Imagem da matéria: Por que os EUA decidiram fechar um banco de repente?
(Foto: Shutterstock)

Em plena noite do último domingo (12), reguladores de Nova York rapidamente decretaram o fechamento do Signature Bank, tornando-se o terceiro banco a fechar suas portas em uma semana — e a terceira maior falência bancária da história dos EUA. 

A atitude de fechar o banco parceiro do setor de criptoativos – que emprestou dinheiro a empresas na indústria de ativos digitais e facilitou transações de criptomoedas para fiat por meio de sua rede Signet – pegou muitos de surpresa, incluindo aqueles que trabalhavam lá.

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Por que ele foi fechado, então? Isso é parte de uma repressão mais ampla por parte dos reguladores contra o setor de criptomoedas?

Barney Frank, o ex-congressista por trás da Lei Dodd-Frank e membro do conselho do Signature Bank, disse ontem à CNBC que os reguladores fecharam o banco para enviar “uma mensagem anticripto.” Mas o Departamento de Serviços Financeiros de Nova York negou a alegação de Frank.

O regulador disse que o movimento não tinha nada a ver com criptoativos, dizendo ao Decrypt em um e-mail que “as decisões tomadas no fim de semana não estavam relacionadas ao setor cripto” e que o órgão “vem facilitando atividades do setor bem regulamentadas há vários anos e é um modelo nacional para regular o espaço.”

Mas insiders da indústria que falaram com o Decrypt dizem que eles não estão comprando essa versão dos fatos e apontam para uma tendência crescente que remonta a meses, senão anos.

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“Certamente, desde o início do ano, a desbancarização da indústria cripto vem acontecendo”, disse Cailin Long, CEO e fundador do banco cripto Custodia ao Decrypt. “Eu confio no que ele [Barney Frank] disse — ele não tinha motivos para mentir.”

A CEO do Conselho Cripto para Inovação (Crypto Council for Innovation), Sheila Warren, disse ao Decrypt que as declarações recentes dos reguladores “parecem constituir verdadeiras proibições de trabalhar com todas as empresas cripto, independentemente de suas práticas comerciais.”

Warren acrescentou que essa negativa de acesso bancário “marcaria uma mudança para a abordagem da inovação e do empreendedorismo nos EUA, sinalizando que o país está optando por não ser competitivo no espaço tecnológico e preferindo que outros países liderassem o setor.”

Problemas crescentes

Os problemas do Signature estavam se formando há algum tempo: no mês passado, a empresa de investimento e negociação baseada em algoritmos Statistica Capital entrou com uma ação coletiva contra o banco, alegando que facilitou as atividades fracassadas da FTX com ativos digitais.

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Depois que outro banco parceiro do setor cripto, o Silvergate, anunciou seu fechamento, as ações do Signature Bank despencaram e a Nasdaq posteriormente suspendeu a negociação das ações da instituição bancária. 

No entanto, a administração do Banco ficou surpreendida com a decisão dos reguladores de Nova York de simplesmente fechá-lo, segundo uma reportagem apresentada na Bloomberg, citando fontes não identificadas.

Repressão às criptomoedas

Reguladores e legisladores têm reprimido duramente o cenário de ativos digitais, especialmente desde o colapso da FTX em novembro de 2022. 

Em dezembro, os legisladores dos EUA escreveram uma carta ao Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, exigindo informações sobre os laços dos bancos americanos com criptoativos.

Nela, as Senadoras democratas Elizabeth Warren, de Massachusetts, e Tina Smith, de Minnesota, alertaram sobre os laços dos principais bancos com o setor cripto — mencionando tanto o Signature Bank quanto o Silvergate, que fecharam voluntariamente na semana passada, pelo nome.

Desde então, os bancos com esses laços enfrentaram dificuldades, incluindo o Custodia de Long, que teve sua adesão ao Federal Reserve System negada em janeiro pelo Federal Reserve Board dos EUA. O Custodia está processando o FED por conta dessa negativa de adesão.

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“Essa movimentação está absolutamente de acordo com a tendência que tenho reparado”, disse Long. “O Custodia foi a primeira “vítima” no que claramente tem sido uma onda de esforços para empurrar os bancos para fora do setor bancário da indústria de ativos digitais legais.”

Long não é o único que pensa assim. O investidor Nic Carter alegou no mês passado que o governo dos EUA está usando o setor bancário para “organizar uma repressão sofisticada e generalizada contra a indústria de criptografia” — que ele apelidou de operação Choke Point 2.0. 

Os políticos também alertaram que a forma como as autoridades dos EUA estão agindo é uma reminiscência da controversa iniciativa da era Obama, Operation Choke Point — que desencorajou os bancos a fazer negócios com várias empresas. 

Na semana passada, quatro parlamentares republicanos escreveram uma carta aos chefes das agências reguladoras bancárias federais perguntando por que eles estavam pressionando as empresas legítimas de ativos digitais.

Bloqueio

Após o fechamento do Silvergate no dia dia 8 de março e, em seguida, do Signature Bank, as empresas cripto estão agora mais uma vez bloqueadas do sistema financeiro tradicional.

Este é um grande problema se a indústria de criptoativos for operar no mainstream: entidades como as exchanges cripto precisam de acesso a bancos tradicionais — como o Signature — para que seus clientes possam comprar ativos como Bitcoin e sacar para dólares americanos.

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A Sócia-gerente da A100x Ventures, Nisa Amoils, disse ao Decrypt que a medida de domingo do Departamento de Serviços Financeiros do Estado de Nova York “aconteceu no meio de uma ampla repressão regulatória às criptomoedas por conta de muitos reguladores federais e estaduais.”

O colapso maciço da FTX fez com que os reguladores se apressassem em descobrir como controlar o setor complicado dos ativos digitais em rápida evolução — em parte, porque muitos clientes dos EUA perderam dinheiro na falência da exchange. 

O Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou na semana passada que as instituições financeiras precisam “tomar muito cuidado” na forma como se envolvem com o espaço dos ativos digitais. 

Ele também acrescentou que não queria sufocar a inovação. 

“Ainda existem outros Bancos para o setor cripto como o MercuryCustomers, etc”, disse Amolis. O futuro deles, no entanto, está nas mãos dos reguladores, acrescentou.

*Traduzido por Gustavo Martins com autorização do Decrypt.

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