada como Arbitrum já possuem cerca de 200.000 usuários diários e as taxas da rede já superam $50 milhões de dólares anualmente.

Outros projetos como Optimism experimentaram um crescimento de usuários diários na casa de 200% nos últimos meses — o que foi refletido no token OP da rede, que valorizou cerca de 500% no período.  Esses e outros projetos devem viabilizar o surgimento de novas utilidades para a rede, fomentando sua adoção e aumento da demanda.

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Há diversos desafios pela frente para o ETH, como o tempo necessário para implementar tais inovações e o surgimento de outras soluções que concorram com a Rede Ethereum. Mas está claro que a atual estrutura de incentivos da Rede Ethereum permite que pequenos incrementos de demanda surtam efeitos concretos de restrição na oferta de ETH.

Tal restrição, aliada às inovações e ao desenvolvimento da tecnologia, pode repercutir diretamente no preço do token ETH, fornecendo uma janela com um risco-retorno atrativo para um investidor que adicionar o projeto ao portfólio hoje.

Sobre o autor

Bernardo Bonjean é empreendedor com extensa experiência na indústria financeira e no mundo de Fintech. Esteve entre os primeiros compradores de Bitcoin em 2012.

Bernardo começou a carreira em gestão de portfólio no Banco Pactual em 2002, gerenciando portfólios de derivativos de equity com um resultado médio anual de 37%. Em 2008, ele integrou o time da XP investimentos como Head of Sales and Trading e foi essencial para levar o time da 48ª posição para o top 3.

Durante esse período, Bernardo participou do curso OPM em Harvard e saiu para fundar a Avante, pelo qual foi reconhecido como um dos 20 empreendedores que estão mudando o Brasil e o mundo pela IstoÉ Dinheiro. Durante a pandemia do Covid-19, Bernardo revive a paixão por cripto com a Metrix.