Sam Bankman-Fried
Sam Bankman-Fried, criador da FTX (Shutterstock)

A quinta-feira (16) começa agitada nos mercados globais, com mais um resgate de um banco em apuros, desta vez o Credit Suisse, e foco na política monetária global, tema acompanhado de perto por traders de criptomoedas e ações. 

No mercado cripto, investidores acompanham o leilão dos bancos falidos Silicon Valley Bank e Signature, cujo potencial comprador não poderá trabalhar com cripto, e o impasse para a venda dos ativos da Voyager para a Binance.US.  

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O presidente da SEC, Gary Gensler, continua sua investida e voltou a dizer que tokens em protocolos que oferecem renda passiva são valores mobiliários. 

O Bitcoin (BTC) opera com leve baixa de 0,6% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 24.735,83, segundo dados do Coingecko. Em reais, o BTC perde 0,4%, negociado a R$ 130.359,06, de acordo com o Índice do Portal do Bitcoin (IPB).  

O Ethereum (ETH), a segunda maior criptomoeda, cai 2,7%, para US$ 1.660,40.  

A atualização Shanghai-Capella, que permitirá sacar ETH travados na blockchain do Ethereum, completou com sucesso a etapa final na preparação para o tão esperado lançamento em abril, confirmaram os principais desenvolvedores da rede.  

A Coinbase anunciou que vai aceitar pedidos para destravar ETH 24 horas após a atualização Shanghai-Capella. No entanto, o período de espera exato para a sacar os tokens depositados na blockchain será determinado pelo protocolo Ethereum, sendo a Coinbase simplesmente o canal, segundo tuíte da exchange cripto americana.  

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Shiba Inu (SHIB) é destaque negativo e mergulha 7,5% nas últimas 24 horas, em meio a rumores de plágio do código da nova blockchain Shibarium, que ainda não foi lançada.  

Um membro da comunidade da Shiba Inu alegou no canal Discord que a versão beta da Shibarium está usando o mesmo código de identificação de uma blockchain existente. Desenvolvedores ainda tentam confirmar a informação, já que alguns alegam que o problema pode ser resultado de um simples erro ou bifurcação, de acordo com o CoinDesk

As principais altcoins seguem a tendência de baixa, como XRP (-0,4%), Cardano (-5%), Polygon (-7,2%), Dogecoin (-6,1%), Solana (-7,8%), Polkadot (-4,9%), e Avalanche (-9,1%). BNB vai na contramão e sobe 2,2%. 

Bitcoin hoje 

A volatilidade acima do normal afetou tanto investidores que apostam na alta quanto na baixa, sendo que contratos futuros de cripto acumularam US$ 300 milhões em liquidações em um período de 24 horas na quarta-feira (15), de acordo com o CoinDesk

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Além da crise bancária nos EUA, a volatidade foi acentuada depois que o maior acionista do Credit Suisse descartou qualquer injeção de capital extra. A declaração apertou o botão do pânico nos mercados globais. 

O banco central da Suíça veio em socorro e emprestou 50 bilhões de francos suíços (US$ 54 bilhões por meio de linhas de crédito ao Credit Suisse. 

Após ser martelado na quarta-feira por temores sobre seu nível de liquidez, o Credit Suisse se recupera nesta quinta. As ações do banco chegaram a subir 30% na abertura das bolsas europeias. 

Investidores de criptomoedas veem uma oportunidade com mais um banco em crise. 

“O pano de fundo macro do Bitcoin nunca foi tão perfeito”, escreveu em tuíte o cofundador da Mechanism Capital, Andrew Kang. 

O mercado também fica de olho nesta quinta para a reunião de política monetária do Banco Central Europeu. O consenso é de um aumento de 0,5 ponto percentual para a taxa básica, mas parte dos traders começa a questionar essa projeção diante da turbulência envolvendo o Credit Suisse. 

Venda do SVB e Signature  

Reguladores da FDIC, agência que garante os depósitos e supervisiona o setor bancário dos EUA, pediram às instituições interessadas em adquirir os bancos falidos Silicon Valley Bank (SVB) e Signature Bank que apresentem propostas até esta sexta-feira (17), disseram pessoas com conhecimento do assunto à Reuters. 

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A FDIC busca devolver os bancos ao setor privado depois que reguladores assumiram o controle do SVB, na sexta-feira passada, e do Signature, no domingo. 

Mas, no caso do Signature, a venda vem com uma condição: qualquer comprador deve concordar em não fazer negócios com a indústria cripto, de acordo com as fontes. 

Apenas interessados com uma licença bancária existente poderão estudar as finanças do SVB e do Signature antes de apresentar sua oferta, uma medida que visa dar aos bancos tradicionais uma vantagem sobre empresas de private equity, disseram as duas fontes. 

Uma ação coletiva foi aberta contra o Signature Bank em fevereiro por suas operações com a exchange FTX, e muitos especularam que os bancos fechados fazem parte de um esforço coordenado dos reguladores para excluir o setor cripto do sistema bancário, de acordo com o CoinDesk

Guerra às criptomoedas 

O deputado Tom Emmer, líder da maioria na Câmara dos EUA, questionou a abordagem da FDCI na atual crise, dizendo que a agência pode estar tentando “expurgar entidades de ativos digitais legais e oportunidades” do mercado americano.  

Em carta enviada na quarta-feira (15) ao presidente da FDCI, Martin Gruenberg, o deputado perguntou se o regulador instruiu bancos a não fornecer serviços bancários a empresas de criptoativos ou se alertou para uma supervisão mais rigorosa caso as instituições financeiras aceitem novos clientes cripto. 

