O que é e como funcionava a 18k Ronaldinho, acusada de pirâmide de financeira

O que é e como funcionava a 18k Ronaldinho, acusada de pirâmide de financeira
Foto: Shutterstock


Promessas de retorno financeiro de 400% de investimentos em criptomoedas em menos de um ano e a imagem de um ex-astro do futebol no mundo: Ronaldinho Gaúcho. Essa era a fórmula perfeita para a 18k Ronaldinho atrair potenciais clientes ao chamado Marketing Multinível, que depois acabou se tornando suspeita de pirâmide com ativos digitais.

De acordo com o site da 18k Ronaldinho, os rendimentos de 2% diários que eram anunciados pela empresa vinham de operações de arbitragem com criptomoedas e investimentos em bolsa de valores

18k Ronaldinho e as promessas

O site da empresa, que se apresentava como Marketing Multinível, informa que a pessoa sequer precisava indicar ninguém ao plano de MMN para ganhar “diariamente de 1% a 2% sobre o valor que investiu por 200 dias úteis”. 

No entanto, caso indicassem alguém, recebiam 7% dos fundos investidos por afiliados que eles colocam na rede — o chamado marketing de rede. A 18k Ronaldinho oferecia aos clientes planos que variavam entre US$ 30 e US$ 12.000,00 (R$ 140 e R$ 56.400 aproximadamente).

“Independentemente de qual opção for escolhida, o 18K Ronaldinho paga diariamente aos afiliados por 200 dias. Quando visitei o site do 18K Ronaldinho pela primeira vez, pensei que fosse algum tipo de brincadeira”, escreveu o site.

Os afiliados da 18k Ronaldinho podiam ainda ganhar prêmios como celulares, viagens e carros de luxo, conforme as metas alcançadas. Esse tipo de atitude é algo típico dessas empresas que autodenominam MMN.

Relógios de fachada

Como qualquer empresa desse ramo precisa ter um produto para que não seja interpretada como uma pirâmide, a 18k usava como produto os relógios da 18k Watches.



No entanto, se o associado ao invés de escolher os investimentos em criptomoedas e em ações preferir preferir adquirir os relógios, teria ganhos bem menores: 0,99% ao dia. Isso não chegava nem a metade dos 2% diários que a empresa dizia que seus clientes poderiam obter. 

Os relógios, portanto, não eram o foco do negócio. Isso ficou  mais claro quando o diretor Athos Trajano afirmou numa palestra que o objetivo da 18k Ronaldinho era chamar as pessoas e não divulgar o produto.

“Nem faço propaganda do relógio”, ressaltou na ocasião, em reunião no dia 21 de março de 2019, em São Paulo.

18k e Ronaldinho Gaúcho

A marca do relógio, então, foi criada pelo empresário Marcelo Lara, que junto com o atleta fundou a 18k Ronaldinho. Lara, portanto, é a pessoa ostenta junto com Rhaphael de Oliveira a situação de sócio da empresa.

Havia, porém um homem de nome Bruno Rodrigues que se apresentava como responsável pela gestão da 18k tanto no site da empresa quanto em vídeos no Youtube. Ele, contudo, não consta no Quadro de Sócios e Administradores informado à Receita Federal e tampouco nos documentos registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).

O mesmo sucede com Ronaldinho Gaúcho. Apesar de o ex-jogador ser embaixador da 18k e a empresa ter o seu nome, não há nada formal ligando ele a empresa tanto na Receita Federal quanto na Jucesp.  

Esse fato fez com que o Ministério Público do Estado de São Paulo em outubro do ano passado afirmar, em suas investigações a suspeita de atuação fraudulenta da empresa, que a queixa envolvia apenas a 18k Ronaldinho e o contrato com o ex-jogador “não figura como sócio” da empresa. 

O ex-jogador chegou a ser convocado pela Câmara de Deputados a prestar informações sobre o seu suposto envolvimento de pirâmide por meio da 18k. Ele, porém, não compareceu à audiência.

Essas suspeitas, contudo, só vieram á tona após o site americano Behind MLM, que faz análises sobre empresas de marketing multinível, apontar a ‘18k Ronaldinho’ como uma suposta pirâmide financeira. A análise foi publicada com o título “Negócio de relógios falido se transforma em Ponzi com criptomoedas”.

Ronadinho Gaúcho na Justiça

Após a isso vieram algumas ações contra 18k e até mesmo contra o próprio ex-jogador. Numa delas, tramitando na Justiça de Goiás, está sendo cobrado R$ 300 milhões. Essa é uma Ação Civil Coletiva movida pelo Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec/GO), a qual já tem audiência marcada com o ex-astro do futebol para ocorrer em 22 de maio.

Resta saber se ele irá comparecer, pois dependerá de como as coisas irão se resolver no Paraguai, país em que Ronaldinho Gaúcho está preso preventivamente por ter entrado com passaporte falso.


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