Imagem da matéria: USDC desponta como vencedora em meio à crise das stablecoins
(Foto: Shutterstock)

Quando o ecossistema Terra e sua stablecoin UST despencaram na semana passada e desencadearam a ampla queda do mercado de criptomoedas, a situação parecia bem frágil para o setor cripto no geral e, principalmente, para as stablecoins.

Mas a queda resultou em pelo menos uma ganhadora em termos de capitalização de mercado e, possivelmente, reputação: a stablecoin USDC.

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Enquanto a terrausd (UST) estava próxima a zero e a tether (USDT) estava enfrentando bilhões de dólares de resgates, a usd coin (USDC) estava aumentando sua capitalização de mercado.

No começo da queda, em 8 de maio, a USDC tinha uma capitalização de cerca de US$ 48 bilhões. Após uma queda quase imperceptível, começou a aumentar em 11 de maio e, agora, está em  US$ 52,3 bilhões — próxima de sua alta recorde de US$ 53,6 bilhões, registrada em março.

USDC, que surgiu em meio à crise como a quarta maior criptomoeda em termos de capitalização de mercado, também está ficando mais próxima da principal stablecoin centralizada: USDT. Tether perdeu mais de US$ 7 bilhões de sua capitalização de mercado desde sua alta de US$ 83 bilhões em 11 de maio.

Turbulências

Os problemas do mercado na última semana haviam começado não com as stablecoins centralizadas USDT ou USDC, e sim com a stablecoin algorítmica UST.

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Enquanto stablecoins centralizadas prometem um ativo que seja sempre equivalente ao dólar (ou outro ativo fiduciário) através do armazenamento de dinheiro em espécie e de (supostamente) ativos fiduciários altamente líquidos em sua reserva, stablecoins algorítmicas, como a UST do Terra, mantêm sua paridade ao dólar por meio de alternativas descentralizadas.

No caso do Terra, holders da UST podem negociar a stablecoin por um dólar equivalente em LUNA (com algumas ressalvas). Então, se a UST estivesse sendo negociada a US$ 0,95, árbitros podiam convertê-la em LUNA a sua taxa desejada de US$ 1.

Mas houve uma perda na paridade à medida que usuários no Terra questionaram a utilidade da rede. Converteram UST em LUNA e, na sequência, venderam esse LUNA. Conforme o preço de LUNA despencou, negociadores conseguiram converter esse token em UST. O resultado foi que a oferta em circulação dos ativos disparou, à medida que seus valores diminuía.

Fragilidade de Tether

Em meio a essa crise, enquanto Terra esperava garantir financiamento externo para evitar um desastre, a secretária do Tesouro Americano Janet Yellen mencionou UST e pediu por regulamentações para stablecoins, que provavelmente serão priorizadas dado o crescente aumento de contágio ao mercado.

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Porém, a maioria das legislações elaboradas – e que podem realmente avançar – tem a Tether como alvo, após ela ter gerado uma investigação de dois anos pela Procuradoria-Geral de Nova York sobre um suposto empréstimo fraudulento de US$ 750 milhões da Tether à sua empresa-irmã, a corretora cripto Bitfinex.

A investigação determinou que o lastro da Tether não é o que parece. Quando a investigação começou, em fevereiro de 2019, a Tether apresentou uma atualização, acrescentando que as reservas da USDT incluíam “moedas tradicionais e equivalentes monetários e, de tempos em tempos, podem incluir outros ativos e recebíveis de empréstimos feitos pela Tether a terceiros, que podem incluir entidades afiliadas”.

Após a Tether ter firmado um acordo e pagado uma multa de US$ 18,5 milhões, começou a publicar relatórios de segurança mostrando que grande parte de suas obrigações está em títulos comerciais que, geralmente, são líquidos, mas vulneráveis durante crises financeiras.

Um relatório apresentado por uma empresa de contabilidade independente no final de 2021 mostrou que menos de 10% de seus US$ 78,6 bilhões em suas alocações eram em dinheiro em espécie.

Nesta quinta, a empresa divulgou um relatório oficial, onde mostra a redução em 17% da participação de papéis comerciais e o aumento na proporção de dinheiro em espécie e equivalentes, em uma tentativa de aumentar a confiança dos investidores.

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É a confirmação de uma informação antecipada por Paolo Ardoino, diretor de tecnologia da Tether, que havia afirmado durante um evento no Twitter Spaces na última semana que as reservas em títulos comerciais da empresa haviam sido reduzidas pela metade e redistribuídas em títulos do tesouro americano.

Lastro em espécie

A Circle, no entanto, já chegou lá.

Em agosto de 2021, o Centre Consortium — grupo fundado pela Circle e Coinbase para ajudar a gerenciar a USDC — anunciou que a stablecoin só seria lastreada em dinheiro em espécie e títulos do tesouro.

Essa iniciativa aconteceu após um relatório publicado em julho de 2021, que mostrou que mais de um quarto de suas reservas estava alocada em títulos comerciais, certificados de depósito e títulos corporativos.

Porém, a Circle nunca publicou as auditorias completas e alguns críticos afirmam que tais testemunhos não valem o papel onde foram impressos.

No entanto, a Circle está obtendo vantagem com o medo de resgates. Em um artigo publicado na última quinta-feira (12), intitulado “The Importance of Being Stable” — ou “A Importância da Estabilidade”, em tradução livre — Dante Disparte, diretor-chefe de estratégia da Circle, garantiu que a USDC está alinhada ao conjunto de regulações acionado por Yellen quando ela convocou o Grupo de Trabalho do Presidente (ou PWG) de Mercados Financeiros e exigiu que o Congresso Americano aprovasse legislações para stablecoins.

“Se você quer fazer referência ao dólar e criar uma paridade ao preço ao combater o remorso do comprador e do gastador”, escreveu, “você realmente precisa armazenar ativos líquidos de alta qualidade (ou HQLA, no jargão bancário) que sejam denominados em dólar e estejam dentro do sistema bancário regulado”.

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Além disso, ele tomou cuidado ao destacar que o risco financeiro não é exclusivo às stablecoins algorítmicas, mas pode existir em stablecoins “em que a garantia e a composição de reservas são opacas demais para inspirar confiança ou correlacionadas demais a ativos ilíquidos com qualidade questionável de crédito para suportar períodos de estresse”.

Para alguns, essa pode parecer uma descrição da Tether.

O ganho da USDC pode ser uma espécie de vitória vazia, a menos que os outros produtos da Circle possam ganhar a mesma força. Afinal, com a inflação americana acima de 8%, como é possível ganhar dinheiro ao armazenar dólares?

A Circle tem a aspiração de ser mais do que a empresa responsável pela USDC. Lançou um fundo de capital de risco em novembro e possui produtos de pagamentos que espera que possam ser mais valiosos do que a stablecoin que criaram para apoiá-los.

Um acordo de “cheque em branco” (ou SPAC) em fevereiro com a Concord Acquisition Corp. avaliou a empresa em US$ 9 bilhões, apesar de investidores públicos terem achado que é um valor muito alto.

Dentre todas as stablecoins, a USDC está bem-posicionada para garantir o sucesso neste momento. Mas, conforme vimos na semana passada, o destino pode mudar muito rápido — e os mercados podem fechar um ciclo.

*Traduzido por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.

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