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“Se for esse o caso, essas ações para ‘armar’ a recente instabilidade no setor bancário – catalisada por gastos catastróficos do governo e aumentos sem precedentes das taxas de juros – são profundamente inapropriadas e podem levar a uma instabilidade financeira mais ampla”, escreveu Emmer, citando comentários recentes do ex-deputado Barney Frank, coautor da Lei Dodd-Frank. 

O presidente da FDCI tem até 24 de março para responder à carta. 

Transferências da FTX 

Antes de quebrar, a FTX fez transferências de cerca de US$ 2,2 bilhões para o fundador da empresa, Sam Bankman-Fried (SBF), por meio de entidades relacionadas, disse a nova administração da corretora cripto. 

No total, mais de US$ 3,2 bilhões foram transferidos por meio de pagamentos e empréstimos aos fundadores da empresa e principais executivos, informou a FTX em comunicado na quarta-feira. 

Esses pagamentos foram feitos principalmente pela Alameda Research, o antigo braço de trading do grupo que agora está sob supervisão dos novos administradores. 

No fim de semana, carteiras com ativos da Alameda enviaram US$ 100 milhões em stablecoins para as empresas de trading cripto Cumberland e GSR Markets, mostram dados on-chain da Arkham Intelligence. Na terça-feira (14), três outras carteiras enviaram US$ 188,58 milhões para as exchanges Coinbase, Kraken e Binance. Não está claro se o capital está sendo consolidado ou investido para gerar rendimento, segundo o CoinDesk

Bankman-Fried, de 31 anos, é acusado de desviar bilhões de dólares de clientes da FTX. Atualmente em prisão domiciliar, SBF deve ser julgado em outubro. 

O fundador da FTX solicitou autorização da Justiça para acessar fundos do seguro de responsabilidade civil de diretores e executivos da empresa para pagar seus custos com advogados. O novo comando da FTX havia recusado a solicitação, o que levou SBF a pedir a intervenção de um tribunal no caso. 

Investida da SEC  

O presidente da SEC, a CVM dos EUA, voltou a afirmar que tokens que usam protocolos de “staking”, um serviço de renda passiva, podem ser considerados valores mobiliários, de acordo com a lei dos EUA. Em conversa com repórteres na quarta-feira (15), Gary Gensler argumentou que investidores buscam retornos com esses tokens, às vezes de “2%, 4%, 18%”, destacou. Com isso, operadores e intermediários de tokens precisam estar em conformidade, segundo The Block.  

O presidente da SEC respondia a um pedido de comentário sobre as afirmações na semana passada de Rostin Behnam, presidente da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), que reiterou sua tese de que o Ethereum é uma commodity. 

Na quarta, a SEC também deu sinal verde para avançar três regras propostas com o objetivo de reforçar a segurança cibernética, a privacidade de consumidores e os padrões do sistema para o setor de valores mobiliários, o que inclui algumas empresas envolvidas em ativos digitais. 

Críticas à SEC 

Em entrevista ao podcast gm do Decrypt, o diretor jurídico da Coinbase, Paul Grewal, fez eco às críticas sobre a atuação da SEC no mercado cripto, que classificou como “um processo muito fragmentado”. 

Em fevereiro, a SEC impôs uma multa de US$ 30 milhões à corretora cripto Kraken porque seu produto de staking supostamente violava as leis de valores mobiliários. 

Com a pressão regulatória nos EUA, a Coinbase busca o diálogo com reguladores em outras jurisdições. 

O vice-presidente de políticas internacionais da Coinbase, Tom Duff Gordon, esteve reunido com autoridades do banco central e do Tesouro da Austrália para discutir o futuro dos ativos digitais e regulação, em reuniões privadas que também tiveram a participação de outros executivos da indústria cripto global, noticiou o CoinDesk

Venda da Voyager 

A oferta de US$ 1 bilhão da Binance.US para comprar os ativos da Voyager deve seguir em frente, decidiu um juiz de falências em documento judicial na quarta-feira, negando um pedido do governo dos EUA para suspender o processo enquanto aguarda um recurso.

O procurador dos EUA, Damian Williams, argumentou que o acordo deveria ser alterado ou anulado, porque permitiria absolver a Voyager e sua equipe de violações tributárias ou leis de valores mobiliários. 

Outros destaques das criptomoedas   

O banco central dos EUA lança em julho o “FedNow”, seu serviço de pagamento instantâneo, informou o Federal Reserve na quarta-feira (15), com certificação e testes para os primeiros usuários a partir da primeira semana de abril. Anunciado em 2019, o FedNow permitirá que bancos transfiram pagamentos instantaneamente pelo sistema financeiro, conforme a Reuters. 

O desenvolvedor de software Kgothatso Ngako desenvolveu uma ferramenta chamada Machankura, que permite transações com Bitcoin para usuários na África sem acesso à internet, conforme o Decrypt. A ferramenta utiliza o protocolo “USSD”, usado em redes de telecomunicações, para enviar mensagens de texto curtas e pode interagir com a Lightning Network para operações com Bitcoin rápidas e gratuitas. Atualmente, 2.900 pessoas em oito países estão usando a ferramenta, que pode ser expandida para atender aqueles sem acesso à Internet. 

A Salesforce lançou a Salesforce Web3uma plataforma de gerenciamento de tokens não fungíveis (NFTs) para ajudar clientes a criar programas de fidelidade baseados em tokens. Por meio da plataforma, empresas podem criar e vender NFTs, monitorar a atividade de blockchain e visualizar dados de clientes em tempo real. A Salesforce também estabeleceu conselhos consultivos para assegurar o uso ético da plataforma. 

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